Amanz/Unsplash

Colocar um capacete, deixar Lisboa por alguns minutos e entrar num universo onde a fronteira entre aquilo que está à nossa volta e o que só existe digitalmente começa a desaparecer. É essa a proposta de “Life is the Game”, a nova experiência imersiva que chega ao MAAT, em Belém, a 28 de outubro.

O projeto é realizado por Paulo Furtado, mais conhecido como The Legendary Tigerman, que assina também a composição sonora. Em vez de um concerto ou de uma exposição convencional, o músico português criou uma experiência em realidade estendida, ou XR, que utiliza um capacete de realidade mista para conduzir os participantes por uma viagem entre a morte e o renascimento.

Durante 15 a 18 minutos, o visitante atravessa diferentes espaços e paisagens sonoras enquanto explora temas como a consciência, identidade, memória e transcendência. A intenção é desafiar a perceção que cada pessoa tem de si própria e da relação com aquilo que a rodeia, misturando o espaço físico com elementos criados digitalmente.

A experiência foi concebida como uma espécie de ritual de passagem. Ao longo do percurso, o participante é convidado a abandonar temporariamente as referências do quotidiano e a entrar em ambientes onde o tempo e o espaço assumem outras formas.

Não será, por isso, uma experiência para observar à distância. A tecnologia permite interagir com as paisagens sonoras e os espaços que vão surgindo durante o percurso, colocando cada visitante dentro da narrativa.

Do universo de Stranger Things para o MAAT

Embora The Legendary Tigerman esteja à frente da realização e da música, “Life is the Game” resulta do trabalho de uma equipa que cruza cinema, tecnologia e experiências imersivas.

O desenvolvimento tecnológico é de Yolanda Correia, engenheira de software que tem trabalhado com tecnologias emergentes em projetos para empresas e entidades como Meta, Google, Samsung e YDreams.

No currículo está também a participação em “Stranger Things VR”, experiência de realidade virtual inspirada na série da Netflix, na área da computação espacial e realidade imersiva.

Já o argumento e o conceito criativo pertencem a Eduardo Brito, realizador, argumentista e fotógrafo. No cinema, escreveu e realizou “A Sibila”, adaptação do romance homónimo de Agustina Bessa-Luís, além de curtas-metragens como “Penúmbria” e “Declive”.

A experiência será feita em grupos pequenos. Cada sessão admite um máximo de seis participantes, uma opção que mantém o caráter intimista do percurso apesar da componente tecnológica.

“Life is the Game” ficará instalada no MAAT Central, em Belém, de 28 de outubro a 15 de fevereiro de 2027. Será necessário reservar antecipadamente uma sessão para participar. O museu ainda não abriu o sistema de marcações nem divulgou na página da experiência informação específica sobre os bilhetes, indicando apenas que serão disponibilizados mais detalhes em breve.

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