Em 2026, o mundo dos museus promete dar que falar. Das margens do Lago Michigan às paisagens áridas da Ásia Central, há novos edifícios a nascer que não são apenas espaços para ver arte, mas verdadeiros destinos de viagem. Alguns foram desenhados por arquitetos de renome internacional, outros afirmam-se como símbolos identitários de comunidades inteiras. Todos têm uma coisa em comum: ambição suficiente para transformar cidades e atrair visitantes dos quatro cantos do planeta.
O fenómeno não é novo. Desde que o Museu Guggenheim Bilbao abriu portas, em 1997, que se fala no chamado “efeito Bilbao”, expressão popularizada pela revista Condé Nast Traveller para descrever o boom turístico que colocou a cidade basca no mapa cultural global. Em 2026, há vários projetos a tentar recriar essa magia.
Conheça seis museus que vão marcar o próximo ano e que são motivo mais do que suficiente para começar já a planear uma viagem.
Lucas Museum of Narrative Art, Los Angeles, EUA

Parece uma nave espacial prestes a levantar voo em pleno Exposition Park. E não é coincidência. Fundado por George Lucas e pela empresária Mellody Hobson, o novo museu de Los Angeles é uma ode à arte narrativa em todas as suas formas.
Com inauguração prevista para setembro, o edifício de cinco andares e cerca de 27 mil metros quadrados custou mil milhões de dólares e vai albergar mais de 40 mil peças. Entre elas contam-se adereços e figurinos da saga Star Wars, mas também obras de nomes como Frida Kahlo, Diego Rivera ou Norman Rockwell.
A coleção estende-se à banda desenhada, à ilustração e à arte digital, com destaque para criadores como Jack Kirby e R. Crumb. O campus inclui ainda um parque exterior, anfiteatro, jardim suspenso e duas salas de cinema, reforçando a ideia de que este será muito mais do que um museu tradicional.
Guggenheim Abu Dhabi, Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos

Na ilha de Saadiyat, em Abu Dhabi, ergue-se um dos projetos culturais mais aguardados da década. Desenhado por Frank Gehry, falecido em dezembro, o novo Guggenheim impressiona à primeira vista com um conjunto de volumes metálicos e formas arrojadas que parecem quase irreais.
Com cerca de 42 mil metros quadrados, o museu será composto por várias galerias interligadas por pontes envidraçadas e passadiços. A programação vai focar-se em arte produzida desde os anos 1960 até à atualidade, incluindo nomes como Jackson Pollock, Andy Warhol e Jean-Michel Basquiat, mas com especial atenção a criadores do Oeste e Sul da Ásia e do Norte de África.
A abertura, prevista para este ano, reforça a estratégia de Abu Dhabi de se afirmar como polo cultural global, juntando-se a outros equipamentos de referência já instalados na mesma zona.
Larrakia Cultural Centre, Darwin, Austrália

Com um telhado em forma de ave em voo, evocando um espírito ancestral, o Larrakia Cultural Centre nasce na frente marítima de Darwin como símbolo de resistência e celebração cultural. Construído em território sagrado do povo Larrakia, este centro marca uma mudança importante: de museus sobre comunidades indígenas para museus geridos por elas.
O espaço, que abre em setembro, vai exibir artefactos tradicionais e cerimoniais, alguns recentemente repatriados de instituições internacionais. Além das galerias, haverá estúdios de arte, um auditório ao ar livre com áreas cerimoniais e um restaurante dedicado a sabores indígenas.
A ideia é que o centro funcione como ponto de partida para explorar outros locais culturalmente ligados aos Larrakia, reforçando a dimensão educativa e comunitária do projeto.
Obama Presidential Center, Chicago, EUA

Em Chicago, Barack Obama regressa ao centro das atenções com um complexo de cerca de 77 mil m2 que pretende ir além da celebração presidencial. Localizado no South Side, bairro onde cresceu Michelle Obama, o projeto inclui um museu em granito com oito andares, desenhado para evocar quatro mãos unidas.
No interior haverá objetos dos dois mandatos presidenciais, uma réplica em tamanho real do Salão Oval e exposições multimédia. No topo, a Sky Room promete vistas amplas sobre o Lago Michigan e a cidade.
O campus integra ainda biblioteca pública, campo de basquetebol e áreas verdes, sublinhando a vertente comunitária de um investimento de cerca de 700 milhões de dólares com abertura prevista para junho.
Kanal-Pompidou, Bruxelas, Bélgica

Uma antiga fábrica da Citroën vai renascer como o mais recente polo europeu de arte moderna e contemporânea. O Kanal-Pompidou ocupa 40 mil metros quadrados e abre em novembro com 10 exposições, incluindo 350 obras emprestadas pelo Centro Pompidou de Paris.
Entre os artistas representados estarão Henri Matisse, Pablo Picasso e Piet Mondrian. O projeto destaca-se também pela reabilitação de um edifício industrial Art Déco dos anos 1930, transformado num espaço luminoso e contemporâneo.
Aém das galerias, haverá biblioteca pública, padaria, parque infantil e restaurante panorâmico, integrando o museu num novo distrito cultural da cidade.
Islamic Civilization Center, Tashkent, Uzbequistão

No coração de Tashkent, antiga paragem estratégica da Rota da Seda, ergue-se um complexo monumental coroado por uma cúpula turquesa em mosaico que já domina o horizonte da cidade. A inauguração está prevista para março e promete colocar o Uzbequistão no radar cultural internacional.
O centro terá como núcleo a Qur’an Hall, onde deverá estar exposto o célebre Alcorão de Uthman, um dos exemplares mais antigos do texto sagrado islâmico. A coleção inclui ainda mais de dois mil manuscritos e objetos históricos, muitos recuperados recentemente.
Com áreas educativas equipadas com realidade virtual e inteligência artificial, biblioteca com 200 mil volumes, museu infantil e oficinas de restauro, o Islamic Civilization Center quer ser tanto um espaço de contemplação como de conhecimento.
Se o “efeito Bilbao” voltar a repetir-se, 2026 poderá ficar na história como o ano em que os museus deixaram definitivamente de ser apenas paragens culturais para se tornarem protagonistas das viagens.

































