Se 2025 foi o ano do detox digital, 2026 aponta para uma reconexão mais intensa com a natureza e com os elementos. Desde mergulhos em águas glaciais a retiros em cabanas isoladas, passando por experiências de cura ancestrais nos seus países de origem, o turismo de bem-estar está a reinventar-se. Aqui estão as tendências que vão marcar este ano.
Terapia do grito
O que começou como uma experiência excêntrica no Japão transformou-se numa tendência global. As primeiras “rage rooms” surgiram em Tóquio em 2008, oferecendo aos trabalhadores sobrecarregados a oportunidade de partir louça e libertar frustrações. Hoje, num mundo marcado por tensões políticas e ansiedade climática, esta prática espalha-se. Há muitas cidades a organizar “clubes de gritos” ao ar livre, enquanto retiros remotos na floresta convidam os hóspedes a partir troncos com marretas e libertar toda a tensão que têm acumulado. O princípio é simples: libertar emoções é mais saudável do que reprimi-las.
Glow-cations
Inspiradas nas viagens de longevidade que ficaram famosas em 2025, as glow-cations concentram-se agora no cuidado da pele e estética. Seoul, na Coreia do Sul, afirma-se como capital global da beleza, atraindo viajantes que procuram tratamentos inovadores de skincare, faciais de “glass skin”, microagulhamento, terapias capilares e planos personalizados de cuidado da pele. Cada viagem transforma-se numa experiência de imersão estética que vai muito além do turismo convencional.
Athleisure tourism
A corrida recreativa e os eventos de fitness em grande escala, como o Hyrox, uma competição global que combina corrida com estações de treino funcional, estão a impulsionar um novo tipo de turismo. Cada vez mais, os viajantes estão a embarcar em aviões para participar em corridas e desafios de resistência que levam os seus corpos ao limite, desde o Ironman até às principais maratonas urbanas em todo o mundo, incluindo Londres, Boston, Tóquio e Berlim.
Experiências elementares
Depois da popularidade das saunas urbanas e dos estúdios de mergulho em águas frias, os viajantes procuram agora experiências de bem-estar mais elementares. Mergulhar em rios glaciais, relaxar em piscinas geotermais ou em fontes termais naturais, tudo isto rodeado por paisagens dramáticas, é a nova forma de desconexão. A Islândia mantém-se como destino de eleição, com a Blue Lagoon e inúmeros spas naturais, oferecendo experiências de relaxamento cruas e imersivas.
Wellness selvagem
A procura pelo bem-estar estende-se também às acomodações. Yurts, cabanas, pods ou casas de pastor escondidas entre árvores ou à beira de lagos tornam-se o refúgio perfeito para quem quer desligar-se completamente (idealmente sem Wi-Fi). No Reino Unido, a Unplugged, pioneira em cabanas off-grid, registou um aumento de 25% nas reservas em 2025, lançando 20 novas unidades para responder à procura crescente.
Cruzeiros de bem-estar
Os cruzeiros, antes associados ao excesso, atraem agora viajantes focados em saúde e equilíbrio. Programas como os da Celebrity Cruises, liderados por Gwyneth Paltrow, e os itinerários de bem-estar da Cunard, com aulas de movimento, palestras especializadas e tratamentos de spa, transformam estas viagens em experiências completas de revitalização.
Escapadinhas de bem-estar para mulheres a solo
As viagens de bem-estar em regime solo, com oportunidades de soft networking, ganham destaque. O The Collective on Retreat, no Reino Unido e na Europa, oferece retiros para empresárias, combinando yoga, respiração, terapias holísticas e workshops num ambiente relaxado e inspirador.
Bem-estar através da comunidade
Paralelamente, cresce a procura por experiências que conectem os viajantes às comunidades locais. Participar em cerimónias tradicionais, aprender práticas de cura antigas ou envolver-se em rituais ancestrais, como o temazcal maia no México, permite uma imersão genuína e consciente. A tendência reflete um novo tipo de turismo: mais atento, sustentável e ligado à cultura e à história dos destinos..
































