De fevereiro ao verão, o Japão tem vários festivais botânicos para além das famosas cerejeiras que merecem entrar no roteiro.
De fevereiro ao verão, o Japão tem vários festivais botânicos para além das famosas cerejeiras que merecem entrar no roteiro.

Nem só das famosas cerejeiras é feito o Japão em flor. De fevereiro ao verão, o país tem um calendário rico em festivais botânicos que vão muito além das icónicas sakuras e revelam um lado mais tranquilo e genuíno do país.

Segundo a BBC, o crescente turismo internacional após a pandemia, impulsionado pelas redes sociais e pela desvalorização do iene, trouxe multidões massivas aos locais mais populares para contemplar as cerejeiras em flor. 

O fenómeno tem gerado preocupações crescentes, desde lixo acumulado até invasões de propriedade privada. Em Fujiyoshida, nas proximidades do Monte Fuji, as autoridades chegaram mesmo a cancelar o festival de sakura de 2026, depois de o número de visitantes atingir os 200 mil por temporada.

Mas as flores de cerejeira são apenas parte de uma tradição muito mais ampla, que se estende por diferentes regiões, espécies e momentos do ano. Eis cinco alternativas que merecem entrar no roteiro – e que, de acordo com a BBC, revelam um Japão em flor para lá do óbvio.

Flores de ameixoeira (fevereiro-março)

Site-TNews-2026-04-02T114727.767-1024x614 5 locais no Japão para ver flores fora da época das cerejeiras (e longe das multidões)

As primeiras a indiciar a primavera no Japão são as ume, flores de ameixoeira, que começam a despontar em meados de fevereiro e se prolongam até março. Por florescerem antes das sakuras, oferecem uma experiência mais tranquila, longe das multidões, sem perder o encanto: as suas pétalas arredondadas evocam as cerejeiras, mas distinguem-se pela floração precoce e por uma fragrância doce.

Um dos cenários mais emblemáticos é o Jardim Kairaku-en, em Mito, na província de Ibaraki, onde mais de três mil ameixoeiras transformam o parque num mar de tons rosa e branco. Aqui decorre o Festival Anual das Flores de Ameixeira de Mito – que celebrou recentemente o seu 130.º aniversário – com cerimónias do chá, apresentações culturais e especialidades gastronómicas inspiradas na ameixa. 

Mais perto de Tóquio, o Parque Hanegi acolhe o Festival da Ameixeira de Setagaya, onde cerca de 600 árvores florescem ao som de música tradicional, acompanhadas por petiscos sazonais como compota e mochi com sabor a ameixa.

Azáleas (abril-maio)

Site-TNews-2026-04-02T114844.743-1-1024x614 5 locais no Japão para ver flores fora da época das cerejeiras (e longe das multidões)

Com a primavera em pleno, entre abril e maio, as azáleas (tsutsuji) tomam conta da paisagem em explosões de vermelho, rosa, roxo e branco. Presentes na literatura japonesa desde o século VIII, estas flores estão historicamente associadas a templos, ao romantismo e à transição para o verão.

Locais como o Parque Komuroyama, em Ito, ou o Santuário Nezu, em Tóquio, são dos mais procurados para apreciar este espetáculo natural. Ainda assim, como refere a BBC, as filas podem ultrapassar as duas horas durante a época alta. A alternativa passa por abrandar o ritmo e explorar bairros residenciais, onde jardins locais revelam, muitas vezes, cenários igualmente deslumbrantes – e muito mais tranquilos.

Glicínias (abril-maio)

Site-TNews-2026-04-02T115055.702-1024x614 5 locais no Japão para ver flores fora da época das cerejeiras (e longe das multidões)

Logo após a época das sakuras, surgem as glicínias, com os seus cachos pendentes em tons de roxo, rosa e branco. Estas flores ocupam um lugar especial na cultura japonesa há séculos, figurando inclusivamente no Manyōshū, a mais antiga coleção de poesia clássica do país.

Um dos cenários mais icónicos é o Parque das Flores de Ashikaga, a cerca de uma hora de Tóquio, onde mais de 350 árvores florescem todas as primaveras, incluindo um impressionante exemplar com cerca de 160 anos. Já os túneis florais do Jardim Kawachi Fujien, em Fukuoka, tornaram-se imagens de postal, embora ambos os locais exijam hoje reserva antecipada

Para uma experiência mais descontraída, o Festival das Glicínias de Kasukabe, a norte de Tóquio, oferece uma celebração local com cerca de dois quilómetros de trepadeiras floridas, desfiles e bancas de comida.

Hortênsias (junho)

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Com a chegada da estação das chuvas, em junho, as hortênsias (ajisai) florescem em tons suaves de azul, violeta e rosa, criando paisagens envoltas numa atmosfera quase etérea. Com mais de uma centena de variedades em todo o país, estas flores são mencionadas em registos japoneses desde o século VIII.

Nos arredores de Tóquio e em Kamakura, parques e santuários enchem-se de cor, como o Parque Asukayama, o Parque Sumida ou o Santuário Hakusan. Destaque ainda para a Aldeia da Natureza Maravilhosa de Akiruno, que acolhe um festival com cerca de 15 mil flores e 60 variedades. 

No bairro de Bunkyo, o Festival Bunkyo Ajisai combina gastronomia local e apresentações culturais com o cenário delicado das hortênsias e de um santuário xintoísta com mais de mil anos.

Lavanda e flores alpinas (junho a agosto)

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No verão, é a ilha de Hokkaido que se destaca no mapa floral japonês. Em Furano, os campos de lavanda estendem-se por colinas ondulantes entre o final de junho e o início de agosto, criando paisagens vibrantes em tons de roxo, com as montanhas Tokachi como pano de fundo. A Quinta Tomita é uma das mais conhecidas, mas explorar a região de carro permite descobrir campos menos frequentados e igualmente impressionantes.

Para quem procura uma experiência mais remota, a Ilha Rebun, a cerca de 50 quilómetros da costa norte de Hokkaido, oferece um refúgio natural singular. Conhecida como a “ilha flutuante das flores”, integra o Parque Nacional Rishiri-Rebun-Sarobetsu e é habitat de espécies alpinas raras que florescem entre maio e setembro.

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