Há imagens que se repetem nas redes sociais: passageiros a correr pelo cais enquanto um enorme navio de cruzeiro se prepara para partir. Pode parecer uma situação caricata para quem está a assistir, mas para quem ficou em terra significa ter de descobrir como recuperar documentos, chegar ao porto seguinte e, em muitos casos, pagar a viagem do próprio bolso.
Durante uma escala, cada navio estabelece uma hora de regresso a bordo, conhecida como all aboard time. Não deve ser confundida com a hora de partida. É o limite até ao qual os passageiros têm de estar novamente no navio e, em muitos cruzeiros, pode ser cerca de uma hora antes de este abandonar o porto.
A informação costuma ser comunicada a bordo, através dos programas diários, de anúncios ou de indicações colocadas junto às saídas e há um bom motivo para levar o horário a sério. Os navios têm horários e operações portuárias a cumprir e não ficam necessariamente à espera de um passageiro atrasado.
Há, contudo, uma diferença importante entre perder a hora por estar numa excursão vendida pela própria companhia e fazê-lo durante um passeio organizado por conta própria.
Companhias como a Royal Caribbean garantem proteção aos passageiros que reservam determinadas excursões através delas. Se uma atividade organizada pela companhia sofrer um atraso, o navio poderá esperar. Caso a demora seja tão grande que isso deixe de ser possível, a empresa compromete-se a organizar o reencontro com o navio sem custos para o passageiro.
A situação muda para quem decide explorar o destino sozinho ou contrata uma excursão independente. Nestes casos, a responsabilidade de regressar antes da partida é normalmente do passageiro. Se chegar ao cais demasiado tarde, poderá ter de organizar e pagar transportes, alojamento e outras despesas necessárias para alcançar o navio numa escala posterior.
Ficou no cais. O que deve fazer?
O primeiro ponto de contacto deve ser a equipa do porto. As companhias trabalham habitualmente com agentes portuários locais que podem ajudar o passageiro a contactar o navio e perceber se, e em que condições, será possível voltar a embarcar num dos destinos seguintes.
Há ainda uma questão particularmente importante: o passaporte. Em determinados cruzeiros, a companhia recolhe os passaportes dos passageiros durante a viagem. Quando isso não acontece e a tripulação percebe que alguém não regressou, pode existir um procedimento para retirar o documento do camarote e entregá-lo ao agente portuário antes da partida do navio.
É por isso aconselhável manter o passaporte num local facilmente identificável no camarote, como o cofre, quando não o leva consigo. O procedimento concreto pode variar entre companhias e portos, pelo que vale a pena confirmar antecipadamente as regras do cruzeiro.
Depois de falar com o agente portuário, é altura de contactar a seguradora. Dependendo da apólice e das circunstâncias que provocaram o atraso, um seguro de viagem poderá cobrir algumas das despesas necessárias para voltar a encontrar o navio.
Também convém verificar os benefícios associados ao cartão de crédito utilizado para pagar a viagem, já que alguns incluem determinadas coberturas de viagem.
Guarde tudo: faturas de hotéis, transportes, refeições e restantes despesas podem ser necessárias caso exista cobertura e seja posteriormente apresentado um pedido de reembolso.
Sair do navio sem participar numa excursão organizada não significa passar a escala a olhar constantemente para o relógio. Exige, porém, algum planeamento.
Se contratar um guia ou uma excursão independente, informe logo o operador da hora limite para regressar e planeie chegar ao porto com uma margem confortável. Colocar um alarme no telemóvel para indicar quando deve começar o caminho de regresso também pode evitar distrações.
Essa margem torna-se ainda mais importante em portos remotos, onde existem menos alternativas de transporte caso alguma coisa corra mal.
Também é aconselhável sair do navio com alguns elementos essenciais. Um cartão de crédito e os dados do seguro de viagem podem revelar-se fundamentais se for necessário reservar inesperadamente um hotel, comboio ou avião.

E se perder o cruzeiro antes de ele sequer começar?
O problema também pode acontecer antes da primeira noite a bordo. Um voo cancelado ou atrasado no próprio dia do embarque pode ser suficiente para ver o navio partir sem si.
Chegar à cidade de partida com antecedência reduz bastante esse risco. A especialista em viagens Jennifer Gillmore, citada pela Condé Nast Traveller, recomenda chegar ao destino pelo menos dois dias antes do início do cruzeiro, criando margem para eventuais atrasos do passageiro ou da bagagem.
Se, ainda assim, perder o embarque, não deve simplesmente comprar uma viagem até à escala seguinte sem contactar primeiro a companhia. Voltar a entrar no cruzeiro noutro porto pode depender do itinerário, da documentação e das regras aplicáveis.
A Royal Caribbean, por exemplo, pede aos passageiros afetados por atrasos na viagem que contactem a sua equipa de emergência para avaliar as possibilidades. Em determinadas circunstâncias, poderá ser autorizado o embarque no porto seguinte.
Já a Norwegian Cruise Line estabelece que os passageiros que compraram os voos de forma independente são responsáveis pelas despesas necessárias para alcançar o navio quando perdem o embarque devido à viagem aérea.
As condições variam entre companhias, seguros e itinerários. Por isso, antes de partir, vale a pena guardar os contactos de emergência da companhia, consultar as condições do seguro e perceber exatamente quais são as regras para excursões e atrasos.
Durante cada escala, há uma precaução ainda mais simples: confirmar o all aboard time antes de sair e regressar com margem. Afinal, ver o navio afastar-se lentamente do cais é provavelmente uma das fotografias de férias que ninguém quer tirar.


































