Saiba quais são os pratos tradicionais que não podem faltar numa mesa de Natal pelo mundo.
Saiba quais são os pratos tradicionais que não podem faltar numa mesa de Natal pelo mundo.

Em Portugal, a mesa natalícia dificilmente dispensa o bacalhau, o peru, as rabanadas, as filhós e, claro, o inevitável bolo-rei. Mas fora do país, o Natal à mesa assume formas muito diferentes, com pratos típicos que contam histórias, refletem tradições locais e se adaptam a climas e culturas distintas.

Dos assados que aquecem o inverno europeu às sobremesas frescas pensadas para o verão do hemisfério sul, a gastronomia natalícia é um verdadeiro reflexo da identidade de cada país. Entre receitas reservadas apenas para dezembro e pratos que reúnem famílias inteiras na cozinha, estas são algumas das iguarias de Natal mais emblemáticas do mundo, segundo a Culinary Arts Academy Switzerland.

Peru assado (Reino Unido, Canadá e França)

O peru assado é o protagonista do jantar de Natal em vários países europeus e da América do Norte. Com pesos que podem chegar aos 9 kg, esta ave ocupa o centro da mesa, rodeada de recheios amanteigados, legumes assados e molhos ricos.

A tradição começou na Inglaterra do século XVI, quando o peru substituiu o ganso como escolha preferida para grandes celebrações. O seu tamanho tornava-o ideal para alimentar famílias inteiras – e, até hoje, continua a simbolizar abundância, união e generosidade durante o inverno.

Presunto de Natal (Estados Unidos e Escandinávia)

Nos Estados Unidos e em vários países escandinavos, o glazed ham (presunto glaceado) é presença habitual na ceia de Natal. A origem da tradição remonta a uma época anterior à refrigeração, quando a carne de porco era curada no outono e ficava pronta a consumir em dezembro.

Atualmente, o presunto surge como prato principal ou como alternativa ao peru, geralmente coberto com glacês doces à base de mel, açúcar mascavado ou mostarda.

Tamales (México e América Latina)

No México e em grande parte da América Latina, o Natal sabe a tamales. Feitos com massa de milho, recheados com carne, queijo ou versões doces, e cozidos a vapor em folhas de milho, são muito mais do que um prato – são um ritual.

A preparação acontece nas tradicionais tamaladas, encontros familiares que duram horas (ou dias), onde várias gerações se juntam para cozinhar, conversar e celebrar. Cada tamale é montado à mão, e os recheios variam de região para região, mantendo sempre o mesmo espírito: partilha e comunidade.

Bûche de Noël (França e Suíça)

O bûche de Noël – o famoso tronco de Natal – é uma das sobremesas mais icónicas do Natal francês e suíço. Inspirado na antiga tradição de queimar um tronco na lareira na véspera de Natal para trazer sorte, este símbolo foi transformado numa sobremesa elegante.

O bolo é feito com pão de ló enrolado e recheado com creme de manteiga ou ganache, normalmente de chocolate, castanha ou praliné. A decoração imita a casca de uma árvore e inclui detalhes como cogumelos de merengue, arandos cristalizados ou folhas de azevinho polvilhadas com açúcar em pó.

Panettone (Itália e Brasil)

Alto, fofo e aromático, o panetone é o doce natalício mais famoso de Itália. Originário de Milão, este pão doce requer vários dias de preparação, graças à fermentação natural que lhe confere uma textura leve e um sabor subtilmente ácido.

A versão tradicional inclui passas e citrinos cristalizados, mas hoje existem variações com chocolate ou pistácio. Para muitas famílias italianas, o cheiro do panettone a sair do forno é o sinal oficial de que o Natal chegou.

Também no Brasil o panettone é um verdadeiro clássico natalino. A popularização do doce está intimamente ligada à marca Bauducco, que trouxe a receita italiana para o país em 1952. Desde então, o clássico evoluiu para uma impressionante diversidade de sabores: do Chocottone, com pepitas de chocolate, às versões recheadas com cremes doces, brigadeiro ou doce de leite.

Pudim de Natal (Reino Unido)

O pudim de Natal britânico é denso, escuro e carregado de frutas secas e especiarias. Apesar do nome alternativo plum pudding, não leva ameixas – na Idade Média, “plum” era apenas sinónimo de fruta seca.

É preparado semanas (ou meses) antes do Natal, permitindo que os sabores se intensifiquem com o brandy ou rum. No dia 25, é novamente cozido a vapor, regado com álcool quente e levado à mesa em chamas. Algumas famílias escondem uma moeda no interior para dar sorte.

Pavlova (Austrália e Nova Zelândia)

Enquanto no hemisfério norte o Natal é sinónimo de frio, na Austrália e na Nova Zelândia celebra-se em pleno verão – e a pavlova encaixa perfeitamente. A sobremesa combina uma base de merengue crocante por fora e macia por dentro, coberta com chantilly e frutas frescas.

Batizada em homenagem à bailarina Anna Pavlova nos anos 1920, a sua textura leve remete para a delicadeza da dança. Ambos os países reivindicam a autoria da receita, que se tornou símbolo de um Natal fresco, colorido e descontraído.

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