O Senegal não está entre as escolhas habituais dos portugueses para férias, mas pode vir a estar já este verão. A apenas quatro horas de voo de Portugal, este é um destino que combina praia, cultura e natureza, incluindo a possibilidade de realização de safaris.

O convite para conhecermos o país chegou do operador turístico português Solférias, que vai iniciar na próxima segunda-feira, dia 6 de junho, voos especiais à partida de Lisboa e do Porto para o Senegal. Os pacotes têm preços desde os 969 euros por pessoa, incluindo voo desde Lisboa ou Porto para Dakar e regresso, sete noites de alojamento no novíssimo Hotel Riu Baobab 5-estrelas, regime de tudo incluído, transferes e taxas.

Hotel RIU Baobab

O primeiro impacto do RIU Baobab é a de um hotel acabado de estrear com um lobby relativamente grande e bem decorado. O RIU Baobab foi construído junto à praia numa grande extensão de terreno, onde não se avista mais nada senão o hotel. O hotel fica situado na Petite Côte do Senegal, a sul da capital Dakar. Aberto em abril deste ano, o RIU Baobab levou o seu conceito de tudo incluído às praias do Senegal.

Com uma oferta de 522 quartos, a unidade oferece o habitual serviço tudo incluído 24 horas da cadeia, dispondo de um restaurante principal, o “Yassa”, onde é servido o buffet de cozinha internacional e o pequeno-almoço; e ainda restaurantes temáticos de cozinha italiana, asiática e grill. A oferta é complementada por quatro bares: o “Sorouba”, com palco e esplanada, o “Bar Plaza”, o bar piscina “Dunun” (com bar aquático) e o lobby bar “Safari”.

Como é apanágio dos hoteis resort, o RIU Baobab oferece ainda um programa de entretenimento para crianças e adultos, wifi gratuito em todo o hotel, quatro piscinas, uma piscina infantil com escorregas e o parque aquático “Splash Water World”. O desenho e decoração são inspirados na tradição do Senegal – aliás o nome Baobab é uma homenagem à árvore símbolo do país: o boabá. A praia em frente ao hotel é tranquila e a água tem um temperatura muito agradável Apesar de ser um resort com muito para oferecer, existem várias atividades que podem ser feitas fora do resort, como as que vamos referir em seguida.

África autêntica

O Senegal não é um destino que possa ser colocado em nenhuma destas “caixas”: não é um destino apenas de resort ou de praia, nem apenas cultural ou de natureza, mas se tivéssemos de lhe colocar um rótulo seria o destino onde encontramos uma África autêntica e de experiências reais, como a que vivenciámos no mercado ao livre em Nguéniène, a 40 minutos do RIU Baobab. Neste mercado vende-se de tudo um pouco, desde animais, a vestuário, artesanato e alimentos. Na zona de venda de animais há sobretudo homens, mas também crianças. Olham-nos surpreendidos, mas rapidamente voltam ao que estão a fazer. Não é um mercado turístico, estão ali uma vez por semana para trocas comerciais entre eles. Não querem que tiremos fotos, irritam-se quando percebem que estamos de telemóveis apontados. Ao fim de algum tempo, desistimos de tirar fotos e deixamo-nos levar pelo nosso olhar, guardando apenas na memória o que vemos. O percurso dura mais ou menos uns 40 minutos. Não sendo um mercado turístico, é normal que não esteja preparado para receber turistas, como noutros destinos. Mas para quem quer viver um experiência real e local, não podíamos ter pedido melhor.

Antes de seguir viagem, parámos numa pequena mercearia para comprar alguns bens essenciais que levámos até à próxima paragem: uma aldeia de etnia serere, a poucos minutos do mercado.

São 11h30 da manhã e na aldeia só estão as mulheres e crianças e o ancião, cerca de duas dezenas, as mais velhas com mochilas às costas, sinal de que estariam a regressar da escola. Mulheres muito jovens carregam os bebés nas costas, outras lavam roupa nos alguidares, sobre o olhar do ancião sentado estrategicamente em frente à porta. Recebem-nos com alegria e abrem-nos as portas das suas casas, precárias, feitas de argila e cimento, com folhas de palmeiras a cobrir o teto, sem luz e água. São as mulheres que nos conduzem por uma visita à sua aldeia, mostram-nos os quartos e o modo de vida. Há tempo para interagir e no final despedimo-nos com uma música e dança típica da aldeia.

Deixamos a aldeia para trás e seguimos em direção a Simal, que fica a sensivelmente a 50 minutos da aldeia. Vamos almoçar no Ecolodge Simal, que fica nas margens da Lagoa Sine Saloum, no Delta de Saloum. Esta é uma das excursões possíveis de realizar que combina a visita à aldeia serere com a viagem ao Delta do Saloum. O ecolodge é o ponto de partida para um passeio de barco pelos mangais do Delta ou para outras atividades. O almoço é servido junto à praia tendo como pano de fundo o Delta, com as suas canoas que aguardam os turistas para um passeio.

Depois do passeio de barco, somos convidados a um passeio de charrete, ou melhor, de carroça pelas aldeias vizinhas do ecolodge. O melhor do passeio foi mesmo a paragem numa aldeia, em que novamente fomos recebidos calorosamente pelas crianças, numa alegria que tem tanto de genuína como de contagiante.

Safari na Reserva de Bandia e os Leões

O Safari na Reserva de Bandia e o mini safari com leões são duas atividades distintas, em diferentes locais, que valeria a pena fazer em conjunto, uma vez que se encontram a pouquíssima distância uma da outra. No Lion Ranch (reserva dos leões), esperam-nos veículos 4×4 com um estrutura de proteção para percorrermos a área onde se encontram os animais. Será, provavelmente, o mais perto que estaremos de um leão em toda a nossa vida e isso não é algo de menosprezar, mesmo que saibamos que estamos numa reserva controlada. Ainda não tínhamos os telemóveis prontos e num ápice uma das leoas salta para cima do veículo ao nosso lado, atraída por um pedaço de carne. Em poucos segundos, um leão sobe para cima do nosso veículo. O que se segue é um momento de adrenalina e admiração, que tentámos captar através das lentes dos telemóveis, mas que nunca será possível de transmitir se não o vivenciarmos. Alguns tocam-lhe no pelo, outros tentam tirar a melhor foto do animal prostrado por cima das nossas cabeças. Saímos de coração cheio desta aventura e com imagens espetaculares para partilhar.

Seguimos para a Reserva de Bandia, onde faremos uma hora e meia de visita com almoço incluído. Nesta reserva com 3500 hectares, construída em 1995, predominam muitos animais e espécies nativas de África, entre os quais zebras, javalis, avestruzes, rinocerontes, gazelas, cabras, girafas e impalas. Também podemos encontrar entre a flora, os baobás. O almoço é feito na área de acolhimento da reserva, uma estrutura bem preparada para receber os turistas, com restaurante, loja e casas-de-banho. Quem já fez safaris em África, provavelmente não ficará surpreendido com o que vai encontrar aqui, mas para quem nunca fez, não deixa de ser uma excelente experiência pela savana africana. Durante 1h30 de passeio acompanhado por um guia, avistam-se muitos animais a poucos metros de distância. É uma boa excursão para fazer em família.

Ilha das Conchas

Um das visitas que fizemos na nossa estadia no Senegal foi à vila de pescadores Joal-Fadiouth. A vila divide-se em duas partes: Joal, uma antiga colónia portuguesa fundada no século XV por João Alves (origem do nome Joal), localiza-se na parte continental e é conhecida como a terra natal do primeiro presidente senegalês, Léopold Sédar Senghor; enquanto a vila de Fadiouth, também conhecida como “ilha das conchas“, fica numa pequena ilha ligada a Joal por uma ponte pedonal sendo proibida a circulação de carros.

O nome “ilha das conchas” deve-se ao facto de Fadiouth estar sedimentada por cima de milhares de conchas. Durante centenas de anos, os habitantes da vila pescaram moluscos, comiam e acumularam as conchas em Fadiouth, o que levou à formação da pequena ilha. As conchas acumuladas ao longo de muitos anos não só formam o solo de Fadiouth, como também cobrem as ruas e são utilizadas na construção das casas. A ilha é também conhecida pelo seu cemitério onde são enterrados muçulmanos e cristãos. Ao contrário do país, em Joal-Fadiouth, a maioria da população é cristã e a comunidade orgulha-se da tolerância religiosa existente entre cristãos e muçulmanos. Na pequena ilha, percorremos as ruas com tranquilidade, apenas interrompida pela chamada de atenção do guia para o modo de vida da aldeia. Fazemos um ou outra paragem para compras aos vendedores ambulantes, felizes por avistarem alguns turistas, sob o olhar dos mais velhos que matam o tempo. No Senegal o tempo não mata, são os senegaleses que matam o tempo e Fadiouth é um bom exemplo.

Ilha de Gorée

O último dia de viagem foi dedicado a dois locais cuja visita é muito recomendável: a ilha de Gorée e o Lago Rosa. Saímos em direção à cidade de Dakar que fica a uma hora e meia do Riu Baobab. Embora esta excursão não inclua a visita a Dakar, fizemos um tour rápido de autocarro pela cidade antes de seguirmos para o porto, de modo a apanhar o barco para a ilha de Gorée. Era sábado e as filas eram grandes. À espera estavam turistas, grupos de alunos para visitas de estudo e os vendedores locais, num ambiente relativamente organizado no cais. O turismo é a atividade principal da ilha, que fica ao largo de Dakar. Foi preciso esperar algum tempo para o próximo barco, mas no Senegal há que ser flexível com os horários e encontrar forma de matar o tempo.

Ilha de Gorée fica situada ao largo da capital do Senegal, Dakar

São cerca de 20 minutos de viagem até Gorée. A ilha é um dos pontos mais visitados no Senegal e a sua história está ligada ao comércio de escravos durante quatro séculos (1444-1848). Em Gorée encontramos uma arquitetura colonial bem conservada de diversas origens, desde os holandeses aos portugueses. As casas coloridas contrastam com o lado negro da história da ilha. Depois de um passeio a pé, fizemos uma paragem para a visita à Casa dos Escravos, um antigo cativeiro que atualmente abriga um museu. Divisão a divisão, revisitámos uma época terrível da história da humanidade, através da explicação de como eram tratados e as suas rotinas. O maior simbolismo desta casa está no corredor que dá acesso ao mar. Dali partiam barcos para várias geografias carregados de pessoas que nunca regressariam e foi ali que, em 1992, o Papa João Paulo II pediu perdão a África.

A visita a Gorée inclui almoço na ilha e só depois o regresso a Dakar, de onde partimos para o Lago Rosa, que fica localizado na Grande Côte, a norte de Dakar. Este lago salgado entre as dunas e o oceano deve a sua cor à alta concentração de sal e algas microscópicas. Fizemos o passeio ao largo do lago num veículo 4×4 e a primeira impressão é que o lago não é rosa, uma ideia que se dissemina assim que nos aproximamos. O passeio segue pelas dunas até à grande costa do Dakar, percorrendo parte da última etapa do rally Paris-Dakar quando este aqui se realizava. Por entre aldeias e dunas, o caminho faz-se com adrenalina até à praia, onde encontramos um cenário verdadeiramente idílico, com um areal a perder de vista. A melhor imagem para levarmos de cinco dias intensos de viagem.

Lago Rosa

Operação charter da Solférias

O operador Solférias tem partidas de Lisboa e Porto, às segundas-feiras, de 6 de junho a 3 de outubro de 2022 (última partida). Sete noites no Riu Baobab desde 969€. Este pacote está à venda nas agências de viagens

A Solférias também disponibiliza programas com a TAP, que tem 7 voos semanais à saída de Lisboa o ano todo.

Protocolos de entrada e saída
Exigido passaporte, certificado de vacinação e preenchimento de formulário para entrada no país.

Moeda
A moeda oficial do país é o Franco CFA, mas são aceites euros. 1€ = 655 CF

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