Peça ao ChatGPT ou ao Google Gemini para sugerirem um destino para as próximas férias e é provável que as respostas soem familiares: Paris, Veneza, Santorini, Barcelona. Bonitas, sim, mas sempre as mesmas.
De acordo com um artigo publicado no The Conversation, os algoritmos de IA tendem a recomendar os destinos mais populares, não necessariamente os mais originais. O resultado? Uma sensação de personalização que é, na verdade, uma ilusão e que pode até agravar o problema do turismo em massa.
O uso da inteligência artificial para planear viagens está a crescer rapidamente. Segundo o The Conversation, o número de viajantes que recorrem à IA duplicou no último ano, sobretudo entre os mais jovens. Mas há um problema: as recomendações baseiam-se em dados extraídos de conteúdos populares online – como críticas, blogues e hashtags- o que empurra os viajantes para os mesmos lugares mais visíveis e saturados. Assim, locais como Maiorca ou Veneza, onde os residentes já pedem medidas para limitar o turismo, acabam ainda mais sobrecarregados.
Como “enganar” o algoritmo e descobrir algo novo
A boa notícia é que os viajantes não estão totalmente nas mãos da IA. Segundo o investigador que assina o artigo, basta fazer perguntas mais específicas e criativas para obter respostas diferentes e, muitas vezes, mais interessantes.
Em vez de perguntar “as melhores praias da Europa”, experimente algo como “vilas junto ao mar acessíveis de comboio e pouco conhecidas” ou “destinos de verão na Europa que não são pontos turísticos”.
Outra dica é mudar o momento da viagem. As IAs tendem a privilegiar a época alta, quando há mais conteúdo publicado, mas perguntar por destinos em meses menos óbvios – como os lagos italianos em outubro ou as ilhas gregas em maio – pode abrir horizontes totalmente diferentes.
Também pode pedir à IA para procurar noutras línguas, como “blogues espanhóis sobre a região das Astúrias” ou “turismo rural comunitário na Eslovénia”. Assim, é mais provável que descubra opções locais e sustentáveis, longe das rotas de sempre.
Uma pesquisa poderá ajudá-lo facilmente a comparar os custos e horários de várias opções de viagem e avaliar a pegada de carbono da sua viagem. Basta um pouco de pesquisa para ir além da superfície.
Usar a IA como ponto de partida, não o destino final
A inteligência artificial pode ser útil para comparar preços, horários ou pegadas de carbono, mas a verdadeira magia da viagem continua fora do ecrã. Guias locais, revistas especializadas e conversas com residentes devolvem a imprevisibilidade e o encanto que tornam cada escapadinha única.
Da próxima vez que pedir ideias ao ChatGPT, faça-o trabalhar um pouco mais. Pergunte, desafie, explore e talvez descubra o destino que ainda não apareceu no feed de ninguém.
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