É um país pouco conhecido pelos portugueses, em termos turísticos. Tem, no entanto, uma ligação com uma figura proeminente da nossa história, pois foi numa das suas 7600 e muitas ilhas, nomeadamente Mactan (colada à ilha de Cebu), que morreu o nosso compatriota Fernão de Magalhães, às mãos do governador local Lapu-lapu, quando efectuava a primeira viagem de circum-navegação do globo ao serviço da coroa espanhola As Filipinas foram, curiosamente, a única colónia que Espanha possuiu no hemisfério oriental e deve o seu nome ao rei Filipe II de Espanha, I de Portugal. E contrariamente ao que aconteceu nas ex-colónias espanholas na América, que mantiveram o espanhol como língua oficial, os únicos poucos resquícios que aqui encontramos da língua castelhana são os nomes e apelidos das pessoas. As línguas mais utilizadas são o tagalog (filipino) e o inglês, mercê da presença americana no país desde o final do Séc. XIX.
Conhecer a totalidade das Filipinas levaria uma eternidade, quase humanamente impossível. As paisagens variam entre a montanha na ilha mais importante, Luzon, onde aliás se encontra a capital Manila, o espaço rural com extensas plantações de arroz, em muitos casos em socalcos devido à paisagem montanhosa. As Filipinas estão no anel de fogo composto pelos vulcões do indo-pacifíco, tendo vários destes que inspiram respeito como o Pinatubo, Mayon e Taal com erupções recentes e de alguma violência.

A entrada no país faz-se pela capital Manila, principal ponto de entrada dos voos internacionais que, na sua área metropolitana, tem uma população de cerca de 19 milhões de habitantes. É uma cidade com um trânsito intensíssimo. Os principais hotéis das grandes cadeias internacionais encontram-se na zona mais moderna, na chamada Makati City. Há uma auto-estrada directa sem engarrafamentos de trânsito entre o aeroporto e esta parte da cidade. Dispõe daquele que é considerado o bairro chinês mais antigo do mundo (Binondo) sendo por isso considerado também um dos atractivos turísticos da cidade. No centro histórico, aconselha-se a visita ao Forte Santiago na parte colonial da cidade, onde se encontra o Museu e monumentos dedicados a José Rizal, herói e mártir nacional ligado à independência filipina. Igualmente e a não perder é o Memorial e Cemitério Americano de Manila, onde estão sepultados os mortos da IIª Guerra Mundial que combateram os japoneses na guerra do Pacífico. Como curiosidade deste período histórico, aquando da saída dos americanos das Filipinas depois da guerra, com a quantidade imensa de jipes militares que aí deixaram, os filipinos pintaram-nos, engalanaram-nos e transformaram-nos naquilo a que hoje chamam “jipneys” e que fazem com muito sucesso as vezes de transporte público para a numerosa população da cidade, dada a inexistência de um sistema de transportes públicos não muito eficaz em termos de cobertura para toda a sua população.

Manila 
Makati City
Rumamos a outra ilha, Bohol, mais a sul, situada no grupo de ilhas chamadas de Visayas. Vamos absorvendo aos poucos pequenas partes do paraíso. Aterramos no aeroporto de Tagbilaran, cidade maior desta ilha e sua porta de entrada. Praias paradisíacas, verde luxuriante são as palavras que melhor descrevem esta ilha. Para além das praias tropicais de areia branca e água de cor turquesa são dois os principais atractivos que fazem rumar turistas a esta ilha: um é a existência de um centro de conservação de “Tarsiers”, que é considerado o primata mais pequeno do mundo, Esta espécie que localmente se designa como “mamag” está em vias de extinção e não existiria hoje não fossem todos os esforços desenvolvidos por este centro. Aqui temos a oportunidade de os observar no seu habitat natural e contribuir com a nossa visita para os esforços deste centro para a sua conservação.

A outra grande atracção desta ilha são as Colinas de Chocolate. São mais de 1000 e estão espalhadas por uma área aproximada de 50km2. O seu nome deriva da cor castanha cor de chocolate que adquirem na estação seca que dura normalmente entre Novembro e Maio. É uma paisagem única no mundo e merece certamente uma visita. Desta ilha podemos partir também num barco típico local para o sul da ilha de Cebu, numa viagem aproximada de 2 horas e meia, para aquele que é para muitos é considerado um dos pontos altos de uma viagem às Filipinas. Nadar com tubarões baleia junto à localidade de Oslob. O tamanho e a beleza destes animais e a proximidade que nos é permitida, fazem desta uma experiência única na vida. No regresso a Bohol, faz-se sempre uma paragem para almoço e mergulho nos corais e é costume o barco ser visitado por vendedores de peças de artesanato feitas à base de pérolas em bruto, abundantíssimas por estes lados.

Do porto de Tagbilaran em Bohol, seguimos numa das linhas regulares de ferry que fazem as ligações inter-ilhas até Cebu, cidade já mencionada e ligada historicamente a Fernão de Magalhães. Não é uma cidade de grandes recursos turísticos, muito embora possua um monumento em honra do nosso compatriota. Seguimos para o aeroporto e embarcamos na companhia pertencente à cadeia de hotéis El Nido Resorts, a AirSwift. Seguimos finalmente em direcção ao Paraíso. El Nido está a norte da ilha de Palawan, a ilha mais a oeste do arquipélago filipino. Somos levados em speedboat ao nosso hotel, única construção existente nessa ilha, denominada Pangulasian. É um sítio de desova de tartarugas e onde esporadicamente nos podemos cruzar com alguns lagartos varanos. Somos muito bem recebidos, à chegada, no cais existente na praia do hotel. Aliás, é uma característica muito especial do povo filipino: uma grande percentagem da população vive abaixo do limiar da pobreza, mas encontramos neles uma amabilidade e uma simpatia difíceis de explicar perante essas circunstâncias. El Nido é uma região formada por muitas ilhas, praias minúsculas, muitas delas escondidas, recifes de coral encontram-se por todo o lado. São ilhas calcárias, esculpidas pela erosão, cobertas de vegetação, Aliás, o mais importante em El Nido, para quem lá vai, é fazer o “Island Hopping” (percorrer as ilhas) em speed boat, embora o possamos fazer nos barcos tradicionais filipinos, também. O horizonte que se nos depara diante dos olhos é algo único que se vê no mundo. Sobretudo na lagoa Cadlao. É como se encontrássemos um deserto de tranquilidade no meio do mar, um refúgio da agitação e do stress das grandes cidades. As cores da água do mar neste local são únicas, de um azul turquesa transparente que nos inebria os olhos, e a variedade da fauna marítima é impressionante. Os recifes de coral dão-lhe um matiz único. O sol que se põe ao fim da tarde por trás de todas estas ilhas, vem dar uma outra nota de grandeza às cores deste paraíso.

Próxima ilha: Boracay. A ilha não dispõe de aeroporto. A chegada por via aérea faz-se pelo aeroporto da ilha vizinha de Caticlan, e depois um transfer em barco para a ilha de Boracay. A ilha dispensa apresentações. A sua White Beach é considerada por muitos a melhor praia do mundo. Mas não nos enganemos. Apesar das muitas cadeias internacionais de hotéis de muita categoria, de um passeio marítimo magnífico, de uma praia de areia muito branca e água límpida e azul turquesa, também aqui encontramos os mesmos sinais de pobreza extrema que encontramos nos outros locais das Filipinas. Menos mal que o turismo vem mitigar de alguma forma essas dificuldades, criar emprego para estas populações. Voltando ao principal, para quem gosta de praias de sonho, Boracay é o sítio. Complementado com um por do sol fenomenal.

Pôr-do-sol em Boracay 
Praia em Boracay
Recomenda-se para este itinerário 2 noites em Manila à chegada, 2 noites em Bohol. 4 noites em El Nido, 5 noites em Boracay e 1 noite final em Manila, caso necessário para ligação ao voo intercontinental de regresso.
Aproveito o final para uma homenagem póstuma ao Emílio Rocha, amigo recentemente desaparecido com quem tive o imenso prazer de fazer esta viagem e de nela ter desfrutado de momentos únicos. Até sempre meu amigo!
Sobre o autor: Nuno Tomaz é profissional da indústria do turismo há 28 anos que adora trilhar o mundo. Absorver experiências, culturas, experimentar os sabores do mundo.
































