Filetes de pescada com arroz de berbigão e molho tártaro, o parto icónico dos restaurantes Monte Mar
Filetes de pescada com arroz de berbigão e molho tártaro, o prato icónico dos restaurantes Monte Mar

Por muito que se fale de tendências gastronómicas, há pratos que não precisam de se reinventar para continuarem a conquistar. É o caso dos filetes de pescada com arroz de berbigão e molho tártaro, a estrela da casa do Monte Mar, o restaurante que nasceu junto ao mar do Guincho há mais de 35 anos e onde tudo começou.

A receita é a mesma desde 1989, mas a forma de a apresentar evoluiu com arte, tecnologia e identidade. Visitámos o Monte Mar Guincho e ouvimos as histórias à mesa com Maria Pinto Coelho, diretora dos restaurantes Monte Mar.

Uma visita ao Monte Mar raramente se faz com um único prato e, na dúvida, vale sempre apostar nos clássicos. A experiência típica da casa começa com as icónicas torradas com manteiga (3,5€), segue para as ameijoas à bulhão pato (32€) e a sapateira recheada (42€), que são presença quase obrigatória nas mesas junto ao mar. Mas é nos filetes de pescada com arroz de berbigão e molho tártaro (27,5€) que tudo converge: sabor, memória, consistência e agora, também, arte.

“É isto que as pessoas procuram aqui. Vêm porque sabem que vão comer bem, como sempre comeram. E gostam de sentir que fazem parte da casa”, contou-nos Maria Pinto Coelho.

Por ano, o prato é servido mais de 49 mil vezes nas três unidades Monte Mar: Cascais, Lisboa (Time Out Market) e Lagos. A carta é praticamente idêntica nos três restaurantes, com poucas adaptações regionais. “Há pratos mais locais em Lagos, sim, mas o coração da carta é o mesmo. Quem nos conhece sabe ao que vem.”

“O nosso cliente é fiel, quer aquilo que conhece”, diz Maria. Foi para celebrar os 35 anos da receita mais emblemática da carta que nasceu a colaboração com o artista de Cascais, Paulo Albuquerque Cesáh, que deu origem a um prato de porcelana exclusivamente desenhado para servir os filetes, e que ganha vida com realidade aumentada.

“Durante muito tempo a nossa loiça era toda branca, porque sempre achámos que o prato devia falar por si. Mas queríamos marcar esta data especial, 35 anos, com algo que fizesse sentido.”

A ideia passou por ilustrar o prato com os ingredientes do clássico (pescada, berbigão, coentros), elementos marinhos e referências às três casas da marca: a fachada de Cascais, a ponte 25 de Abril (Lisboa) e o farol da Ponta da Piedade (Lagos).

Um prato que mexe

A surpresa vem quando se aponta o telemóvel para o prato. Usando um QR Code e realidade aumentada, a ilustração ganha vida num pequeno vídeo animado onde os elementos se movimentam, como se fossem parte da própria experiência de degustação.

“Foi um projeto que demorou quase um ano. Fizemos vários protótipos com o Cesáh, testámos tudo, até onde deviam estar posicionados os filetes no prato para não taparem os elementos importantes do desenho. Foi pensado ao detalhe”, conta Maria.

A reação dos clientes tem sido muito positiva. “Ao início, toda a gente comentava. Hoje já é quase natural para quem repete. Mas funciona muito bem, porque chama a atenção nas mesas. Quem passa olha, pergunta, fica curioso.”

Apesar de hoje estar presente em três locais, o Monte Mar continua fiel à ideia original: localizações únicas, vista para o mar e cozinha simples feita com produtos frescos. Foi isso que gerou dúvidas na altura da expansão. “A ida para a Time Out, em Lisboa, foi um verdadeiro debate familiar. Não tinha vista, não era um sítio tradicional nosso. Mas percebemos que era o passo certo para testar a marca noutro ambiente.”

A abertura em Lagos veio com outros desafios. “O público local tem os seus hábitos, os estrangeiros vivem lá mas são sazonais, e fechamos no inverno”. Isso faz com que o restaurante ainda esteja a encontrar o seu lugar. Ainda assim, os filetes continuam a ser o prato mais pedido. “A verdade é que o Monte Mar é feito também pelas pessoas. Temos clientes que vêm cá há décadas, que escolhem sempre a mesma mesa. Conhecem toda a equipa. Isso não se replica com facilidade.”

Abrir novos espaços está, por agora, fora dos planos. “Já pensámos no Porto, sim, mas para que o Monte Mar seja Monte Mar, tem de cumprir os três critérios: localização especial, serviço à altura e ingredientes com a mesma qualidade. E isso nem sempre é possível noutros contextos.”

A marca continua a investir no que já tem: formação da equipa, revisão das receitas (agora finalmente escritas e medidas), melhoria dos espaços e pequenas inovações como esta colaboração artística.

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