Viajar é uma das melhores formas de quebrar a rotina. O problema é que o nosso intestino nem sempre aprecia essa mudança. Horários diferentes, refeições menos equilibradas, voos longos, desidratação e até o jet lag podem alterar o funcionamento do sistema digestivo e provocar desconforto, desde obstipação ao conhecido “intestino do viajante”.

A boa notícia é que pequenos cuidados podem fazer toda a diferença. Especialistas em nutrição ouvidos pela Condé Nast Traveller revelam quais os alimentos que vale a pena levar na mala e os hábitos que ajudam a manter a saúde intestinal durante as férias.

Segundo a nutricionista Emily English, as viagens tendem a alterar precisamente aquilo de que o intestino mais gosta: rotina, hidratação, movimento, horários das refeições e qualidade do sono. Tudo isso contribui para que muitas pessoas sintam inchaço, prisão de ventre ou episódios de diarreia durante as férias.

A recomendação é simples: manter uma boa hidratação, caminhar sempre que possível e garantir um consumo adequado de fibra.

O que deve levar na mochila para comer durante a viagem

Nos voos ou longas viagens de carro e comboio, a melhor estratégia passa por evitar longos períodos sem comer e optar por snacks ricos em fibra e fáceis de transportar.

Entre as melhores opções estão frutos secos, como amêndoas, nozes ou cajus; barras de aveia com poucos açúcares adicionados; pipocas simples, sem excesso de manteiga ou sal; e fruta desidratada, como damascos, tâmaras ou figos.

Segundo a nutricionista Sophie Gastman, estes alimentos ajudam a compensar a menor ingestão de fruta, legumes e cereais integrais que muitas vezes acontece durante as viagens.

Outra sugestão passa por levar pequenas porções de sementes de chia ou linhaça. Podem ser adicionadas ao iogurte, às papas de aveia ou até misturadas em água, ajudando a aumentar o consumo de fibra e a favorecer o trânsito intestinal.

Há, no entanto, uma regra importante: não experimente alimentos novos durante a viagem, sobretudo se costuma ter um intestino mais sensível. O ideal é optar por alimentos que já sabe que o organismo tolera bem.

Quando chegar ao destino, vale a pena começar o dia a pensar na saúde intestinal. Emily English recomenda criar aquilo a que chama uma “taça da regularidade”, composta por iogurte, leite, sementes de chia e linhaça.

A especialista destaca ainda duas frutas particularmente úteis para prevenir a obstipação durante as férias: kiwi e maracujá.

Sempre que possível, procure também incluir alimentos ricos em fibra logo ao pequeno-almoço, aproveitando a oferta dos buffets dos hotéis.

Os especialistas deixam ainda um conselho importante: não vale a pena transformar as férias numa dieta rigorosa. Em vez de evitar os pratos típicos do destino, a ideia passa por encontrar um equilíbrio. Sempre que comer fora, tente incluir uma porção de legumes ou uma salada para aumentar naturalmente a ingestão de fibra.

Para quem sofre frequentemente de obstipação durante as viagens, pode ainda ser útil levar psyllium em pó, um suplemento rico em fibra que pode ser misturado em água ou sumo, desde que seja acompanhado por uma boa ingestão de líquidos.

Nenhum destes alimentos terá o efeito desejado sem uma hidratação adequada. A fibra precisa de água para desempenhar corretamente a sua função e facilitar o trânsito intestinal.

Os especialistas aconselham a beber água ao longo de todo o dia, em pequenos goles, em vez de esperar até sentir sede. Este hábito torna-se ainda mais importante em destinos quentes, onde a perda de líquidos é maior.

Se durante as férias também houver espaço para um copo de vinho ou um cocktail, a recomendação mantém-se: compense sempre com mais água.

No final, a fórmula para viajar sem surpresas desagradáveis é mais simples do que parece. Levar alguns snacks ricos em fibra, manter-se hidratado, caminhar sempre que possível e não alterar radicalmente a alimentação pode ser suficiente para que o intestino acompanhe o ritmo das férias sem protestar.

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