Quem pensa em Albufeira imagina imediatamente extensos areais, falésias douradas e dias passados entre mergulhos e esplanadas. Mas há muito mais para descobrir naquele que continua a ser um dos destinos de férias mais populares do país.
O Vou Sair viajou até à antiga vila de pescadores, a convite da APAL – Agência de Promoção de Albufeira, para conhecer um lado menos conhecido do concelho.
Entre vinhos produzidos numa quinta familiar, passeios pelo centro histórico, safáris pelo interior algarvio e cruzeiros ao pôr do sol, encontrámos quatro experiências que mostram que Albufeira também merece uma visita sem pôr os pés na areia.
1. Fazer uma prova de vinhos (e um brunch) numa quinta familiar
A primeira paragem levou-nos até à Quinta do Canhoto, situada na linha que separa o Barlavento do Sotavento algarvio. O mar está a apenas dois quilómetros de distância e consegue ver-se praticamente de toda a propriedade, um detalhe que influencia diretamente o clima e o perfil dos vinhos produzidos ali.
A propriedade pertence à mesma família desde 1958 e é atualmente gerida pela quarta geração, representada por Edgar, que nos acompanhou durante a visita, e pela irmã, Josefina.
A quinta ocupa 22 hectares, dos quais 12 são dedicados à vinha. Existem videiras com mais de 120 anos e árvores igualmente impressionantes, incluindo uma alfarrobeira com cerca de 500 a 550 anos. Além da produção de vinho, cultivam oliveiras, figueiras, amendoeiras, amoreiras e alfarrobeiras, utilizadas também na produção de compotas servidas aos visitantes.
Edgar explicou-nos que algumas parcelas de vinha estão expostas aos ventos atlânticos e assentam em solos argilosos, enquanto outras recebem uma maior influência mediterrânica, com solos arenosos e calcários. O resultado são vinhos frescos, muito frutados e com uma identidade própria.
A marca chama-se Esquerdino e o nome tem uma história curiosa. O antigo proprietário era canhoto, numa época em que essa característica tinha uma conotação negativa. Hoje, quase todos os elementos da família são canhotos e cada rótulo apresenta precisamente a mão esquerda de um elemento da família.
Atualmente produzem cerca de 50 mil garrafas por ano – número que deverá ser ultrapassado este ano – entre vinhos brancos, tintos, rosés e orange wines. As garrafas custam entre 10€ e 20€ e são vendidas sobretudo na loja da quinta.
E o espaço continua a crescer: além das visitas, provas, casamentos e eventos privados, a Quinta do Canhoto está também a estudar a construção de um boutique hotel com oito quartos.


Durante a visita experimentámos o brunch vínico, uma experiência que começa com um percurso guiado pelas vinhas e pela adega. No final, segue-se uma prova de quatro vinhos acompanhada por várias especialidades regionais. À mesa chegaram arjamolho, uma sopa fria algarvia semelhante ao gaspacho, pão alentejano recheado com queijo e camarão, salada de grão com atum, ovos mexidos com farinheira, tostas de sardinha e pimentos, e uma tábua de queijos e enchidos.
Quem preferir uma experiência mais simples pode optar pela prova de vinhos clássica, acompanhada por uma tábua de queijos e charcutaria, que também inclui a visita guiada às vinhas e à adega.
A prova de vinhos custa 30€ por adulto, sendo gratuita para juniores e crianças. Já o brunch vínico tem um preço de 50€ por adulto e de 25€ por júnior, mantendo a gratuitidade para crianças. Em ambas as experiências são permitidos animais de estimação.
Durante a época baixa existem ainda experiências que não decorrem nos meses de julho, agosto e setembro, como workshops de aguarela com prova de vinhos (65€) ou piqueniques (50€ por adulto e 25€ por júnior), que incluem uma garrafa de vinho por cada duas pessoas.
2. Descobrir a história escondida nas ruas de Albufeira

Muito antes de ser conhecida pelas praias e pela animação noturna, Albufeira foi uma pequena vila piscatória com uma longa história para contar. Foi isso que descobrimos durante uma visita guiada ao centro histórico.
O percurso começa junto ao monumento dedicado ao Beato Vicente, no Largo Jacinto d’Ayet, onde também se encontra a Igreja de Sant’Ana, construída no século XVIII.
Ao longo de cerca de duas horas, percorre-se a Igreja Matriz, a Capela da Misericórdia, a Rua Joaquim Pedro Samora – onde permanecem vestígios da antiga muralha do castelo –, a Praça da República, a Torre do Relógio, o Museu Arqueológico, as ruas da zona velha, o Cais Herculano, a Praça dos Pescadores e o miradouro do Pau da Bandeira.
Promovidas pela Câmara Municipal de Albufeira, as visitas são gratuitas e realizam-se todas as quintas-feiras, entre as 10h00 e as 12h00, sendo apenas necessário efetuar inscrição prévia através do e-mail turismo@cm-albufeira.pt.
3. Ver o pôr do sol a bordo de um iate de luxo
Depois de explorarmos o interior de Albufeira, trocámos a terra firme pelo mar. Seguimos até à Marina de Albufeira para embarcar no Infinity I, um iate da Easydream Charters, subsidiária da Easydivers.
Embora seja conhecida sobretudo pelas atividades de mergulho, snorkeling e cursos especializados, além de contar com uma loja de equipamento especializado, a empresa tem vindo também a apostar em experiências no mar para quem prefere descobrir a costa algarvia a bordo de um barco.
A oferta adapta-se a diferentes ocasiões, com preços que variam consoante a duração e o tipo de experiência escolhida. Existem cruzeiros de manhã, à tarde, ao pôr do sol, passeios pela costa com observação de golfinhos e programas de dia inteiro. É ainda possível reservar noites a bordo, cruzeiros românticos ou experiências privadas para aniversários e despedidas de solteiro.
Todos os alugueres incluem uma bebida de boas-vindas, duas garrafas de vinho branco ou rosé, água, sumos, bem como tábuas de enchidos, queijos e fruta. Outras bebidas podem ser adquiridas a bordo mediante pagamento adicional.
O passeio que experimentámos dura três horas, custa 1.400€ e junta duas das melhores experiências da costa algarvia: navegar junto às grutas e terminar o dia a assistir ao pôr do sol no mar. Cada iate pode receber até 12 passageiros, além da tripulação.
Ao longo do passeio navegámos junto às emblemáticas grutas da costa algarvia, passando por alguns dos cenários mais conhecidos da região, com destaque para o Algar de Benagil e a famosa “janela para o céu”. Já perto do final, o capitão afastou o iate da costa para encontrarmos o melhor ângulo para assistir ao pôr do sol. A música, os petiscos, a brisa que se fazia sentir depois de um dia de calor e o céu a mudar de cor fizeram o resto.
4. Trocar o mar pelo interior algarvio num safari de jipe
A última experiência levou-nos para um lado completamente diferente do Algarve. Entrámos num Toyota Land Cruiser da Alsafari para percorrer o interior do concelho, onde os riachos, os montes verdes e os sobreiros substituem completamente a paisagem costeira.
“Numa excursão típica, fazemos um passeio de quatro horas pelo interior algarvio. Visitamos o Castelo de Paderne. Vamos à vila icónica de Alte. Experimentamos a gastronomia e pastelaria local e temos também acesso à cascata, onde podem tomar banho”, explicou Hugo Matos, da Alsafari, ao Vou Sair.
A visita à Queda do Vigário foi um dos momentos altos do passeio. Rodeada de vegetação, a cascata destaca-se pela água límpida em tons azul-esverdeados e pelas pequenas lagoas naturais. Nos dias mais quentes, é difícil resistir a mergulhar os pés na água fresca – e há quem aproveite para um banho completo.


Ao longo do percurso há tempo para apreciar várias vistas panorâmicas, atravessar zonas de produção de cortiça e fazer uma paragem na quinta da Alsafari. É aqui que os visitantes ficam a conhecer alguns dos sabores mais típicos da região, através de uma degustação de produtos locais.
Experimentámos licores de laranja, de amêndoa amarga, aguardente tradicional e melosa, produzida com aguardente de medronho, mel e canela. Há ainda compotas de laranja, figo e tomate, diferentes variedades de mel, como o de flor de laranjeira ou com piri-piri, azeite simples e aromatizado com alecrim e até pólen, que pode ser provado e é conhecido pelas suas propriedades naturais, sendo frequentemente associado ao reforço da imunidade.
Todos estes produtos podem ser degustados durante a visita e adquiridos na loja da quinta. As compotas custam 10€, enquanto os licores variam entre 10€ e 25€, consoante o tamanho da garrafa.
Já na vila de Alte, fizemos uma pausa na pastelaria Água Mel para um café acompanhado por um pastel de nata, um pastel de amêndoa ou uma queijada de amêndoa e laranja.
Quem optar pela excursão de dia inteiro tem almoço incluído no Hotel de Alte. “A excursão é muito parecida, mas é mais relaxada e longa. No almoço estão incluídas as entradas e o prato standard, que é o frango da Guia. Há opções vegetarianas e de peixe, mas esse normalmente é o mais escolhido. Inclui também bebida (sangria, sumo, vinho, água, cerveja), sobremesa e café”, explicou Hugo Matos.
Os safáris custam 40€ por pessoa na versão de meio dia (das 9h00 às 13h00) e 60€ por pessoa na versão de dia inteiro (das 9h00 às 16h00), já com almoço e bebidas incluídos. Cada jipe transporta até oito passageiros.
Onde comer
Se há um prato obrigatório em Albufeira, é o tradicional frango da Guia. A nossa sugestão é O Nosso Franguinho, em Ferreiras, uma churrasqueira especializada nesta receita algarvia.
Foi, aliás, a recomendação de Desidério Silva, presidente da APAL, que nos garantiu ser “o melhor sítio para comer o frango da Guia”. “Não estamos na Guia, estamos em Ferreiras, mas é o melhor”, afirmou.
Confirmámos. O frango chega suculento, bem temperado, e comer à mão faz parte da experiência. As paredes decoradas com cortiça e a extensa carta de vinhos completam o ambiente.
Uma dose de frango com batatas custa 13€.
Onde dormir
Durante a viagem ficámos alojados no Wine & Books by the Sea, um hotel de cinco estrelas localizado a cerca de 15 minutos do centro de Albufeira. A unidade foi recentemente renovada num investimento de 12 milhões de euros e está inserida na Reserva Natural dos Salgados.
Os interiores inspiram-se nas dunas e na paisagem envolvente, com tons areia, verdes suaves e as características estantes de livros que identificam a marca Wine & Books Hotels.
O hotel dispõe de 250 quartos distribuídos por seis tipologias, quatro piscinas exteriores, duas piscinas interiores aquecidas, spa, centro de bem-estar, ginásio, estúdios de yoga e pilates, cabeleireiro, kids club, salas para eventos e aceita animais de estimação.
Na restauração, existem cinco conceitos distintos: o buffet mediterrânico Moby Dick, o descontraído Coco’s junto às piscinas, o italiano Primadonna, o asiático Aji, com sushi e experiências omakase, e o Balcão Tasca da Memória, dedicado aos petiscos e aos vinhos portugueses.
No pico do verão, os preços chegam a começar nos 400€ por noite. Fora da época balnear é possível encontrar tarifas a rondar os 160€.


















































