Filipe Batista*
A chegada da Air Serbia a Portugal, com três frequências de Lisboa e duas do Porto, aproximou os dois países e dá aos portugueses a excelente oportunidade de visitar Belgrado, uma das capitais com mais história da Europa e também uma das mais divertidas, tornando-a uma excelente opção para uma viagem com um grupo de amigos para passar um fim-de-semana alargado ou mesmo o fim-de-ano, que se aproxima a passos largos.
À primeira vista, Belgrado pode parecer uma cidade pouco atrativa e cinzenta, mas como em tudo na vida, as opiniões carecem de conhecimento de causa para serem formadas. A capital da Sérvia merece o benefício da dúvida, mais que não seja pela forma como adornou as cicatrizes provocadas pelas feridas abertas por vários conflitos armados ao longo da sua existência.
Atualmente, esta cidade prima pelo bom gosto dos seus restaurantes e bares, que se espalham pelos vários bairros da capital, pelo seu centro e pelas margens do rio Sava, que alberga mais de 300 bares nas suas margens (sim, não é engano), numa curta extensão. Esta forte ligação à vida boémia fez Belgrado receber a designação de Ibiza dos Balcãs.
O apetite desta cidade pela diversão atrai pessoas de todos os cantos da Europa, que aqui se divertem, naquela que é uma das capitais mais baratas da Europa, na atualidade. Para capitalizar este gosto pela vida noturna, que se prolonga até de manhã, alguns restaurantes decidiram abrir para servir pequenos-almoços, antes da sua habitual rotina de almoços e jantares.
Uma coisa comum a todos estes estes espaços é o bom gosto de que se revestem. É muito difícil encontrar um que não esteja superiormente decorado, tanto restaurantes como bares. Os sérvios dizem-se parecidos com os portugueses e, na verdade, há algo de latino neles. São bem dispostos, brincalhões e recebem com simpatia.
Uma dica importante: este gosto por receber turistas reflete-se nas quantidades de comida que servem, bastante generosas. É muito fácil uma dose chegar para duas pessoas (às vezes três). Em muitos restaurantes a refeição é antecedida de rakia, uma bebida tradicional dos Balcãs, semelhante a uma aguardente. Serve-se fria e há para todos os gostos. O preço médio de uma refeição completa varia entre os 12 euros e os 25 euros. Os polos de diversão distribuem-se por vários locais.






Distrito de Skadarlija: Este é um dos bairros mais animados e antigos de Belgrado. Nas suas ruas de paralelos existem vários bares e restaurantes típicos e onde é possível ver famílias a jantar e a divertir-se a qualquer dia da semana. Experimentámos o restaurante Velika e recomendamos. É animado por grupos que tocam música tradicional local e que vão de mesa em mesa.
Distrito de Sava Mala: Bairro famoso pelos seus cerca de 300 bares junto às margens do rio Sava e para onde todos se mudam depois de restaurantes e bares no centro encerrarem, pelas duas da madrugada.
Se durante o dia andar pelo forte Kalemegdan, existe um restaurante típico onde pode querer almoçar demoradamente. Trata-se do Kahvana Mali, com os seus pratos de carne e saladas a fazer crescer água na boca. E a rakia, sempre a rakia, a fazer companhia.
Mais afastado, mas não muito, mencionamos o restaurante Stara Carinarnica, em Zemun. Este espaço foi construído numa Esta zona, situada numa zona famosa de bares e restaurantes, junto ao rio, fica nos arredores de Belgrado, mas nada que um táxi não torne próximo.
Visitar, comer, divertir, repetir… e onde dormir?
A hotelaria de Belgrado é variada, desde hotéis de luxo carregados de história, como o Moskva, até aos alojamentos locais. Pela boa experiência que proporcionou em Belgrado, o Courtyard by Marriott Belgrade pode ser uma boa opção intermédia. Situado no centro, este hotel está a uma curta caminhada das principais atrações da cidade. Mesmo à sua frente fica o Museu Nacional e a cerca de 10 minutos a pé fica a rua de Skadarlija, onde se encontram bares e restaurantes.
Alegria da la movida de Belgrado não esconde passado difícil
Fruto das sucessivas guerras, a última das quais a da ex-Jugoslávia, que teve lugar na última década do século passado, Belgrado é hoje uma metrópole que conta a sua história com base na imaginação. Ao contrário de outras capitais, o passado desta cidade sérvia conta-se com muitos “é aqui que estava”, “aqui existia”, “foi destruído por…”. A ausência de um guia torna difícil a compreensão de Belgrado, pois muitos dos símbolos da sua edificação já lá não estão.
Um dos que resta e onde se percebe as várias camadas de que é feita esta cidade dos Balcãs é o forte Kalemegdan. É talvez o único lugar da capital onde é possível perceber e sentir a presença de povos que passaram por aqui, desde os romanos, que fizeram desta fortaleza um dos mais importantes do seu império e que serviu ainda a presença Otomana e austro-húngara.
Junto às suas paredes encontra-se o Museu Militar (Vojni muzej), com uma grande coleção de armas e onde são exibidas orgulhosamente partes de um F-117 A (stealth), um avião americano, denominado como invisível, que foi abatido pelos Sérvios durante a guerra do Kosovo. Os bem humorados sérvios dizem que, afinal, uma das jóias da coroa militar americana não é assim tão invisível.
Belgrado “partiu-se” várias vezes mas “colou” sempre os seus cacos. Uma vez que muitos dos símbolos da cidade já não existem nos locais originais, o melhor lugar para os ver é nos vários museus da cidade. Além do espaço já referido, existem três que deve visitar:
– Museu Nacional (Narodni muzej): Localizado no centro da cidade e construído num antigo banco, o mais antigo museu da Sérvia contém vestígios arqueológicos de inegável valor e uma vasta coleção de obras de arte e vestígios de uma cultura rica.
– Museu de História Jugoslava (Muzej istorije Jugoslavije): Aqui conta-se a história da ex-Jugoslávia e de Josip Broz Tito, o icónico líder da Iugoslávia, falecido em 1980, que tem o seu mausoléu neste espaço e onde jaz igualmente a sua mulher, Jovanka Broz, que morreu oito anos depois, aos 88 anos. Este museu é quase um local de peregrinação, muito movimentado. Vá cedo.
– Museu Nikola Tesla (Muzej Nikole Tesle): Este museu privado não está relacionado com o famoso carro criado por Elon Musk, mas sim com o inventor sérvio, Nikola Tesla. Este museu de visita obrigatória para os fãs de ciência e não só, abriga o espólio de um dos maiores patrocinadores da ciência moderna e que desenvolveu a transmissão via rádio, o controle remoto, o radar, entre outros. O carro de Musk não é da sua autoria, mas sem as suas invenções, nenhum Tesla andava. As cinzas do cientista encontram-se na exposição.



A bela Novi Sad
Não sendo um país de grandes dimensões, torna-se fácil movimentar-se na Sérvia e sair de Belgrado para conhecer outras cidades. Uma delas é Novi Sad, a norte da capital e também nas margens do Danúbio. Considerada a capital cultural desta nação, tem na Fortaleza de Petrovaradin uma das suas jóias, pela vista que oferece sobre a cidade e pelo Danúbio.


Esta fortificação detém a Torre do Relógio, colocada estrategicamente para os navegadores do Danúbio e para a população de Petrovaradin ver as horas. Este relógio apresenta como curiosidade o facto de o seu ponteiro das horas ser maior que o dos minutos. É também junto a este forte que se realiza um dos maiores festivais de música da Europa, o Exit.
Segundo dados do turismo Sérvio, 150 mil jovens visitam Novi Sad anualmente e procuram a animação da cidade. Não sendo grande, esta pequena metrópole oferece várias possibilidades. Além dos bares e da animada vida noturna, há uma oferta cultural e religiosa que merece ser conhecida, como a igreja ortodoxa de São Nicolau e a igreja católica de Maria.
Quem não quiser pode apenas passear-se pelas ruas planas da cidade, como a colorida Dunavska. Guardar um dia para visitar Novi Sad será tudo menos tempo perdido.















































