Enquanto algumas das cidades e ilhas mais populares do mundo tentam encontrar formas de lidar com multidões, há destinos onde acontece precisamente o contrário: faltam turistas.
A Intrepid Travel acaba de divulgar a sua “Not Hot List” para 2027, uma seleção de 10 lugares que ainda passam despercebidos à maioria dos viajantes, mas que estão preparados para receber mais visitantes (e há três destinos europeus entre os escolhidos).
Criada em parceria com a agência de tendências Globetrender, a lista pretende funcionar como uma alternativa aos habituais rankings dos lugares que “tem mesmo de visitar”. Aqui, entram destinos com números de visitantes ainda reduzidos, condições para que o turismo cresça de forma sustentável e alguma novidade que os torna particularmente interessantes para conhecer em 2027.
A ideia é também distribuir melhor os benefícios económicos das viagens. Em vez de deixar de viajar por causa dos problemas associados ao excesso de turismo, a proposta passa por procurar lugares onde a chegada de visitantes possa contribuir para as comunidades, a conservação e a economia local.
Alónissos, Grécia

Santorini e Mykonos podem ser os nomes que surgem imediatamente quando pensamos nas ilhas gregas, mas Alónissos continua bastante longe das multidões.
Localizada no mar Egeu, faz parte do arquipélago das Espórades e destaca-se pelas águas azul-turquesa, paisagens naturais e vida marinha. É aqui que fica o Parque Nacional Marinho de Alónissos e Espórades do Norte, habitat da ameaçada foca-monge-do-mediterrâneo.
Há ainda uma atração bastante invulgar debaixo de água. O Museu Subaquático de Alónissos permite a mergulhadores explorar o naufrágio de Peristera, um navio mercante do século V a.C. que transportava milhares de ânforas.
Liepāja, Letónia
Se Riga concentra grande parte das atenções de quem visita a Letónia, Liepāja quer mostrar que há razões para seguir viagem até à costa do Báltico.
A cidade junta praias de areia branca, arquitetura, música e um passado militar que ainda pode ser descoberto em Karosta, uma antiga zona militar construída durante o Império Russo.
Em 2027 terá mais um argumento de peso: Liepāja será Capital Europeia da Cultura, com uma programação que deverá colocar a cidade no radar de muito mais viajantes.
Dalsland, Suécia

Florestas, centenas de lagos e espaço suficiente para passar vários dias praticamente rodeado apenas pela natureza. Dalsland é conhecida como uma espécie de “região dos lagos” da Suécia e surge na lista como uma alternativa para quem prefere trocar as grandes cidades por umas férias ao ar livre.
É possível fazer caiaque, caminhadas, acampar na natureza ou percorrer a região de bicicleta. Uma nova ligação ferroviária tornou também mais fácil chegar a este território situado entre Gotemburgo e Oslo.
Mestia, Geórgia
Rodeada pelos picos do Cáucaso, Mestia é uma das principais portas de entrada para a região montanhosa de Svaneti.
A pequena cidade é ponto de partida para caminhadas entre aldeias, montanhas e algumas das famosas torres medievais da região. No inverno, a neve transforma-a também num destino para esquiar.
A melhoria dos acessos e novos investimentos turísticos estão agora a preparar Mestia para receber mais visitantes internacionais ao longo de todo o ano.
Northern Highlands, Jordânia

Petra, Wadi Rum e o deserto dominam grande parte das imagens associadas à Jordânia. No norte do país, porém, a paisagem é surpreendentemente diferente.
As Northern Highlands juntam florestas, montanhas, trilhos e vestígios arqueológicos. Entre os lugares que podem ser descobertos nesta região estão as ruínas romanas de Jerash e a Reserva Florestal de Ajloun.
A aposta no turismo nesta zona procura levar os viajantes para além dos pontos mais famosos do país e distribuir a procura por outras comunidades.
Samburu, Quénia
Para quem sonha fazer um safari, mas dispensa as zonas com filas de jipes à volta dos animais, a Intrepid destaca a Reserva Nacional de Samburu.
Localizada no norte do Quénia, é conhecida pela vida selvagem e por um modelo de conservação com participação das comunidades locais. A região começa também a ganhar espaço no astroturismo graças aos céus escuros e à reduzida poluição luminosa.
Whitehorse, Canadá

Auroras boreais, natureza praticamente a perder de vista e experiências ligadas às culturas indígenas são alguns dos motivos que levam Whitehorse a integrar a lista.
A capital do território canadiano de Yukon está a afirmar-se como porta de entrada para experiências no Ártico e subártico, com uma nova iniciativa turística centrada nas comunidades locais, vida selvagem, cultura e aventura.
Dili, Timor-Leste
É um dos países menos visitados do Sudeste Asiático, apesar de ter recifes de coral, montanhas e praias praticamente intocadas.
Dili, a capital de Timor-Leste, deverá tornar-se mais acessível graças ao reforço das ligações aéreas internacionais. A Intrepid acredita que esta melhoria dos acessos pode ajudar a colocar o país no radar de quem procura destinos ainda pouco explorados pelo turismo internacional.
Pekoe Trail, Sri Lanka
São cerca de 300 quilómetros por montanhas, plantações de chá, florestas e pequenas comunidades do Sri Lanka.
A Pekoe Trail é o primeiro grande percurso pedestre de longa distância do país e propõe uma forma mais lenta de conhecer as terras altas. A flexibilização das regras de vistos, novas ligações aéreas e a estratégia do país para desenvolver um turismo mais responsável também ajudaram a colocá-la entre as escolhas para 2027.
Carretera Austral, Chile

Para terminar, uma viagem de 1.240 quilómetros pela Patagónia chilena.
A Carretera Austral, também conhecida como Ruta 7, atravessa algumas das paisagens mais remotas do sul do Chile, entre fiordes, glaciares, rios, florestas e montanhas.
É uma das grandes road trips da América do Sul, mas continua longe dos níveis de procura de muitos dos destinos mais famosos do continente. Para a Intrepid, é precisamente esse equilíbrio entre paisagens extraordinárias e poucos visitantes que faz dela um dos lugares a ter debaixo de olho em 2027.


































