Quem está a planear férias em Itália este verão deve acrescentar mais uma tarefa à lista de preparativos: reservar lugar na praia. Em vários destinos italianos, sobretudo na Sardenha, o acesso a algumas das praias mais famosas passou a depender de marcação prévia, numa tentativa de combater a sobrelotação e proteger os ecossistemas.
Segundo o Independent, algumas praias já têm as vagas completamente esgotadas até meados de setembro. O caso mais emblemático é o da La Pelosa, uma das praias mais fotografadas da Sardenha, conhecida pelas águas cristalinas e pela areia branca. Entre maio e outubro, o acesso está limitado a 1.500 visitantes por dia, sendo obrigatório fazer uma reserva online. A entrada custa 3,50 euros por pessoa e cada marcação pode incluir um máximo de quatro visitantes. Depois de confirmada a reserva, é emitido um código QR que deve ser apresentado à entrada. Neste momento, as reservas para La Pelosa já se encontram esgotadas até 15 de setembro.
Outra praia onde também é obrigatório reservar é a Cala Goloritzé, classificada como Património Mundial da UNESCO. O acesso custa 7 euros por adulto e está limitado a apenas 250 pessoas por dia. As reservas podem ser efetuadas até três dias antes da visita, mas, de acordo com o Independent, também já não existem vagas disponíveis para vários dias desta semana.
Na Sardenha, há ainda outras praias que adotaram medidas semelhantes. A Cala Brigantina recebe um máximo de 60 visitantes por dia, enquanto a Su Sirboni limita a entrada a 786 pessoas diárias.
De acordo com o The Times, estas restrições surgem numa altura em que o turismo continua a crescer em Itália. Para Sebastiano Venneri, responsável pelo turismo da associação ambiental italiana Legambiente, as medidas tornaram-se inevitáveis.
Citado pelo The Times, o responsável alerta que o número de turistas em todo o mundo deverá passar de mil milhões em 2000 para cerca de dois mil milhões em 2030 e lembra que praias como La Pelosa correm o risco de desaparecer devido ao impacto dos visitantes, nomeadamente pela areia que acaba por ser levada involuntariamente nas toalhas.
O debate sobre o acesso às praias italianas continua, aliás, a dividir opiniões. Na região da Puglia, o presidente regional, Antonio Decaro, defendeu recentemente que os visitantes deveriam poder levar piqueniques para as praias concessionadas, argumentando que “o mar é um bem comum e não pode tornar-se um luxo”. A proposta foi contestada por vários concessionários, que consideram que poderá prejudicar a imagem da região.
Para quem está a planear umas férias em Itália, a recomendação é simples: antes de fazer as malas, vale a pena verificar se a praia escolhida exige reserva. Caso contrário, poderá chegar ao destino e descobrir que já não há lugar para estender a toalha.


































