O Santuário da Barca é destino do Caminho Muxía-Fisterra e da Via Mariana Luso-Portuguesa, que liga Braga a esta vila piscatória ao longo de 400 quilómetros.
Destino final do prolongamento das Rotas Xacobeias até Compostela, conhecido como Caminho Muxía-Fisterra, e também da Via Mariana Luso-Portuguesa (que une Braga a Muxía), o Santuário da Barca reúne todos os anos milhares de pessoas para a celebração que assinala a aparição da Virgem Maria ao Apóstolo Santiago. Este local destaca-se pela sua união mágica entre devoção, lenda e misticismo, num espaço onde a força do Oceano Atlântico se revela em todo o seu esplendor.
Com uma aura tão esotérica quanto fervorosa, as propriedades curativas das pedras que rodeiam o santuário e as lendas associadas fazem deste local um polo de atração para dezenas de milhares de pessoas que acorrem à Romaria da Virgem da Barca. A celebração, que decorre no segundo domingo de setembro após o dia 8, comemora a milagrosa aparição da Santa ao Apóstolo Santiago. Em 2025, o evento recebeu 55 mil devotos provenientes de numerosos países, sobretudo de Portugal e Espanha, mas também dos Estados Unidos, Coreia, Reino Unido, França e Irlanda.
Uma barca de pedra guiada por anjos
Conta a lenda que, num momento em que o discípulo de Jesus ponderava abandonar a sua missão, a Virgem lhe apareceu chegando numa barca de pedra guiada por anjos. Dessa forma, deu-lhe novas forças para continuar a sua missão evangelizadora. A devoção à conhecida Virgem da Barca cresceu então de tal maneira que foi construída uma basílica em sua honra naquele lugar. Este acontecimento milagroso levou à Coroação da Virgem da Barca em 1947.
Dessa aparição terão ficado os restos da barca, representados por três pedras localizadas em redor do templo: a Pedra de Abalar (o casco da embarcação), a Pedra dos Rins — Cadrís, em galego — (a vela) e a Pedra do Timão. Nos últimos tempos, juntaram-se ainda outras duas pedras mágicas ao local: a Pedra da Cabeça — associada à cura de males relacionados com esta parte do corpo — e a Pedra dos Namorados, onde se diz que os casais vão jurar amor eterno.
A atração enigmática e fervorosa do Santuário da Barca ultrapassa fronteiras e tornou-se destino de peregrinação: o Caminho Fisterra-Muxía — que no último ano registou cerca de 2.400 peregrinos —; a Via Mariana Luso-Galaica, desde Braga até Muxía — com cerca de 300 peregrinos que completaram o percurso de mais de 400 quilómetros —; e ainda os Caminhos da Barca, tradicionalmente percorridos por romeiros da Costa da Morte e de outras comarcas vizinhas.





Origem medieval
A Romaria da Virgem da Barca tem raízes medievais, embora os primeiros documentos que comprovam a sua existência remontem ao século XVII. São, assim, mais de 400 anos de devoção à Santa, padroeira dos marinheiros da região, que deram origem a uma celebração multitudinária e multicultural.
Enquanto, no início, apenas se realizava a romaria religiosa, a partir do final do século XIX começaram a ser incorporadas atividades lúdicas, conciliadas com a programação litúrgica. Essa tendência foi crescendo até dar origem às festividades atuais: quatro dias de intensa atividade onde convivem o recolhimento religioso e as propostas culturais e de lazer.
Destacam-se, por um lado, os diversos ofícios religiosos, incluindo a Missa Campal do dia principal da Romaria — o Domingo da Barca — celebrada ao ar livre, bem como as procissões em que a imagem da Virgem da Barca — datada do final do século XV — percorre esta vila piscatória acompanhada por multidões de fiéis.
Por outro lado, as ruas de Muxía enchem-se de atuações de grandes orquestras e artistas internacionais que atraem milhares de pessoas, arruadas musicais, um espetáculo noturno de fogo de artifício junto ao mar e a maior salva de bombas de palanque da Galiza, que continua a surpreender habitantes locais e, sobretudo, visitantes.
A indómita Costa da Morte
Além da celebração em si, os visitantes aproveitam para descobrir a impressionante região da Costa da Morte. Juntamente com Fisterra, Muxía é um destino-chave numa das rotas do Caminho de Santiago, oferecendo aos visitantes a oportunidade única de contemplar o último raio de sol da Europa Ocidental.
Com paisagens autenticamente atlânticas, uma costa singular, gastronomia excecional e produtos locais distintivos, este destino de turismo sustentável proporciona uma vasta gama de experiências inesquecíveis.
Conteúdo Patrocinado por Associação Cultural para a Romaria da Barca de Muxía (Galiza-Espanha)

























