Tenerife

E se a vontade constante de viajar não fosse apenas uma escolha, mas algo inscrito no ADN? Segundo várias investigações na área da genética do comportamento, existe uma variante conhecida como DRD4-7R, muitas vezes apelidada de “gene explorador”, que poderá explicar porque é que algumas pessoas sentem uma necessidade quase instintiva de descobrir o mundo.

De acordo com informações avançadas pelo El Mundo Viajes, este gene está presente em cerca de 20% da população, embora se estime que apenas metade o tenha ativo. Associado à regulação da dopamina, o neurotransmissor ligado ao prazer e à recompensa, o DRD4-7R está relacionado com uma maior predisposição para procurar experiências novas, sair da zona de conforto e explorar o desconhecido.

A explicação pode ajudar a entender porque é que há quem nunca consiga ficar muito tempo no mesmo lugar. Estas pessoas tendem a procurar viagens mais imersivas, com interesse genuíno pela cultura local, pelas pessoas e pelo quotidiano dos destinos que visitam. Mais do que ver, querem viver.

A ideia de que este “gene explorador” acompanha a história da humanidade não é nova. Acredita-se que terá sido mais comum entre populações que, ao longo dos séculos, migraram grandes distâncias à procura de novas oportunidades, ajudando a moldar o espírito de descoberta que ainda hoje define muitos viajantes.

Agora, esta ligação entre ciência e turismo ganha uma nova dimensão. Um projeto lançado em Tenerife propõe transformar esta predisposição genética numa experiência real. A iniciativa convida pessoas com o chamado gene explorador a participar na criação de uma rota sustentável pela ilha, pensada para revelar uma visão mais autêntica e consciente do destino.

O objetivo passa por mostrar que Tenerife vai muito além das praias e do turismo de massas, destacando experiências ligadas à natureza, à gastronomia, ao desporto e à cultura local. Uma abordagem que acompanha a tendência crescente de viagens com propósito, mais ligadas ao território e menos centradas em itinerários convencionais.

Como participar?

Para participar, os interessados podem realizar um teste genético simples, através de uma amostra de saliva, disponibilizado gratuitamente no âmbito do projeto. Para tal, foi lançado o laboratório itinerante Gen Explorer Lab em colaboração com a LabGenetics, primeiro em Madrid e, nos dias seguintes, chegará a Málaga (22 de abril), Bilbau (28) e Lisboa (30).

Os participantes selecionados que apresentem a variante 7R terão depois a oportunidade de viajar até Tenerife e contribuir para o desenho desta rota, ajudando a identificar experiências que reflitam uma forma mais profunda de viajar.

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