Foto: Joalharia do Carmo
Foto: Joalharia do Carmo

Depois de levar a sardinha enlatada até Nova Iorque, em 2023, o grupo O Valor do Tempo, também dono d’A Brasileira do Chiado e da Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, prepara agora a expansão da Joalharia do Carmo, especializada em filigrana portuguesa, para fora do país. Até ao final deste ano, deverão abrir duas lojas no estrangeiro.

Tudo começou há cerca de 30 anos, em Seia, na Serra da Estrela, com a Fábrica do Pão e, mais tarde, o Museu do Pão, que abriu ao público em 2002. A partir daí, o crescimento foi constante e sempre com um foco muito claro: “construir a ponte entre produtos de distinta qualidade e aproximá-los da perceção que o consumidor internacional quer”, afirma Tiago Quaresma, administrador do grupo O Valor do Tempo, em entrevista ao Vou Sair.

Seguiu-se o Museu da Cerveja, onde nasceu o agora famoso pastel de bacalhau com queijo Serra da Estrela DOP, e depois a entrada no mundo das conservas com a aquisição da Comur, relançada como O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa. O conceito foi tão bem-sucedido que em 2023 chegou a Times Square, com a abertura da loja em Nova Iorque. E os resultados, segundo o grupo, falam por si: a loja está a crescer 40% nos primeiros cinco meses deste ano face ao período homólogo.

O grupo integra ainda marcas históricas portuguesas como a Confeitaria Peixinho, a mais antiga casa de ovos moles de Aveiro, e A Brasileira do Chiado, um dos cafés mais emblemáticos da capital. Já a icónica Joalharia do Carmo foi fundada em 1924 e mantém até hoje uma forte ligação à filigrana tradicional portuguesa, tendo integrado o grupo O Valor do Tempo em 2021.

Hoje, o grupo soma 15 marcas, mais de 50 lojas e cerca de quatro milhões de visitantes por ano. Mais recentemente, investiu 18 milhões de euros na requalificação de edifícios na Rua das Flores, no Porto, criando um novo quarteirão cultural dedicado às artes e ofícios tradicionais.

Agora é a vez da filigrana portuguesa

Três anos depois da primeira expansão internacional, O Valor do Tempo está prestes a levar além-fronteiras a joalharia tradicional. “Se tudo correr bem, até ao final do ano, vamos abrir duas novas lojas internacionais de filigrana, com a Joalharia do Carmo”, revela Tiago Quaresma.

“[O grupo] tem dois conceitos realmente internacionalizáveis ao dia de hoje. Quer a joalharia, quer as conservas, têm uma portabilidade extraordinária. As conservas têm cinco anos de validade, não precisam de ser cozinhadas e podem ir para qualquer parte do planeta. Quanto às joias, é óbvio: conseguimos pôr milhões de euros dentro de uma caixa relativamente pequena”, começa por explicar.

Mas há também uma vertente emocional e cultural na escolha da marca. “A Joalharia do Carmo é uma loja com história. Existe também esse significado adicional de que as lojas históricas podem ser mais do que espaços confinados às quatro paredes que as classificam, sem terem de ficar congeladas [no tempo]”, sublinha o administrador.

“Claro que correntes de design e produção de joias há muitas, mas tão especial como a filigrana há muito poucas. A filigrana é um método de produção muito único e difícil de aprender se não passar de geração em geração”, acrescenta.

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