Ter uma ilha privada pode parecer um luxo reservado a milionários, mas há uma propriedade com 37 hectares na ria de Aveiro que está à procura de um novo dono. Chama-se Ilha dos Puxadoiros e voltou a ser colocada à venda através de um leilão eletrónico, desta vez com um valor base de 690 mil euros, menos 60 mil euros do que no primeiro leilão.
A propriedade já tinha sido colocada no mercado em setembro, com um preço base de 750 mil euros. Na altura, recebeu apenas uma licitação de 615 mil euros, que acabou por não ser aceite pelos proprietários.
“Ninguém ofereceu o valor pedido e nós resolvemos rever o preço e voltar a colocar [o imóvel] no mercado”, explicou à Lusa Vergílio Rocha, um dos proprietários.
Situada no coração da ria de Aveiro, a Ilha dos Puxadoiros integra oito marinhas e foi adquirida há vários anos por um grupo de investidores que procurou desenvolver atividades económicas ligadas aos recursos naturais da região.
O projeto começou por manter a produção de sal, uma atividade tradicional da ria de Aveiro. Mais tarde, os investidores apostaram na salicórnia, uma planta que cresce em ambientes salinos e é utilizada na gastronomia, antes de se concentrarem na produção de ostras.
“Primeiro, mantivemos a produção de sal, que na altura ainda existia. Depois, descobrimos que a ilha era riquíssima em salicórnia. Chegámos a produzir e vender toneladas de salicórnia”, recordou Vergílio Rocha.
O investimento total ultrapassou um milhão de euros e contou com mais de meio milhão de euros de fundos comunitários. No entanto, os proprietários acabaram por decidir vender a ilha devido às dificuldades de gestão à distância.
Dos investidores originais, restam quatro sócios, todos residentes em Lisboa. Segundo Vergílio Rocha, a exploração da propriedade exige uma presença regular no local, algo que o grupo não conseguiu assegurar.
Casas, um barco e potencial para turismo de natureza
Além dos 37 hectares de terreno, a propriedade inclui várias construções de apoio às atividades desenvolvidas na ilha. Entre elas estão a Casa da Ilha, dois palheiros e a Casa da Pinta, esta última utilizada como apoio à atividade piscícola.
O negócio inclui ainda um conjunto de equipamentos e infraestruturas, como um barco com motor, um cais de embarque, um passadiço em madeira, uma grua e um trator com reboque, além de materiais utilizados na produção de ostras.
Segundo a leiloeira responsável pela venda, a ilha apresenta potencial para diferentes projetos ligados à natureza e aos recursos da ria de Aveiro, desde a aquacultura e produção de bivalves até ao turismo de natureza, experiências gastronómicas e eventos privados.
A propriedade dispõe também de áreas destinadas à piscicultura e à exploração aquícola, incluindo títulos de atividade associados a dois estabelecimentos.
Apesar das dificuldades que levaram à decisão de venda, Vergílio Rocha continua a considerar a Ilha dos Puxadoiros “um sítio fabuloso sobre todos os pontos de vista” e “um ativo muito valioso”.
O leilão eletrónico decorre até 18 de novembro, estando aberto ao público. Embora o valor base anunciado seja de 690 mil euros, são aceites licitações a partir de 450 mil euros.

































