Samuel Quek/Unsplash
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Nem todos os viajantes procuram férias passadas entre espreguiçadeiras, pulseiras de resort e programas fechados. Há quem prefira percorrer trilhos remotos, conhecer culturas pouco exploradas e regressar a casa com histórias difíceis de repetir. Foi precisamente para esse público que nasceu a Nomad, uma agência portuguesa que, quase duas décadas depois da sua fundação, continua a apostar em viagens de aventura desenhadas de raiz pela própria equipa. 

Criada em 2007 pelos cofundadores Pedro Gonçalves e Eurico Costa, a empresa surgiu com uma missão clara: proporcionar uma forma diferente de descobrir o mundo. “A grande motivação foi criar uma agência que tivesse uma equipa própria e que desenvolvesse as suas próprias viagens do início ao fim”, explica Tiago Costa, coordenador do departamento de viagens de montanha e outdoor da Nomad, em entrevista ao Vou Sair.

O responsável acompanha o projeto desde o início e destaca a importância de criar programas pensados para os viajantes portugueses. “Por exemplo, nós damos uma importância gigante à gastronomia”, aponta.

As viagens decorrem em grupos com uma “dimensão média de 12 pessoas” e têm, geralmente, duração entre uma e duas semanas. Cada experiência é acompanhada por um líder de viagem ou por um guia de montanha, dependendo do programa.

Quanto ao perfil dos clientes, a maioria tem entre 30 e 50 anos e cerca de 70% são mulheres. A fidelização é outro dos indicadores que mais orgulha a equipa: “felizmente temos uma taxa de repetição muito elevada”, sublinha Tiago Costa.

Viagens que nascem de uma ideia, não de uma tendência

Com “dezenas” de itinerários espalhados por vários continentes, a Nomad tem atualmente destinos para todos os perfis de aventureiros. Ainda assim, há alguns fenómenos turísticos difíceis de ignorar.

A procura pelo Japão é um deles. O programa “Japão Ancestral”, com duração de 17 dias, tornou-se um dos maiores sucessos da agência. O preço é de 3.570€, sem voos incluídos, e a procura ultrapassou todas as expectativas. “Esta viagem tem cerca de dois anos de lista de espera”, revela Tiago Costa.

Apesar disso, a estratégia da empresa não passa por seguir modas ou aproveitar as tendências do momento. “Não estamos muito interessados em cavalgar a onda do aumento do turismo. Estamos focados em continuar a construir viagens autênticas e alinhadas com o nosso ADN”, sublinha. “Queremos que cada viagem tenha um conceito, uma espinha dorsal, uma narrativa e uma experiência-chave”, explica.

É essa filosofia que está por trás dos próximos lançamentos. Entre as novidades previstas estão uma viagem à Coreia do Sul e uma expedição à Nova Guiné.

Quando a aventura deixa de ser um nicho

Durante muitos anos, as viagens de aventura foram vistas como uma opção reservada a um pequeno grupo de entusiastas. Hoje, a realidade é diferente. “Isto era um nicho, algo que poucas pessoas faziam, e agora sentimos que está entrar no léxico normal do turismo”, afirma Tiago Costa. “Hoje em dia, muitas pessoas que querem viajar já não o fazem indo para um resort e procuram uma experiência mais autêntica”.

Na Nomad, tudo começa por uma ideia. É essa visão inicial que molda o percurso e o ritmo da viagem.  Um dos exemplos mais recentes é a expedição de inverno “Odisseia Inuit na Gronelândia”, com datas por anunciar em breve. “O objetivo é passar uma semana com uma cultura que está a desaparecer”, explica. O programa inclui a convivência próxima com uma família inuíte e procura mostrar, na prática, o impacto das alterações climáticas nas comunidades locais. 

Mas desenhar viagens deste tipo implica lidar com múltiplos desafios, sobretudo em destinos remotos ou menos acessíveis: “condições políticas instáveis, condições meteorológicas, infraestruturas inexistentes, preparação dos viajantes para lidar com adversidades”, enumera.

As diferenças entre programas podem ser enormes. “Temos viagens mais tranquilas e outras muito instáveis. Por exemplo, a viagem “Expresso do Oriente” vai de Viena a Istambul e raramente algo corre fora do planeado. Depois temos viagens no arquipélago dos Bijagós [na Guiné-Bissau], onde quase nada funciona”, conta. 

A experiência nos Bijagós, com 12 dias de duração e preço de 2.650€, já se encontra esgotada. Já a próxima edição do Expresso do Oriente” decorre de 25 de setembro a 5 de outubro deste ano (há outras datas disponíveis) e custa 1.680€, sem voos incluídos.

Para garantir que todos os participantes sabem o que esperar, a preparação começa muito antes da partida. Os viajantes recebem documentação detalhada, apoio personalizado e participam em sessões preparatórias com os líderes e guias responsáveis por acompanhar cada grupo.

Próximas partidas (ainda) com vagas

Para quem procura uma experiência diferente ainda este ano, convém não esperar demasiado. Os grupos são pequenos e muitos programas esgotam com meses de antecedência.

Entre as próximas viagens com vagas disponíveis está a histórica “Rota da Seda”, numa viagem de 20 dias que decorre entre 5 e 24 de setembro e custa 2.520€, sem voos incluídos. Segue-se o programa “Mundo Maia”, marcado para 7 a 21 de outubro, com duração de 15 dias e preços a partir de 2.330€

Já para quem sonha conhecer alguns dos cenários mais impressionantes da América do Sul, a viagem “De Machu Picchu ao Deserto de Atacama” realiza-se entre 15 de novembro e 5 de dezembro. São 21 dias de viagem por 2.950€, também sem voos incluídos. 

Outra das propostas disponíveis é “Islândia: a Luz do Ártico”, com duas datas de partida disponíveis: de 31 de outubro a 7 de novembro e de 8 a 15 de novembro. O programa tem a duração de oito dias e custa 2.420€, sem voos incluídos. 

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