Cristiano Ronaldo deixou o estágio da selecção na quarta-feira, 30 de Setembro, depois de ter ficado no banco frente à Noruega e de uma reunião tensa com Jorge Jesus e a Federação. O futebol logo se resolve. Nós ficámos com a parte que nos interessa: três destinos que giram à volta do nome dele e que valem a viagem, com ou sem bola.
Não é preciso gostar de futebol para reparar que Ronaldo tem um aeroporto, um museu, uma praça e seis hotéis com o nome dele espalhados por três continentes. Poucas figuras portuguesas deixaram tanta marca no mapa turístico, e a semana em que ele decidiu sair da selecção é tão boa como qualquer outra para seguir essa marca. Começamos onde tudo começou.
Funchal: o fim de semana onde o nome dele está em todo o lado
A ligação começa na pista. O Aeroporto Internacional Cristiano Ronaldo, em Santa Cruz, fica a cerca de 20 minutos do centro do Funchal, e a viagem desde Lisboa demora pouco mais de hora e meia, com voos diários da TAP e das low cost. A aterragem, entre o mar e a encosta, continua a ser uma das mais cinematográficas da Europa.

Na frente marítima, a antiga Praça do Mar chama-se hoje Praça CR7. É ali, na Avenida Sá Carneiro, que está o Museu CR7, aberto de segunda a sábado das 10h às 17h e fechado ao domingo e feriados. O espaço ocupa dois pisos e cerca de 1400 metros quadrados dentro do edifício do Pestana CR7 Funchal, e reúne mais de uma centena de troféus individuais e colectivos, das cinco Bolas de Ouro às quatro Botas de Ouro, além de fotografias, vídeos, conteúdos interactivos e a inevitável estátua de cera. Quem vier de cruzeiro tem o terminal a poucos minutos a pé, e há bilhetes combinados com o autocarro turístico City Sightseeing válidos por 48 horas, uma forma prática de cobrir o Funchal e Câmara de Lobos sem alugar carro.
Para dormir, o Pestana CR7 Funchal é a escolha óbvia, mas não a única. As quintas na encosta acima da cidade, antigas casas senhoriais convertidas em hotéis, oferecem jardins, silêncio e vistas sobre a baía a 15 minutos do centro, e são a alternativa para quem prefere a Madeira clássica à Madeira do século XXI.
Fora do circuito CR7, o Funchal faz-se a pé e de teleférico: subida ao Monte, Jardim Tropical Monte Palace, descida nos carros de cesto. O Mercado dos Lavradores de manhã, antes das 10h, para as frutas e as flores sem multidões. Uma levada à tarde, a dos 25 Fontes se o tempo ajudar, ou a vereda do Caldeirão Verde para quem tem carro. E a Zona Velha ao fim do dia, para a poncha e as portas pintadas. Santo António, a freguesia onde Ronaldo cresceu, fica nas colinas a norte e não tem interesse turístico por si, mas o percurso até lá mostra o Funchal real, longe da Avenida do Mar.
Riade: a cidade onde ele joga e que quer receber turistas
Há quatro temporadas que Ronaldo vive em Riade, e a Arábia Saudita aproveitou essa presença para se apresentar ao mundo como destino. Para portugueses, o visto electrónico pede-se online em minutos. Não há voos directos a partir de Lisboa, a ligação faz-se com uma escala no Doha, no Dubai ou em Istambul, num total de nove a onze horas.
A altura certa para ir é agora. A Riyadh Season 2026 arranca a 21 de Outubro e estende-se por dez semanas, com o Boulevard World (um parque temático urbano com zonas dedicadas a vários países), concertos, teatro, humor e eventos desportivos. Logo na semana de abertura há o Six Kings Slam de ténis, de 21 a 24 de Outubro, na ANB Arena, e a 7 de Novembro o WWE Crown Jewel. Entre Outubro e Março as temperaturas rondam os 20 a 28 graus, muito longe dos 45 do Verão.

Fora da Season, Riade tem dois sítios obrigatórios. Diriyah, a 20 minutos do centro, é o berço do reino: a cidade velha de At-Turaif, em adobe, é Património Mundial da UNESCO e foi restaurada com uma zona de restaurantes e passeios ao ar livre que ganha vida ao pôr-do-sol. E o Kingdom Centre, com a ponte panorâmica a 300 metros de altura, para perceber a dimensão de uma capital que cresce a olhos vistos.
Um jogo do Al-Nassr em casa, no Al-Awwal Park, é a excursão natural para quem quer ver Ronaldo em campo. Os bilhetes compram-se online e custam menos do que num estádio de primeira linha europeu. Convém saber ao que se vai: não há álcool, pede-se roupa discreta nos espaços públicos, e o fim-de-semana é à sexta e sábado.
Há ainda uma peça por encaixar. O grupo Pestana candidatou-se, com um consórcio saudita, a abrir um hotel Pestana CR7 no King Salman Park, o projecto que promete ser o maior parque urbano do mundo. Se avançar, será o sétimo hotel da marca.
Os hotéis CR7: seis cidades, um conceito
A parceria entre Ronaldo e o grupo Pestana, dividida ao meio, começou em 2016 no Funchal e chegou a Lisboa (na Baixa, a dois passos da Rua Augusta), à Gran Vía de Madrid, a Times Square em Nova Iorque, a Marraquexe e, futuramente, a Paris. O conceito é o mesmo em todos: hotel lifestyle no centro da cidade, pensado para quem viaja a dois ou em grupo, com bar e zonas comuns animadas, decoração que pisca o olho ao futebol sem cair no museu e preços de quatro estrelas. Funcionam bem para escapadinhas de cidade, menos bem para quem procura spa e silêncio.
O próximo é o maior de todos. Em 2027 abre o Pestana CR7 Paris, no novo quarteirão de Austerlitz, entre a estação ferroviária e os 22 mil metros quadrados de jardins do projecto. São 210 quartos e um rooftop ajardinado no décimo piso, com piscina e um bar aberto ao público, com vista a 180 graus sobre a cidade. O investimento é de 60 milhões de euros.
Ronaldo disse que vai sair da selecção, pelo menos por agora. Para onde vai, não sabemos. Para onde pode ir quem o quiser seguir, fica aqui o mapa: a Madeira onde começou, a Riade onde ainda joga, e as cidades onde o nome dele está na porta do hotel.





































