Nem em todo o lado o Natal é sinónimo de centros comerciais cheios, embrulhos infinitos e listas de desejos intermináveis. Em vários pontos do mundo, esta época assume formas diferentes, mais ligadas à comunidade, à memória ou a rituais locais, e nem sempre centradas na troca de presentes.
Desde recordar os entes queridos falecidos até ler à luz das velas ou celebrar as aranhas, aqui estão sete tradições de Natal pelo mundo que pode conhecer (e até experimentar), de acordo com a BBC.
1. Islândia: ler à luz das velas

Na Islândia, o Natal chega com páginas novas. Todos as épocas festivas, as editoras lançam dezenas de novos livros na chamada jólabókaflóð — a “inundação de livros de Natal”. A tradição nasceu durante a Segunda Guerra Mundial, quando a maioria dos produtos era racionada, com exceção do papel, e os livros se tornaram o presente mais prático.
Na noite de 24 de dezembro, as famílias trocam livros depois do jantar e passam o resto da noite a lê-los, à luz das velas, muitas vezes acompanhados por chocolates e uma bebida quente. Um ritual simples, acolhedor e facilmente replicável em qualquer país.
2. Japão: uma noite romântica a dois

Num país maioritariamente não cristão, o Natal japonês segue um guião diferente. Em vez de uma celebração centrada na família, a véspera de Natal assemelha-se mais ao Dia dos Namorados – uma noite romântica para casais.
As cidades iluminam-se com decorações exuberantes, os restaurantes oferecem menus especiais e os hotéis de luxo esgotam rapidamente. À mesa, o destaque vai para o kurisumasu keki: um bolo leve, com camadas de creme e morangos, impecavelmente decorado.
3. Austrália: jogar cricket em família

Com o Natal a cair em pleno verão, os australianos celebram ao ar livre. Depois do almoço, é comum juntar a família para um jogo informal de cricket, seja no quintal, num parque ou até na praia.
Não há regras rígidas nem espírito competitivo. O objetivo é simples: garantir que todos jogam, independentemente da idade ou habilidade.
4. Finlândia: lembrar quem já partiu

Na Finlândia, o Natal é também um momento de memória. Na véspera, milhões de pessoas visitam os cemitérios para acender velas em homenagem aos familiares falecidos. Segundo o site This Is Finland, cerca de 75% das famílias finlandesas mantêm viva esta tradição.
Os cemitérios cobertos de neve iluminam-se com milhares de pequenas chamas, criando um ambiente silencioso e contemplativo. Depois, muitas famílias seguem para outra tradição essencial: a sauna de Natal.
5. Ucrânia: árvores decoradas com teias de aranha

No oeste da Ucrânia, os enfeites natalícios mais comuns não são só estrelas ou bolas, mas teias de aranha ornamentais. A tradição tem origem na chamada Lenda da Aranha de Natal, um conto popular que fala de uma viúva pobre sem meios para decorar a árvore. Durante a noite, as aranhas teceram teias entre os ramos, que ao amanhecer se transformaram em prata e ouro, trazendo prosperidade à família.
Hoje, as pavuchky — teias feitas de papel ou arame — são símbolo de boa sorte. Encontrar uma aranha ou teia de aranha verdadeira numa árvore é considerado um sinal positivo, e é costume não as remover durante este período.
6. Dinamarca: fazer decorações caseiras

Na Dinamarca, o Natal também se constrói com as mãos. O klippe klistre — literalmente “cortar e colar” — é um dia dedicado à criação de decorações caseiras: estrelas entrançadas, corações de papel e grinaldas feitas à mesa.
Escolas, casas e escritórios organizam workshops de artesanato, muitas vezes acompanhadas por æbleskiver (bolinhos tradicionais, com uma massa semelhante à das panquecas), bolachas e copos de gløgg, o vinho quente dinamarquês.
7. Venezuela: ir à missa de patins

As missas de Natal na Venezuela são alegres e comunitárias, acompanhadas por sinos e, por vezes, fogos de artifício nos dias que antecedem o Natal. Mas a tradição mais peculiar é a forma como as pessoas chegam à igreja: de patins.
Entre 16 e 24 de dezembro, muitos fiéis deslocam-se de patins até à Missa de Aguinaldo, realizada ao amanhecer. Em algumas cidades, as ruas chegam a ser fechadas ao trânsito para permitir a passagem segura dos patinadores.



























