Em tempos de pandemia e restrições muitos foram os destinos turísticos que ficaram menos acessíveis ou completamente vedados a receber visitantes estrangeiros.

Outros, porém, devido à sua localização ou singularidade geográfica, sempre conseguiram oferecer condições atrativas e de segurança para ir recebendo turistas.

Zanzibar foi e continua a ser um desses destinos, pois trata-se de uma ilha largamente distanciada da Tanzânia, país de que faz parte. É a maior ilha do arquipélago com o mesmo nome, que é composto por mais 2 ilhas (Pemba e Mafia). Situa-se na costa Leste de Africa, sendo banhada pelo Oceano Índico.

Perante todas estas condições, decidi embarcar em dezembro, na descoberta deste paraíso há tanto desejado e lugar de referência nos destinos de praia mais exóticos do mundo.

A escolha da companhia aérea recaiu sobre a Ethiopian Airlines que voa para Zanzibar desde várias cidades na Europa e com escala em Addis Ababa. É considerada a melhor companhia aérea de África e tem uma grande frota composta pelas aeronaves mais recentes. O Hub de Addis Ababa é muito funcional, prático e em cerca de 30 minutos é possível fazer o transbordo entre aeronaves. A partir dai, a Ethiopian Airlines voa para as cidades mais importantes dos vários países africanos, pelo que é sempre uma excelente escolha.

A chegada a Zanzibar, pelas 14h, foi numa excelente hora, pois havia pouco movimento, o que também facilitou o processo de entrada. Os que já tenham adquirido o visto online, seguem diretamente à alfandega, enquanto os que pretendam adquirir o visto à chegada (que foi o meu caso), deverão preencher um documento com os dados pessoais e entregar no balcão próprio onde é tirada uma foto e carimbado o passaporte, após o pagamento de 50 USD. É possível efetuar este pagamento com cartão sem qualquer problema.

A mala já me aguardava 😊, e foi só apanhar o transfere rumo ao Hotel. Decidi ficar 2 noites em Stone Town (cidade principal), pois queria muito conhecer um pouco da história e da cultura da ilha. A meu ver, uma viagem a Zanzibar só fica completa quando presenciamos um pouco da vida local urbana e sentimos o vibrar das suas azáfamas do dia-à-dia.

Escolhi o DoubleTree by Hilton Hotel Zanzibar – Stone Town. O hotel situa-se mesmo no centro da zona antiga da cidade e com ótima acessibilidade a todos os pontos de interesse a e alguns restaurantes. É um excelente ponto de partida para iniciar uma visita por Stone Town. O hotel tem 5 pisos e o restaurante fica no último andar com uma varanda onde é possível admirar a vista para a cidade e para o mar (estreito de zanzibar). A decoração é em estilo colonial com influências árabes e o staff é extremamente atencioso e simpático.

Outras opções de alojamento nas imediações, que tive oportunidade de conhecer, são o Tembo House Hotel, o Zanzibar Serena Hotel e o Park Hyatt Zanzibar (todos frente ao mar).

Os principais pontos a não perder numa visita a Stone Town são:

  • O forte árabe/ Velho Forte (construído pelos portugueses);
  • Forodhani Park (onde se realiza, à noite, um mercado local com várias bancas de comida);
  • Freddie Mercury House (Casa Museu onde viveu Freddie Mercury durante a infância);
  • Casa Swahili (alojamento, restaurante e bar em estilo Swaili com um excelente terraço no último piso com uma das melhores vistas sobre a cidade);
  • Igreja Anglicana (junto à igreja não perder o monumento dedicado à escravatura, bastante representativo do sofrimento dos escravos. As correntes utilizadas no monumento são originais da época);
  • Mercado dos escravos – Museu (localizado junto à igreja anglicana, onde se podem visitar algumas das exíguas celas e uma exposição sobre a história da escravatura em Zanzibar);
  • Shakti Temple (Templo Indu em que o interior é apenas acessível a praticantes);
  • Darajani Market (o mais importante mercado de Stone Town onde se podem encontrar frutas, verduras, especiarias, carne e peixe. Uma ótima experiência de aromas e vivência local);
  • Casa das Maravilhas / House of Wonders (há cerca de um ano, este emblemático edifício património da Unesco, sofreu um colapso parcial, pelo que atualmente encontra-se a aguardar restauro e não pode ser visitado);
  • Prision Island (uma vez em Stone Town, é imprescindível a visita a esta pequena ilha. Está situada a apenas 30 minutos da cidade e o percurso é efetuado em embarcações tradicionais. O nome da ilha vem do edifício prisional que nela se construiu, mas que nunca chegou a ser usado como tal. Foi sim, utilizado no século XIX como sanatório para doentes em quarentena com febre amarela. Na ilha também se pode visitar uma colónia de tartarugas gigantes- Oferta do Governo das Seychelles).

Para jantar existem várias opções e de valores bastante acessíveis. A comida é geralmente de boa qualidade e o atendimento é sempre prestado com simpatia. As minhas opções foram entre o Beach House Zanzibar e o 6 Degrees South.

A fundação Emerson também tem dois restaurantes localizados em Rooftop: Emerson Hurumzi e Emerson Spice. Estes restaurantes têm uma particularidade que, quanto a mim, pode afastar alguns clientes, pois obriga a um pagamento de caução para efetuar a reserva. Ambos os restaurantes ficam em edifícios de estilo Swahili e que também tem alojamento.

Uma das atrações principais de Zanzibar é, sem dúvida, fazer um “Spice Tour” – uma visita a uma quinta onde se cultivam as mais variadas especiarias que todos os dias consumimos, mas que raramente vimos na natureza em versão de árvore ou planta.

Um guia local leva-nos pelos vários trilhos e faz-nos adivinhar cada planta ou folha de árvore que vamos encontrando, fazendo uma pequena colheita e dando-nos a cheirar para tentarmos chegar ao nome da especiaria em questão. Certo é que, por vezes, o aroma faz-nos lembrar algo conhecido, mas, no meu caso, foram poucas as especiarias que consegui identificar. Assim, é com elevada curiosidade que vemos as plantações de noz moscada, pimenta, cardamomo, baunilha, cravinho (uma das maiores exportações da ilha), canela, cacau, café, erva príncipe, curcuma e gengibre. A quinta tem também algumas frutas como lichias, ananás, carambola, banana vermelha, manga, jaca, entre outras. O guia executa também a proeza de subir ao coqueiro mais alto para apanhar um coco que depois abre para bebermos a água e comermos o fruto (por acaso não gosto muito de coco, mas acabei por não fazer a desfeita e lá bebi a água e comi um pedaço do fruto !!). Servem ainda várias outras frutas para degustação. É também uma boa oportunidade para comprar algumas das especiarias e outros produtos locais.

Optei por realizar este tour a caminho do hotel escolhido para a segunda fase da viagem, que foi a estadia na praia. Esta opção pode sempre ser combinada com o guia ou taxista.

Deixo aqui outras sugestões de tours:

Nakupenda Sandbank – Excursão de dia inteiro passada numa língua de areia com almoço incluído e possibilidade de realizar snorkeling e nadar em águas cristalinas;

Mnemba Island dolpin tour – Experiência de nadar com golfinhos no seu habitat natural.

Para tours e transferes deixo um contacto de confiança Upendo Tours & Safaris. Esta empresa organiza também tours de vários dias de safari na Tanzânia continental.

Existem três zonas principais para estadias na praia (Nungwi, Kiwengwa e Paje/Jambiani). A primeira fica na zona noroeste e as outras duas na costa leste; Kiwengwa mais central/norte e Paje/Jambiani mais a sul.

Após alguma leitura de prospeção e a consulta com operadores turísticos locais, Nungwi é sem dúvida a melhor zona de praia da ilha. Aqui, as marés baixas não são tão acentuadas e consegue-se sempre tomar banho em qualquer hora do dia, o que não acontece na costa leste, onde em grande parte do dia é quase impossível nadar na praia, pois o mar está demasiadamente recuado.

Nas proximidades encontram-se três outros bons hotéis muito recomendáveis:

–    Royal Zanzibar

–    Riu Palace Zanzibar

–    Zuri Zanzibar  

Foi sem dúvida, uma viagem surpreendente pelo clima, meio ambiente, sustentabilidade, simpatia, boa gastronomia e maravilhosa praia de água cristalina com temperaturas de 28/29 graus.

Confesso que não sou de viajar para destinos de praia, mas Zanzibar convenceu-me plenamente pela combinação de puro lazer com a vertente cultural e histórica. É seguro e totalmente recomendável.

Dicas:

  • Para quem não quer levar dólares e evitar duplos câmbios, também é possível trocar euros pela moeda local “Xelim tanzaniano”. Existem casas de câmbio em Stone Town onde as taxas são mais favoráveis do que nos hotéis.
  • Os sacos de plástico são proibidos na Tanzânia. Por isso, evite levá-los, pois podem ser confiscados na alfândega.
  • Uma vez que é necessário realizar teste Covid para regressar a Portugal, aqui fica o link onde se pode fazer o agendamento:

Teste rápido antigénio pode ser agendado no próprio dia da viagem e no aeroporto (neste caso convém ir com bastante antecedência pois o resultado pode demorar até 1 hora). Para quem pretende fazer o teste sem sair do hotel, também existe essa possibilidade e uma equipa de enfermeiros irá ao seu encontro.

Paulo Pavão – profissional da indústria do turismo há 20 anos que adora conhecer o mundo. Um viajante e não um turista.

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