El Capricho, de Gaudí. Créditos: Gaudí Foundation

Quando se fala de Antoni Gaudí, o pensamento viaja quase automaticamente para Barcelona. A Sagrada Família, o Parque Güell ou a Casa Batlló transformaram a capital catalã num verdadeiro santuário para admiradores do arquiteto que revolucionou a arquitetura moderna.

Em 2026, ano em que se assinalam os 100 anos da morte de Gaudí, milhares de visitantes voltam a dirigir-se a Barcelona para celebrar o legado do génio catalão. Existem, no entanto, alternativas menos óbvias e mais tranquila para descobrir algumas das suas obras mais surpreendentes.

Longe das multidões e das longas filas, três cidades do norte de Espanha guardam edifícios que ajudam a compreender a evolução criativa de Gaudí e que podem ser visitados numa única road trip. Entre palácios dignos de contos de fadas, casas inspiradas em girassóis e edifícios neogóticos, esta rota revela um lado menos conhecido de um dos arquitetos mais influentes da história.

A cerca de uma hora de Santander, na região da Cantábria, encontra-se uma das primeiras obras residenciais de Gaudí. El Capricho é frequentemente descrita como uma das construções mais criativas e exuberantes do arquiteto. Concluída em 1883, antecede até a famosa Casa Vicens, em Barcelona, que durante anos foi considerada a sua primeira grande residência.

O edifício destaca-se pelas cores vibrantes, pelos azulejos decorados com girassóis e pelas influências orientais e mouriscas que caracterizaram a fase inicial da carreira de Gaudí.

O mais curioso é que toda a casa foi concebida em função da luz solar. Tal como um girassol acompanha o percurso do sol ao longo do dia, os espaços foram distribuídos para aproveitar ao máximo a luz natural desde o nascer até ao pôr do sol.

No centro da propriedade existe ainda uma estufa envidraçada que funciona como um sistema natural de captação e distribuição de calor.

A visita é também uma excelente desculpa para explorar Comillas, uma elegante vila costeira conhecida pelas suas mansões históricas construídas por espanhóis que regressaram ricos das Américas durante o século XIX.

Entre elas destaca-se o Palácio de Sobrellano, projetado por Joan Martorell, mentor de Gaudí, cuja capela inclui mobiliário desenhado pelo próprio arquiteto catalão.

Astorga: o palácio que parece saído de um conto de fadas

A segunda paragem desta rota leva-nos até Astorga, na província de Leão. À primeira vista, o Palacio de Gaudí parece uma mistura improvável entre um castelo medieval, uma catedral gótica e um cenário de filme de fantasia.

Construído entre 1889 e 1893 para substituir a antiga residência episcopal destruída por um incêndio, o edifício tornou-se uma das obras mais singulares de Gaudí fora da Catalunha.

No interior, os visitantes encontram salões monumentais, arcos impressionantes, vitrais coloridos e uma capela decorada com frescos e detalhes artísticos de grande riqueza. As torres oferecem ainda algumas das melhores vistas sobre a cidade.

Curiosamente, apesar de ser hoje considerado um dos seus edifícios mais marcantes, Gaudí acabou por abandonar o projeto devido a desentendimentos com as autoridades locais e chegou a afirmar que nunca mais voltaria a Astorga, nem sequer de balão.

A cidade merece igualmente uma visita para além da arquitetura. Astorga tem uma longa tradição ligada ao chocolate e continua a ser um dos destinos mais doces de Espanha. O Museu do Chocolate ajuda a compreender esta herança, enquanto várias pastelarias e chocolaterias históricas mantêm viva a tradição.

Créditos: Turismo Castilla y León

León: uma das obras mais elegantes de Gaudí

A cerca de 50 quilómetros de Astorga encontra-se León, uma das cidades históricas mais fascinantes do norte de Espanha. Foi aqui que Gaudí desenhou um dos seus raros projetos comerciais: a icónica Casa Botines.

Construída originalmente para albergar uma empresa têxtil e habitações privadas, a Casa Botines apresenta uma estética mais sóbria do que muitas das obras do arquiteto. Ainda assim, conserva vários elementos que se tornariam marcas registadas do seu trabalho.

As torres angulares, os arcos característicos, os elementos religiosos esculpidos na pedra e o aproveitamento inteligente da luz natural revelam já o génio que mais tarde criaria algumas das obras mais famosas do mundo.

Hoje, o edifício funciona como museu e permite explorar tanto a arquitetura como a história da própria cidade.

León merece facilmente mais do que uma visita de passagem. A cidade possui um impressionante património medieval, uma magnífica catedral gótica e uma oferta gastronómica cada vez mais valorizada por quem procura descobrir o melhor do norte de Espanha.

Barcelona continuará a ser a grande capital de Gaudí. Contudo, estas três cidades oferecem algo cada vez mais raro: a possibilidade de admirar a obra do arquiteto com calma, sem multidões e sem a pressão das atrações mais concorridas.

Créditos: Turismo Castilla y León
Artigo anteriorJá é possível voar diretamente entre a Terceira e o Funchal (e há duas frequências por semana)
Próximo artigoThai Festival regressa a Belém com gastronomia tailandesa e a oportunidade de ganhar uma viagem

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor coloque aqui o seu comentário
Por favor coloque o seu nome aqui