Paulo Pavão - autor da viagem

“Emília-Romana, San Marino, Ligúria e Toscana” por Paulo Pavão

Na maioria das vezes que queremos viajar e conhecer um país, acabamos por realizar viagens e circuitos pré-definidos, sejam eles apresentados por agentes e operadores de viagem ou mesmo por falta de conhecimento ou ainda porque seguimos as sugestões de amigos que também realizaram esses mesmo circuitos por conta própria.

Itália oferece uma enorme diversidade de opções de rotas e circuitos para quem gosta de natureza, sol e praia, amantes de vinhos e queijos, desportos de inverno e muita, muita história de cariz medieval.

A minha opção é uma combinação entre lugares mais tranquilos e pontos importantes de afluência turística. 

Esta viagem percorre as regiões de “Emília-Romana, Ligúria, Toscana e San Marino”, todas situadas no norte de Itália.

Começamos a nossa viagem pela cidade medieval de Bolonha. Trata-se da sétima maior cidade de Itália em população e o principal centro de atração de toda a região da Emília-Romana. Bolonha mantém intacta toda a sua identidade medieval e renascentista, sendo também uma cidade Universitária muito importante. É conhecida pelas suas várias torres e por ter a arquitetura medieval melhor conservada de toda a Itália.

Bolonha

Todo o centro da cidade pode ser percorrido a pé e esta é, sem dúvida, a melhor forma de nos depararmos com as inúmeras igrejas e palácios que nos remontam às épocas de Napoleão e Garibaldi. Como pontos importantes de destaque são: Piazza Maggiore com a Basílica de San Patrónio, a Fonte de Neptuno, a Catedral de San Pietro, a Igreja de Santo Stefano, o Palazzo Bianchi, a torre de Asinelli (a subida ao topo requer reserva antecipada online) e o surpreendente Palazzo del Archiginasio (antigo edifício da universidade que data de 1808 e que possui a biblioteca municipal adornada de móveis de época, vitrais e frescos e o magnífico teatro anatómico de visita obrigatória).

Bolonha – Fonte de Neptuno

A gastronomia desta região de Itália é predominante em massas, queijos, presuntos e vinhos.

O que conhecemos como “esparguete à bolonhesa” é um prato de sabor único desta região italiana, elaborado com massa fresca do dia, pode ser encontrado na maioria dos restaurantes e tem o nome de “Tagliatelle al Ragu“.  Em muitos dos restaurantes, “Osterias”, podemos deliciarmo-nos com este e muitos outros pratos de cozinha de excelência, sempre com ótima apresentação, excelente sabor e bom serviço.

Seguimos a viagem para San Marino. O percurso de carro dura cerca de 1h40 minutos.

San Marino é considerada a nação ou micro nação mais antiga da Europa, fundada no ano de 301, e fica situada no interior de Itália entre as regiões de Emília-Romana e Marcas. A sua cidade principal, com o mesmo nome, encontra-se situada na encosta do Monte Titâneo com excelentes vistas sobre as montanhas ao redor e sobre o Mar Adriático ao fundo.

San Marino – Torres do Monte Titâneo

San Marino tem uma constituição e parlamento próprios. Como destino turístico (umas das maiores fontes de riqueza do país), possui uma grande variedade de locais de atração na maioria localizados na encosta do rochedo, ou seja, ao longo da cidade.

Existe um passe que permite visitar vários museus e edifícios históricos tais como: Palácio Público (Parlamento), Museu de Estado, Museu Pinacoteca de San Francesco, Galeria de Arte Contemporâneas, Basílica de San Marino e as 3 famosas Torres (Guiata, Cesta e Montale) localizadas no topo do rochedo e com vistas deslumbrantes.

Outras atrações de destaque são as várias portas da cidade, as pequenas praças e alguns museus menos comuns como o Museu das Curiosidades (a não perder), o Museu da Tortura, o Museu dos Vampiros e o Museu de Cera.

San Marino – Palazzo Pubblico (Parlamento)

As ruas do centro histórico da cidade estão repletas de cafés, restaurantes, gelatarias e muitas, muitas lojas, especialmente de souvenirs. San Marino é considerada uma zona “tax free”.

Para os amantes de viagens que colecionam carimbos nos passaportes, é possível no Posto de Turismo da cidade, adquirir um selo e carimbo desta pequena República com um custo de 5 euros. 

A proximidade com o Mar Adriático faz com que a gastronomia local tenha uma boa oferta de peixes e mariscos.

Deixamos o Monte Titâneo e a República de San Marino e seguimos rota, desta vez para a cidade de Módena, em plena região de Emília Romana.

Esta cidade é a terra da Ópera, dos Motores e dos Sabores. Trata-se de uma cidade pequena a qual pode ser percorrida perfeitamente a pé (caso se opte por chegar de comboio para uma visita diária desde Bolonha).

Módena – Mapa Turístico

De forte cariz renascentista a cidade tem referências à opera e ao canto lírico com as várias escolas de formação musical internacionalmente reconhecidas, teatros e a Casa Museu Luciano Pavarotti.

As referências da Lamborghini e da Ferrari também nos trazem a Módena e aqui encontramos em destaque o Museu Enzo Ferrari; casa onde viveu e a qual se viu decidido a vender para construir o seu primeiro automóvel.

Módena – Casa Enzo Ferrari

Muito conhecido é também o vinagre balsâmico de Módena (produto de excelência desta cidade). Convém não deixar de visitar o museu “Acetaia”, junto ao posto de Turismo da cidade ou com um pouco mais de tempo, marcar visita a uma das Quintas e assistir a todo o processo de produção.

Não havendo tempo ou possibilidade de realizar nenhuma destas opções, na praça da Catedral existe uma loja onde também se pode fazer provas e adquirir as diferentes modalidades do vinagre balsâmico.

A não perder também: Catedral de Módena do Século XII, a Torre Ghirlandina, a Piazza Grande, O Palácio Ducal e o Mercado histórico de Albineli.

A próxima cidade do nosso itinerário é Parma. Mais uma cidade repleta de Palácios, Igrejas, Teatros e Museus.

Catedral de Parma

Em Parma destacamos: a Catedral de Parma, o Batistério e o Teatro Régio (Casa da Ópera de Parma). É uma cidade tranquila, limpa e organizada e onde podemos degustar um dos mais famosos queijos italianos; o “Regiano Parmegiano” .

Uma boa sugestão será agendar antecipadamente uma visita a uma das fábricas deste extraordinário produto.

Uma refeição em Parma não passa sem degustar uma tábua de queijos e enchidos, acompanhado de uma boa focaccia e de um Cabernet Sauvignon.

A nossa viagem segue agora para a costa mediterrânica do mar da Ligúria, região esta com o mesmo nome.

Uma breve paragem em La Spezzia, permite-nos organizar a nossa próxima etapa e adquirir todas as informações para visitar o Parque Nacional Cinque Terre. Na estação de comboios existe um posto de informação turística onde se podem adquirir os “Cinque Terre Card”, passes de vista às 5 aldeias (Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso).

Riomagiorre

Existem 2 formas de poder visitar as Cinque Terre; de comboio ou de barco. Via terrestre não é aconselhável pois as estradas são sinuosas, estreitas e o pouco estacionamento que existe é a longa distância das aldeias e em plena estrada.

O comboio, sai de La Spezzia; o passe diário custa 16 euros e permite entrar e sair nas várias estações e durante todo o dia com regresso possível até por volta das 23h. Dá acesso a ainda a alguns trilhos entre as várias aldeias e às casas de banho públicas locais.

Manarola

O barco tem saídas de La Spezia e Portovenere e o passe custa 35 euros mas com horário de regresso mais limitado ao fim da tarde. A aldeia de Corniglia é a única não avistada desde o mar mas com possível acesso.

Em algumas aldeias existe ainda a possibilidade de realizar passeios de barco pela costa e ilhas próximas. A recomendação será sempre para começar o percurso bem cedo, pois no final da manhã as aldeias já estão repletas de turistas passeando pelas suas estreitas ruas, pequenas praias, restaurantes e lojas locais.

Em toda a península existem varias opções para alojamento, mas decidimos optar por ficar em “ Fezzano”. Trata-se de uma pequena localidade mais tranquila, situada a meio caminho entre La Spezzia e Portovenere; possui uma Marina, alguns restaurantes e até uma mini praia. Procurar um alojamento que inclua estacionamento é de extrema importância e em Fezzano existem apartamentos que oferecem esse serviço gratuitamente.

Fezzano

Para nos deslocarmos na Península existem autocarros que passam com bastante frequência (Bus 11) e funcionam até as 23h, cada 20 minutos. Esta é a melhor forma, pois por exemplo, em Portovenere (destino turístico por excelência), tanto de dia como à noite o estacionamento é praticamente impossível. 

Portovenere

Quanto à gastronomia desta região da Ligúria, além do que é típico em Itália (massas e pizzas), as especialidades são também peixe e mariscos.

Continuando a nossa viagem entramos agora na famosa região da Toscana e a 70 km a sul fica a cidade de Pisa. Estando perto, é uma excelente oportunidade para conhecer.  Existem várias opções de bilhetes de visitas que incluem os vários monumentos tais como: Catedral, Batistério, Camposanto, Museu da Ópera do Duomo, Palácio da Ópera e a Torre de Pisa. Todos estes monumentos ficam situados no mesmo complexo o que facilita a deslocação entre eles.

Torre de Pisa

A visita feita durante o início da manhã traz sempre as suas vantagens evitando o calor e as filas para adquirir os bilhetes e para entrar nos vários monumentos. Assim, sobra sempre um tempinho para passear pelas ruas e praças do centro histórico. 

Curiosidade: a meio caminho entre La Spezzia e Pisa, encontram-se as famosas Montanhas de Carrara com as suas pedreiras de mármore. Aqui podem visitar-se as grutas e a exploração. Recomenda-se reserva antecipada.

Aproveitando ainda a proximidade de Pisa, a escassos 20 km encontramos a cidade medieval de Lucca. Trata-se de uma cidade com imensa história que remonta à idade média e está cheia de surpresas agradáveis a quem visita. O seu centro histórico é rodeado por muralhas e as suas ruas estreitas, as praças com destaque para a praça do anfiteatro (romano), e todo o património arquitetónico fazem de Lucca uma cidade encantadora que merece mais do que uma pequena visita diária. É uma boa opção pernoitar e desfrutar da gastronomia toscana, jantando numa das suas imensas e agradáveis esplanadas.

Catedral de Lucca

Lugares de destaque para visita são: a Catedral de Lucca, a Igreja de São Miguel, as Muralhas de Lucca (percurso a pé em redor da cidade), a Praça do Anfiteatro e a Torre Guinigi (reservar atempadamente para marcação de hora).

Lucca – Praça do Anfiteatro

Puccini nasceu nesta cidade e para quem tem curiosidade pode visitar a casa deste compositor.

E assim termina este roteiro improvável pelo norte de Itália, viagem feita praticamente de costa a costa (adrático a mediterrâneo), atravessando varias regiões e visitando diferentes cidades.

Para este itinerário são necessários cerca de 8 dias de viagem, utilizando os vôos diretos ida e volta para Bolonha ou com opção de regresso direto desde Pisa Para Lisboa.

Paulo Pavão – profissional da indústria do turismo há 20 anos que adora conhecer o mundo. Um viajante e não um turista.

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