
Acaba de nascer na capital um espaço único que celebra o mais amado doce português. No atelier Castro podem comprar-se pastéis de nata, prová-los ao balcão ou levá-los para casa, assim como assistir ao seu processo de fabrico artesanal e sentar-se à mesa para degustar um, ou mesmo dois, sem pressas.
O atelier de pastéis de nata Castro, criado pelo grupo de restauração Plateform, eleva a deliciosa receita original e homenageia este ex-libris da doçaria conventual em duas lojas em zonas icónicas das principais cidades do país – no Chiado, em Lisboa e na Baixa, no Porto – um cartão de visita da pastelaria tradicional e do bem fazer nacional.
Situado na Rua Garrett, o atelier Castro ocupa o espaço da histórica loja de chás e cafés Casa Pereira, e abriu oficialmente a 17 de dezembro de 2021, dois anos depois da loja do Porto. Ali pode comprar, saborear e observar a sua cuidada confeção num ambiente clássico e cosmopolita, mesmo no coração do Chiado.
Rui Sanches, CEO da Plateform, é o mentor deste projeto e batizou-o com o apelido da sua família materna: “O meu avô viveu toda a vida no Bairro Alto e trabalhou na reabilitação de edifícios no centro histórico. Por isso, há aqui uma certa homenagem”, sorri.
A receita Castro
O pastel de nata Castro é fiel à receita secular e resultado de horas de aprimoramento em busca do equilíbrio perfeito. O Chef pasteleiro Daniel Seixas criou uma versão mais sofisticada da receita tradicional, com massa fina e estaladiça e um creme aveludado.
“Preparada com os melhores ingredientes e uma técnica aprimorada, queríamos um pastel perfeito, pouco doce, e que fosse uma imagem de marca: quando viajamos, toda a gente conhece o pastel de nata”. A massa é leve e crocante, e o recheio tem uma maturação de 24 horas, ligeiramente queimado no final e onde sobressai o aroma predominante a canela e notas cítricas.
No atelier Castro, o pastel de nata custa 1,10€ e uma caixa com seis unidades custa 6,5€. Como dita a tradição, deve ser polvilhado com canela e açúcar em pó e, diz-se, ser comido com três dentadas, a primeira delas sonora, mas “há quem o coma à colher para saborear o creme”. Pode e deve ser acompanhado com um café, um chá, um copo de vinho do Porto ou até uma ginjinha.
Numa cosmopolita loja boutique
O Castro de Lisboa nasce onde estava a Casa Pereira e, antes desta, a perfumaria Primavera. Preservar a história do espaço foi uma prioridade da Plateform, em particular a sua fachada “muito especial”, explica João Regal, arquiteto do atelier Lado, responsável pelo projeto e pela obra. O conjunto da porta e das duas montras em serralharia de ferro é dos anos 20 do século XX e foi “escrupulosamente recuperada, com novas placas de vidro, pintado e gravado a folha de ouro. Inclusive fizemos um toldo a replicar o original, à antiga, com a estrutura em latão natural.”
No interior, os arcos estruturais foram evidenciados e “guarnecidos com carpintarias, numa forte forma geometrizada” e as três “salas” configuram a manufatura dos pastéis nos seus três passos: zona de confeção; forno e zona de venda ao público, que podem ser observados por quem entra.
Design intemporal e montras divertidas
As loiças Castro são brancas com rebordo azul e dourado, uma coleção desenvolvida numa parceria com a Vista Alegre que recria o imaginário clássico das mais icónicas casas portuguesas. Da mesma forma, as embalagens, da caixa para transporte ao saco que a acomoda, assim como o cartão de visita e as fardas dos empregados, seguem esta mesma linha nobre e intemporal em ouro sobre azul.
O Studio Astolfi ocupa-se agora das montras e a primeira é inspirada no universo mágico de Alice no País das Maravilhas: “Queríamos criar um momento que celebrasse a gula e a vontade irresistível de engolir um pastel de nata, de levá-lo ao limite de uma forma única”, explica a sua autora, a arquiteta Joana Astolfi. “A menina é a Alice que mergulha num pastel de nata, celebra essa gulodice com as pernas no ar, e sem saber como sair, e na segunda montra já pertence àquele mundo doce. A Alice representa o desejo, que é muitas vezes incontrolável, pelas coisas boas da vida.” São peças lúdicas em grande formato: “Queremos que as pessoas passem e se interessem por aquele movimento inesperado, que parem e sorriam.”














































