Há países que se visitam pelas praias, pela comida ou pelos monumentos. E depois há a Suécia, que decidiu promover-se como um verdadeiro antídoto para o burnout moderno.

A mais recente campanha da Visit Sweden apresenta o país como o primeiro destino que poderia ser “prescrito” por médicos, graças ao seu estilo de vida focado no equilíbrio, no contacto com a natureza e em pequenos rituais de bem-estar que fazem parte do quotidiano sueco.

A campanha, assumidamente bem-humorada, foi desenvolvida em parceria com investigadores e profissionais de saúde, incluindo Yvonne Forsell, professora sénior do Karolinska Institutet. A ideia é simples: mostrar como hábitos aparentemente banais, como fazer pausas, passar tempo ao ar livre ou desacelerar, podem ter um impacto real no bem-estar físico e mental.

Segundo a pediatra norte-americana Stacy Beller Stryer, ligada ao projeto Park Rx America, a Suécia reúne precisamente muitas das características associadas a uma vida mais saudável. “O acesso à natureza e as práticas culturais do país estão alinhados com aquilo que sabemos funcionar para a saúde mental e física”, explica.

A verdade é que os números parecem dar razão à teoria. No índice de qualidade de vida de 2025 da Global Citizen Solutions, a Suécia alcançou uma pontuação de 91,5, superando países como a Finlândia e a Alemanha nos indicadores ligados à felicidade e ao bem-estar. Mas afinal, o que torna a vida sueca tão especial?

Uma das palavras-chave é “fika”. Muito mais do que uma simples pausa para café, a expressão representa quase um ritual social. Fazer uma fika significa parar, desligar do trabalho, conversar e aproveitar um momento sem pressa, geralmente acompanhado de café e algo doce.

Em Estocolmo, um dos locais mais populares para viver esta tradição é o Vete-Katten, café histórico fundado em 1928. Entre bolos, tartes, brownies e os famosos blåbärsbulle, os tradicionais pães doces de mirtilo, o importante não é apenas aquilo que se come, mas o tempo que se dedica à pausa e às conversas.

Outro conceito central da cultura sueca é o “lagom”, palavra difícil de traduzir diretamente, mas que significa algo como “na medida certa”. Nem demasiado, nem insuficiente.

Na prática, isso reflete-se em quase tudo: trabalhar sem entrar em exaustão, aproveitar o tempo livre sem culpa e até evitar excessos nas pequenas coisas do dia a dia. Para os suecos, equilíbrio não é luxo, é rotina.

Essa lógica estende-se também à forma como vivem a natureza. Caminhadas, trilhos e atividades ao ar livre fazem parte da vida quotidiana, sem necessidade de transformar tudo num desafio extremo.

No sul da Suécia, por exemplo, o trilho Skåneleden atravessa mais de 1.600 quilómetros entre florestas, pequenas aldeias e caminhos costeiros, divididos em diferentes percursos adaptados a vários ritmos e níveis de experiência.

Mas talvez nenhuma prática represente tão bem esta filosofia sueca de bem-estar como a combinação entre sauna e mergulhos gelados. Para os suecos, alternar entre o calor intenso da sauna e a água fria não é apenas uma tradição, mas quase uma terapia. A prática está associada à melhoria da circulação, redução do stress, relaxamento muscular, fortalecimento do sistema imunitário e melhoria do sono.

Há experiências particularmente invulgares. Na região de Dalarna, a Adventure Mine leva este ritual a outro nível, literalmente debaixo da terra. A cerca de 80 metros de profundidade, os visitantes podem alternar entre sauna e mergulhos em águas cristalinas dentro de uma antiga mina, numa experiência inspirada em lendas locais sobre a “Lady of the Mine”, figura mítica que alegadamente guiava os mineiros até tesouros escondidos. A experiência dura cerca de três horas e meia, inclui bebidas não alcoólicas e uma tábua de enchidos locais, com preços a partir de 227€ por pessoa.

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