A Sala dos Veados, um dos espaços mais emblemáticos do Palácio Nacional da Pena, em Sintra, acaba de ser reaberta ao público, após uma intervenção que devolve ao espaço a função que lhe foi atribuída por D. Fernando II no século XIX. O novo projeto museográfico recria o ambiente vivido na época do monarca, reunindo pela primeira vez cerca de 70 peças da sua coleção pessoal de cerâmica, escultura e mobiliário.
Originalmente pensada como sala de jantar, a Sala dos Veados foi transformada por D. Fernando II, em 1876, numa galeria de arte privada, acessível a convidados e visitantes selecionados, onde exibia as suas peças preferidas, sobretudo de cerâmica. Essa função é agora retomada, apoiada por uma profunda investigação histórica e documental.
Entre os destaques da nova museografia está a mesa circular original, executada em 1861 por Gregório Casimiro, carpinteiro do palácio. Tal como no século XIX, surge coberta com uma réplica fiel da toalha escarlate, servindo de suporte às obras expostas. A sala inclui ainda aparadores, prateleiras, candeeiros, cadeiras, cortinas, esteira e tapetes, todos baseados em modelos originais ou recriados a partir de inventários da época.


Um dos elementos mais inovadores desta intervenção é o trabalho de reconstituição dos têxteis. As novas cortinas em tons dourado e vermelho, com passamanarias em lã, resultam de sete anos de investigação em coleções nacionais e internacionais, bem como do estudo de fornecedores históricos da Casa Real. Esta é a primeira reconstituição têxtil completa do projeto em curso e confere à sala maior conforto térmico, acústico e visual.
As cerca de 70 peças agora reunidas estavam anteriormente dispersas por várias salas e na reserva do palácio. A sua exposição conjunta oferece uma nova leitura da sensibilidade estética de D. Fernando II e da vivência da corte romântica. Faianças de diferentes épocas e origens, potes, jarras, pratos, candelabros e tamboretes dão corpo a um retrato do gosto eclético do rei.
Esta reabertura integra um projeto mais vasto de reconstituição histórica dos interiores do Palácio da Pena, com o objetivo de recriar os ambientes domésticos da Família Real portuguesa com o máximo de rigor histórico. A iniciativa combina restauro, documentação e interpretação museológica, permitindo ao visitante uma experiência imersiva no quotidiano da realeza oitocentista.
































