O orçamento para uma escapadinha europeia não se resume aos voos e ao alojamento. Depois de chegar ao destino, há ainda que contar com metro, autocarros, elétricos e comboios e, em várias capitais, essa despesa está a pesar cada vez mais na carteira.
Os preços dos passes de transportes públicos aumentaram significativamente em 14 capitais europeias nos últimos três anos, segundo um novo estudo da Greenpeace, divulgado esta quinta-feira, 17 de setembro. Em algumas cidades, a subida ultrapassou mesmo os 50%.
A organização analisou os 27 países da União Europeia, além do Reino Unido, Suíça e Noruega, comparando os respetivos sistemas nacionais e as capitais. Foram considerados fatores como o preço dos passes mensais e anuais, a área e os meios de transporte abrangidos, os descontos disponíveis para grupos vulneráveis e o IVA aplicado aos bilhetes.
É em Nicósia, no Chipre, que se encontra a maior subida desde 2023. Os passes de longa duração ficaram 67% mais caros em apenas três anos. Seguem-se Amesterdão, com um aumento de 55%, Madrid, com 50%, Bratislava, com 32%, Berlim, com 29%, e Viena, com 26%.
Também houve aumentos em Copenhaga (18%), Bucareste (17%), Vilnius (10%), Bruxelas (10%), Londres (10%), Estocolmo (9%), Paris (8%) e Helsínquia (5%).
Londres, Amesterdão e Paris são as mais caras
Olhando para o preço atual dos passes mensais, Londres é a capital mais cara entre as analisadas, com um custo de 162€ por mês. Amesterdão ocupa a segunda posição, com 107€, e Paris completa o pódio, com 77€.
A tendência, contudo, não é igual em todo o continente. Em quatro capitais, os passes ficaram mais baratos desde 2023. Dublin registou a maior descida, de 42,5%, seguida de Oslo, onde os preços recuaram 11,5%, Berna, com uma redução de 6,6%, e Budapeste, com 5,8%. Noutras 12 capitais, os valores mantiveram-se estáveis.
Portugal também tem motivos para se destacar no novo estudo. O País subiu nove posições face a 2023, passando do 17.º para o 8.º lugar entre os 30 países analisados quanto à disponibilidade e acessibilidade dos títulos de transporte público. A Greenpeace associa a evolução, entre outros fatores, à introdução do Passe Ferroviário Verde.
Lisboa também melhorou a sua posição. A capital portuguesa passou do 15.º para o 12.º lugar no ranking das cidades, que tem em conta o preço e a disponibilidade dos passes de longa duração e os descontos destinados a diferentes grupos da população.
No topo desta classificação estão Tallinn, Cidade do Luxemburgo e Valeta, empatadas no primeiro lugar. Seguem-se Praga, Roma, Atenas, Sófia e Viena.
A Greenpeace chama ainda a atenção para o peso dos impostos no preço final. Na União Europeia, os bilhetes de transportes públicos estão sujeitos, em média, a 11% de IVA, e sete países aumentaram esta taxa desde 2023.
Apesar das diferenças entre países, apenas oito dos 30 analisados disponibilizam atualmente transportes públicos gratuitos ou passes nacionais de longa duração considerados acessíveis pela organização. Luxemburgo, Malta e Eslovénia apresentam os melhores resultados neste indicador.
































