Há quem planeie cada minuto das férias, guarde dezenas de restaurantes no Google Maps e saiba exatamente onde vai tirar a próxima fotografia. Nas Ilhas Faroé, a proposta é fazer precisamente o contrário: entrar no carro, seguir as indicações do GPS e deixar que o destino seja uma surpresa. Só quando chega a cada paragem é que descobre o que o espera.
A experiência chama-se Self-Navigating Cars e foi criada pela Visit Faroe Islands, a entidade responsável pela promoção turística do arquipélago. Lançada no verão de 2025, começou com 30 itinerários e foi agora alargada para 45 percursos, com novos locais para descobrir e a possibilidade de participar durante todo o ano.
Apesar do nome, não se trata de carros autónomos. É o próprio visitante que conduz, seguindo um percurso previamente programado no Google Maps. A diferença é que não pode escolher os locais que vai visitar nem consultar antecipadamente o itinerário. A única regra é confiar nas indicações e deixar-se surpreender.
Cada viagem dura entre três e seis horas e inclui quatro a seis paragens, selecionadas com a ajuda de habitantes locais. Os percursos foram pensados para levar os turistas a lugares menos conhecidos, longe dos pontos mais fotografados do arquipélago. Embora alguns locais possam repetir-se, a organização procura evitar que duas pessoas recebam exatamente o mesmo itinerário ao mesmo tempo.
A iniciativa tem também um objetivo ambiental e turístico: distribuir os visitantes por diferentes zonas das ilhas, reduzindo a concentração nos locais mais populares. Em vez de todos seguirem as mesmas recomendações das redes sociais, a proposta convida-os a descobrir paisagens, aldeias e histórias que dificilmente encontrariam numa pesquisa convencional.
O que pode aparecer no GPS? Essa é precisamente a surpresa, mas a Visit Faroe Islands já revelou alguns dos locais que fazem parte dos percursos.
Uma das possibilidades é a Igreja de Funningur, uma das mais antigas igrejas de madeira com telhado de turfa das Ilhas Faroé, ou a Igreja de Viðareiði, que oferece vistas para uma das falésias mais altas da Europa.
A viagem também pode levar os visitantes até ao lago Funningsvatn, a caminhadas entre fiordes ou a uma piscina exterior na remota aldeia de Syðradalur.
Entre as novas experiências estão ainda percursos que passam pelas falésias de Eiðiskollur, de onde é possível observar as formações rochosas conhecidas como Risin og Kellingin, ou Gigante e Bruxa, uma das paisagens mais emblemáticas das Faroé.
Também podem surgir no caminho a aldeia piscatória de Leirvík e o vale de Árnafjørður, onde se encontra uma pequena praia rodeada de montanhas.
Segundo a entidade de turismo, cerca de 40 mil viajantes já experimentaram os percursos desde o lançamento da iniciativa.

Como funciona e quanto custa?
Não é necessário alugar um carro específico para participar. Qualquer veículo pode ser utilizado, desde que tenha acesso à Internet e ao Google Maps.
Para começar, basta entrar na plataforma oficial Self-Navigating Cars, já nas Ilhas Faroé, e seguir as instruções. O sistema atribui um percurso surpresa e apresenta as indicações de navegação à medida que a viagem avança.
A utilização da ferramenta é gratuita, mas os visitantes continuam a suportar os custos habituais da deslocação, como o aluguer do carro e o combustível. Alguns itinerários incluem ainda túneis submarinos com portagens que, segundo a plataforma, podem representar um custo total entre 250 e 500 coroas dinamarquesas, aproximadamente 34 a 67 euros. Existe, contudo, a possibilidade de selecionar uma alternativa sem estas taxas.
Convém também ter em conta que conduzir nas Faroé pode ser diferente de fazê-lo em Portugal. O arquipélago tem estradas estreitas, túneis de uma só faixa e condições meteorológicas que podem mudar rapidamente. A Visit Faroe Islands recomenda adaptar a velocidade às condições da estrada e consultar as informações de segurança antes de iniciar a viagem.
As Ilhas Faroé são um arquipélago de 18 ilhas no Atlântico Norte, entre a Islândia e a Noruega, conhecido pelas montanhas verdes, falésias, cascatas e pequenas aldeias junto ao mar. O principal aeroporto fica na ilha de Vágar, com ligações internacionais, nomeadamente através de Copenhaga.



































