Jongsun Lee/Unsplash

No dia 12 de agosto, os olhos de milhões de pessoas vão voltar-se para o céu. Nesse final de tarde, um dos fenómenos astronómicos mais aguardados da década vai cruzar a Europa: um eclipse solar total que será o primeiro visível no continente europeu desde 1999 e o primeiro a atravessar a Península Ibérica em mais de um século.

A boa notícia é que Portugal também fará parte do espetáculo. Embora a maioria do país assista a um eclipse parcial muito profundo, haverá uma pequena zona do território nacional onde será possível observar a totalidade do fenómeno, ou seja, o momento em que a lua cobre completamente o sol e o dia se transforma, durante alguns instantes, em crepúsculo.

Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA) e a NASA, a faixa de totalidade atravessará a Gronelândia, a Islândia, o Atlântico Norte, o norte de Espanha e uma pequena área do nordeste de Portugal, antes de seguir em direção à Rússia.

Onde será possível ver o eclipse em Portugal?

O eclipse será visível em todo o país, mas a experiência será diferente consoante a localização. Segundo o Jornal de Notícias, apenas uma pequena área do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança, ficará dentro da estreita faixa de totalidade, tornando-se um dos poucos locais da Europa onde será possível assistir ao desaparecimento completo do sol (durante cerca de 26 segundos).

Quem não conseguir chegar ao nordeste transmontano também terá motivos para olhar para o céu. No restante território continental, mais de 90% do disco solar ficará oculto pela lua. No Porto, em Aveiro e em Coimbra, a cobertura poderá atingir os 98%, enquanto em Lisboa deverá rondar os 96% e em Faro os 93%. Já nos Açores e na Madeira, o eclipse será menos expressivo, com uma ocultação entre os 74 e os 77%.

Em Portugal, o eclipse terá início por volta das 18h30 e atingirá o ponto máximo entre as 19h30 e as 20h30. Como acontecerá ao final da tarde, o sol estará muito próximo do horizonte, pelo que o ideal é escolher um local elevado e com vista desimpedida para oeste. Edifícios, árvores ou montanhas poderão comprometer a observação, alertam os especialistas.

Se quiser assistir à totalidade sem sair da Península Ibérica, Espanha será um dos melhores destinos do mundo para o fazer.

A faixa de totalidade atravessará o norte do país, passando por regiões como a Galiza, Castela e Leão, Aragão e terminando nas Ilhas Baleares. Cidades como Bilbau, Saragoça e Valência ficarão dentro da zona de totalidade, enquanto Madrid e Barcelona assistirão a um eclipse parcial superior a 99%.

O eclipse será particularmente invulgar porque acontecerá ao pôr do sol, oferecendo imagens raras do chamado “anel de diamante”, o instante em que um pequeno ponto de luz solar permanece visível antes de desaparecer completamente atrás da lua.

A expectativa é de que milhares de pessoas viajem até Espanha nas semanas que antecedem o fenómeno, com hotéis e alojamentos em algumas regiões já a registarem uma procura muito acima do habitual.

Como observar o eclipse em segurança

Mesmo quando quase todo o sol está oculto, nunca deve olhar diretamente para o eclipse sem proteção adequada, exceto durante a fase de totalidade e apenas se estiver dentro da faixa onde o sol fica totalmente coberto. Em Portugal continental, isso só acontecerá numa pequena zona do nordeste do país.

Para observar o fenómeno em segurança, é indispensável utilizar óculos certificados com a norma ISO 12312-2, concebidos especificamente para eclipses solares. Óculos de sol comuns, por mais escuros que sejam, não oferecem proteção suficiente e podem provocar lesões permanentes na retina.

O dia 12 de agosto promete ser inesquecível para os apaixonados por astronomia. Além do eclipse solar, a noite coincide com o pico das Perseidas, uma das chuvas de meteoros mais conhecidas do ano, também chamada em Portugal de “Lágrimas de São Lourenço”. Em muitas zonas da Europa, será possível assistir aos dois espetáculos celestes no espaço de apenas algumas horas.

Para quem conseguir deslocar-se até à faixa de totalidade, há ainda um momento especialmente aguardado. Instantes antes de o sol desaparecer por completo e logo após voltar a surgir, surgem as chamadas Pérolas de Baily, pequenos pontos de luz que parecem cintilar junto ao contorno da lua. O efeito acontece quando os últimos raios solares atravessam os vales e as montanhas da superfície lunar, criando um espetáculo que dura apenas alguns segundos e antecede um dos instantes mais icónicos de um eclipse total: o chamado “anel de diamante”.

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