*Por Filipe Batista
A uma hora de avião de Istambul, Bodrum é a zona balnear favorita dos turcos e uma das mais procuradas pelos turistas que visitam a Turquia. Mas esta cidade, que tem no castelo de São Pedro o seu postal mais bonito, é mais do que águas cristalinas que a banham. O Vou Sair teve a oportunidade de testemunhar isso mesmo, numa visita recente a esta cidade. Ao longo de dois dias intensos – são suficientes – mergulhámos no mar, mas o primeiro mergulho de todos foi na maravilhosa história desta região.
A uma hora de caminho de Bodrum, fica Stratonikeia, uma cidade antiga com dois mil e oitocentos anos de história e que foi habitada até meados do século passado, altura que os habitantes a abandonaram e se fixaram em Bodrum. Com uma herança fascinante, esta cidade foi fundada no século VII A.C. com o nome de Khrysaoris ou Idras. Mais tarde, passou a chamar-se Stratonike, nome que foi dado por Antióco I, para homenagear a sua esposa.

O facto caricato do que contamos é que esta mulher não era apenas a sua mulher. Na verdade era também sua madrasta, uma vez que Antíoco se apaixonou por ela, quando ela ainda estava com o rei Seleuco I, o seu pai. Os dois amantes foram descobertos e escaparam de morte certa por perdão real, que aceitou a relação de ambos. Stratonikeia passou pela mão de vários impérios, como os macedónios e romanos, entre outros. O Império Bizantino também tomou conta dela durante algum tempo, antes de se tornar uma referência na Anatólia. A cidade manteve-se habitada de forma contínua tendo chegado até período otomano.
Só após a independência da Turquia, em 29 de outubro de 1922, é que esta cidade foi abandonada. Primeiro, devido a um tremor de terra ocorrido em 1952, obrigando os moradores de Stratonikeia a evacuar. Mais tarde, a descoberta de minas de carvão, forçou a saída dos resistentes. Atualmente, a cidade é património da UNESCO e quem a visita encontra um local que pulsa de história e que tem sofrido várias obras de recuperação do seu património. Não pode mesmo deixar de visitar esta cidade antiga e terminar a visita, à sombra, a beber um revigorante chá turco.
As vinhas do saboroso vinho de Karnas


A visita ocupa uma boa parte da manhã e no regresso a Bodrum a paragem para almoçar faz-se num local de exceção: nas vinhas de Karnas, propriedade da famosa marca de vinhos locais com o mesmo nome. Com vários vinhos premiados e a única a produzir vinho a partir da casta local, a Zindafel, esta quinta tem a sua adega no centro de uma enorme extensão de vinhas.
Durante a visita, além de degustar as várias marcas e castas que esta casa produz, ainda pode provar as iguarias turcas que são servidas no restaurante local – pode fazer um workshop para aprender a cozinhar algumas delas. A visita à adega serve para ver de que forma os vinhos são armazenados e também, confessamos, para refrescar do calor exterior, que se suporta lindamente, mas… fresco é fresco.
Mergulho no Mar Egeu




Depois de uma manhã cultural intensa, a tarde é reservada para momentos de ócio a bordo de um barco, que sai de uma das marinas de Bodrum e visita várias ilhas em redor da cidade. Rapidamente se percebe que este passeio é uma espécie de “desporto nacional” para os turcos, que convivem em várias embarcações ancoradas nas muitas enseadas e se banham nas águas transparentes e tépidas do Mar Egeu. Fazemos o mesmo e é, de facto, um excelente programa.
A escolha do barco é feita em função do orçamento de cada um e pode ser feita em excursão de grupo ou de forma mais privada. Um passeio de seis horas num barco para 8/10 pessoas pode custar cerca de 300 euros, mas numa excursão conjunta o valor baixa para cerca de 30 euros por pessoa. A água, independentemente do valor, é igual para todos.
Brodrum durante a noite


A noite na cidade é feita de passeios a pé ao longo da avenida de sentido único, junto à marina ou no interior dos muitos bares e discotecas, que ficam do lado oposto. Sempre vigiados pelo castelo de São Pedro, que se avista de todos os pontos de Bodrum, os turistas que visitam a região podem provar a gastronomia local, onde o peixe é rei e senhor.
Onde comer? No Memedof. Pode haver melhor, mas este experimentámos e gostámos. As saladas são ótimas e os vários pratos de peixe que foram sendo servidos são ótimos. O jantar culminou com um belo Robalo na grelha. Para os fãs de ostras, um conselho: A Turquia não é o melhor local para consumi-las. O país não tem produção própria e, portanto, todas as que se veem são de importação, pelo que, pelo sim pelo não, nos sugeriram ficarmos pela maravilhosa gastronomia local.
A imponente marina Yalikavak

No segundo e último dia da nossa presença na região, estivemos presentes no festival de Ballet, do qual Bodrum foi anfitriã, as visitas foram essencialmente junto ao mar. A poucos minutos de Bodrum, está situada a localidade de Yalikavaka, onde foi construída uma das mais imponentes marinas do mundo, que tem o mesmo nome da localidade.
Só para se ter ideia, aqui podem ser ancorados 620 super iates. Inaugurada em 2012, foi considerada em 2022 a melhor marina para embarcações deste género. É possível ver, lado a lado, iates com pavilhão da Rússia, Estados Unidos e outros países, cujas rivalidades se têm manifestado de forma extremadas nos tempos recentes. Roman Abramovich, o oligarca russo detentor do iate mais caro do Mundo, o Eclipse, estaciona o seu barco de 700 milhões de euros nesta marina. Para gozarem da neutralidade turca e usarem esta marina, os proprietários desembolsam, por ano, cerca de 320 mil euros para usarem este “parque de estacionamento” marinho.
O luxo que flutua na água estende-se ao shopping a céu aberto, colado à marina, onde pontificam lojas das melhores e mais caras marcas de roupas e acessórios. Claro está que ‘griffes’ como Louis Vuitton, Bulgari e Gucci estão presentes, com lojas cujas dimensões as imagens que mostramos documentam. Uma das coisas agradáveis da marina é que os preços para saborear uma refeição são acessíveis e é possível sonhar com faca e garfo na mão.
Últimas impressões sobre esta região


De volta a Bodrum, o resto do dia é aproveitado na baixa da cidade, pelas ruas estreitas, visitando o comércio local e observando os hábitos locais. Não tivemos oportunidade, mas recomendamos uma ida ao Castelo de São Pedro ou ao Museu de Arqueologia Submarina. Após dois dias de visita intensa à região, a avaliação que fazemos do destino é a melhor possível. O melhor programa é fazê-lo como extensão de uma visita a Istambul, por exemplo. Deve chegar de preferência ao final do dia, dormir, começar as suas visitas e sair ao final do segundo dia ou no dia seguinte – como nós – aproveitando assim dois dias completos, o suficiente para conhecer os pontos altos deste lugar.
Onde ficar: A oferta em Bodrum é imensa e para todos os gostos. Aqui abundam os resorts de luxo e muitas outras possibilidades. O hotel Hillstone é um bom compromisso entre o preço mais elevado e mais em conta e tem vista desafogada sobre a marina e o castelo, a partir da sua piscina panorâmica. Os quartos standard são espaçosos e o pequeno-almoço é fantástico.

*Viajou a convite do Ministério da Cultura e Turismo da Turquia
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