Três mulheres assassinadas, vários suspeitos e uma investigação que continua sem resposta mais de três décadas depois. O caso do Estripador de Lisboa, que marcou Portugal no início dos anos 90, vai ganhar uma nova abordagem através de um espetáculo de teatro imersivo, no qual os espectadores poderão circular entre cenários, acompanhar interrogatórios e ouvir diferentes versões dos acontecimentos.
Chama-se A Caça ao Estripador de Lisboa e estreia-se a 28 de outubro, nas instalações da Comunidade Hindu de Portugal, no Lumiar. A experiência ocupa cerca de 1500 metros quadrados, transformados em diferentes ambientes que recriam momentos da investigação policial e da Lisboa daquela época.
Ao contrário de uma peça de teatro convencional, não haverá uma plateia fixa. O público poderá deslocar-se livremente pelo espaço, aproximar-se das personagens e escolher que partes da história pretende acompanhar. Enquanto uns assistem a um interrogatório, outros poderão seguir o testemunho de uma personagem ou descobrir uma perspetiva diferente sobre o caso.
O espetáculo conta com dez atores, que interpretam mais de 20 personagens, entre investigadores, testemunhas e suspeitos. Algumas cenas decorrem em simultâneo, pelo que cada espectador poderá ter uma experiência diferente, dependendo do percurso que escolher.
A encenação é de Simão Biernat, com voz-off de Inês Castel-Branco e música de Ricardo Nascimento. A produção resulta de uma parceria entre o Observador e a Kilt e inspira-se no podcast homónimo, que recuperou a investigação dos homicídios de três mulheres entre 1992 e 1993.


Uma investigação real que continua sem solução
A história começa em 1992, quando uma mulher foi encontrada morta na Póvoa de Santo Adrião. Nos meses seguintes, outras duas mulheres foram assassinadas em circunstâncias semelhantes. As vítimas chamavam-se Valentina, Fernanda e Maria João.
O caso mobilizou a Polícia Judiciária e contou com a colaboração do FBI, mas nunca foi identificado judicialmente um responsável pelos crimes.
Para construir a adaptação teatral, a equipa partiu da investigação jornalística realizada para o podcast e desenvolveu uma narrativa que combina factos reais com elementos de ficção.
Em entrevista ao Observador, Simão Biernat explicou que a proposta não é transformar os espectadores em detetives encarregados de resolver o caso, mas permitir-lhes conhecer diferentes perspetivas da investigação. O encenador sublinhou ainda a preocupação em respeitar a memória das três vítimas.
A experiência terá uma duração aproximada de 1h45 e uma lotação limitada a cerca de 100 espectadores por sessão. Embora seja possível circular livremente, haverá regras de segurança e momentos específicos para a interação com os atores.
A Caça ao Estripador de Lisboa estará em cena até 26 de dezembro, com sessões às quintas, sextas-feiras e sábados, às 21 horas. A estreia de 28 de outubro já se encontra esgotada.
Os bilhetes custam 49,50€. O espetáculo destina-se exclusivamente a maiores de 18 anos e inclui cenas de violência, nudez, conteúdo sexual, fumo cénico e luzes intermitentes.

































