
Há momentos que parecem feitos para serem fotografados – e um tigre a surgir no meio da vegetação está no topo dessa lista. Durante anos, foi exatamente isso que milhares de turistas fizeram: telemóvel na mão, sorriso preparado, e um dos predadores mais impressionantes do planeta como cenário perfeito. Só que essa imagem icónica pode estar prestes a desaparecer.
O Supremo Tribunal da Índia decidiu, no final do ano passado, proibir o uso de telemóveis nas principais zonas turísticas de várias reservas de tigres. O objetivo passa por proteger tanto os animais como os próprios visitantes.
A decisão surge como resposta a um comportamento cada vez mais comum. Os turistas já não querem apenas ver; querem registar, partilhar e, muitas vezes, colocar-se no centro da experiência. Nos safaris, isso traduziu-se em comportamentos cada vez mais intrusivos, com visitantes a tentarem aproximar-se demasiado dos animais ou a distrair-se no momento errado, o que, num ambiente selvagem, pode ser perigoso.
As novas regras são claras: os telemóveis passam a ter de ser guardados numa caixa à entrada das reservas ou mantidos desligados e dentro da mala. Dentro das áreas turísticas dos principais habitats, o uso destes dispositivos deixa simplesmente de ser permitido.
Além disto, os safaris noturnos foram proibidos e a circulação nas estradas das reservas passa a estar limitada ao período entre o nascer e o pôr-do-sol. Também o desenvolvimento das áreas periféricas será mais controlado, numa tentativa de evitar o crescimento desregulado do turismo.
A mudança não acontece por acaso. A Índia concentra cerca de 75% da população mundial de tigres-de-bengala selvagens – mais de 3.600 animais – e tem sido um exemplo nos esforços de conservação, conseguindo duplicar estes números entre 2010 e 2022.
A maioria vive numa das 58 reservas oficiais do país, incluindo o Parque Nacional de Ranthambore, no Rajastão, e o Parque Nacional de Jim Corbett, em Uttarakhand.






























