Há perguntas que parecem simples, mas que dizem muito sobre a forma como vivemos em sociedade. De que é que podemos rir? Existem limites para o humor? E porque é que certas piadas funcionam num país e noutro causam desconforto? É a partir destas inquietações que nasce “No Melhor Chá Cai a Mosca”, um ciclo de conferências que chega a Lisboa para explorar o lado mais sério do riso.
A iniciativa acontece na Culturgest, nos dias 17 e 25 de março e 1 de abril, sempre às 19h00, no Pequeno Auditório. A entrada é gratuita e o convite é claro: pensar o humor de forma crítica, curiosa e multidisciplinar.
Promovido pela companhia Formiga Atómica, o ciclo surge como ponto de partida para o espetáculo Uma Mosca no Nosso Chá, que estreia em outubro de 2026 na Culturgest. Antes de subir ao palco, o tema ganha espaço para ser discutido em conversas que atravessam áreas como sociologia, antropologia, história ou guionismo.
A metáfora é simples e provocadora. Se o chá representar a civilização e a mosca uma presença incómoda, então o humor é muitas vezes essa mosca que desafia convenções e perturba aquilo que parece estável. É precisamente sobre esses momentos em que o riso incomoda que se constrói o ciclo.
As sessões são moderadas pelo ilustrador, guionista e escritor Pedro Vieira, conhecido pelo seu olhar satírico sobre a sociedade, e contam com convidados de diferentes áreas que prometem lançar novas perspetivas sobre o tema.
A primeira conversa acontece a 17 de março e pergunta se o humor é realmente universal. Sob o título “Chá, Tisana e Kombucha: Humor e Diferenças Culturais“, reúne Marco Neves e Maria João Cruz para discutir se as piadas atravessam fronteiras ou se cada cultura tem a sua própria forma de rir.
A 25 de março, o foco passa para os limites do humor em “Falta de Chá: Humor, Tabus e Censura“. Nesta sessão participam Mélanie Toulhoat, Rita Luís e Rui Lopes, numa conversa que questiona se o humor pode ser suficientemente poderoso para incomodar instituições, desafiar tabus e até provocar tentativas de censura.
O ciclo termina a 1 de abril, data que não poderia ser mais simbólica, com “Do Chá ao Iced Tea: Humor, passado e presente“. A sessão junta Cristina Sampaio e Verena Alberti para olhar para a história do humor e perceber o que ela revela sobre a evolução das sociedades.
No fundo, No Melhor Chá Cai a Mosca parte de uma ideia simples. O humor pode parecer leve, mas muitas vezes revela as tensões, os valores e as fragilidades de uma época. E talvez seja precisamente por isso que continua a ser uma das formas mais poderosas de olhar para quem somos.
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