Junto aos jardins do Palácio de Cristal, o Altis Porto Hotel esconde um dos espaços mais interessantes da nova restauração portuense. Chama-se Exuberante e, sim, o nome assenta-lhe na perfeição.
À chegada, o ambiente é elegante, mas descontraído, com sofás confortáveis e uma atmosfera acolhedora. É domingo, e o restaurante recebe essencialmente famílias. A chef Rafaela Ferreira vai de mesa em mesa, cumprimenta quem está e quem chega, pergunta como está a refeição. É difícil não sentir o entusiasmo contagiante de quem vive o projeto de corpo e alma.
Com apenas 28 anos, Rafaela Ferreira lidera o Exuberante depois de nove anos no grupo Altis, onde começou como estagiária. “Eu trabalhava com o chefe André Cruz, que foi meu chefe no Feitoria, no Altis Belém, e continua a ser o nosso chefe executivo. Eu era subchefe dele lá, e depois propuseram-me este pequeno grande desafio: um hotel de 95 quartos e o Exuberante”, conta-nos, com um sorriso.

A carta nasceu, diz, “da vontade de trazer conforto à mesa — um bocadinho para toda a gente. Gostamos de ver mesas com os avós e os netos, e conseguir agradar a todos. Olhamos para o restaurante como isso: um restaurante de conforto. Trabalhamos com produtos muito bons, cada vez mais de produtores do norte.”
Os vegetais são os verdadeiros produtos-estrela, como explica: “Gosto muito de trabalhar com eles — a cebola, a batata — e temos também algumas proteínas. A ideia é que qualquer pessoa que venha se sente à mesa e haja comida para todos, sem estar a pensar se é vegetariano ou não. É isso que queremos trazer aqui.”
O menu divide-se em quatro partes — “Para partilhar”, “Do prado e do mar”, “Principais de base vegetal” e “Sobremesas”. Começámos com o pão de trigo barbela de fermentação lenta e produção caseira (4,5€) — delicado e de sabor profundo — e seguimos com a empada de beringela com ras el hanout e molho de iogurte (5€).
Nos principais, o lombo de novilho (30€) chega no ponto certo, acompanhado de puré e legumes, e o arroz de grelos (14€) é daqueles que ficam na memória — cremoso, saboroso, reconfortante. Mas é o Bacalhau Exuberante (25€) que partilha o nome com o restaurante e faz-lhe jus. Trata-se de uma reinterpretação do bacalhau à portuguesa: leva um estufado de cogumelos com samos e cebola, por cima uma gema curada, o lombo grelhado no jósper e uma espuma de batata com batata palha. É um prato de conforto, “mas com o nosso toque” — e de comer e chorar por mais.


É já na sobremesa que a chef se dirige à nossa mesa — e que privilégio ouvi-la falar sobre elas. “A chef de pastelaria é a Jennifer Carvalho, responsável por todo o hotel — restaurante e pequeno-almoço. Eu gosto mesmo muito das sobremesas e acabo sempre por recomendar as minhas preferidas”, admite.
E não é difícil perceber porquê: a tarte de laranja merengada (8€), feita com laranja do Douro, nasceu de um sorbet que a Jennifer criou. “Provei e disse-lhe: não sei o que vais fazer com isto, mas quero isto na carta! A partir daí nasceu a tarte. Usamos a laranja toda — é uma sobremesa que representa o que queremos fazer a longo prazo: aproveitar o produto na totalidade, com o mínimo desperdício.”
A tarte de amêndoa com aguardente velha (8€) é outra das paixões da chef: “Usamos amêndoa de Escalhão — das minhas favoritas. É super floral, leve, e aqui leva creme de ovo queimado, amêndoas caramelizadas e um toque de aguardente. É uma brincadeira — como quem acaba a refeição com café e um pequeno chiripiti.”



Para os mais gulosos, o coulant de chocolate com gelado de avelã (8€) fecha a refeição com doçura e conforto.
No Exuberante, cada prato conta uma história e cada detalhe é pensado com carinho. Rafaela resume-o assim: “Queremos que toda a gente saia daqui feliz. Que sinta que comeu bem, que se sentou num lugar confortável e viveu uma boa experiência à mesa. É isso que nos guia.”
O nome pode parecer ambicioso — mas depois de uma refeição aqui, é impossível não concordar: o Exuberante faz jus ao nome.
































