Liza Martins
Liza Martins

Liza Martins abandonou uma carreira de sucesso para viajar. A sua jornada começou a 9 de outubro de 2014 quando decidiu pegar na mochila e “atirar-se ao mundo”. Onze anos depois já visitou 50 países em cinco continentes e o objetivo é continuar a explorar, até ser “bem velhinha”.

Em entrevista ao Vou Sair, a viajante portuguesa faz um balanço destes anos e inspira viajantes a solo, principalmente mulheres, a começar uma viagem do zero.

Tudo começou quando Liza Martins teve a oportunidade de sair voluntariamente do Banco onde trabalhou durante 20 anos. “Eu já viajava em todas as minhas férias e ficava sempre com a sensação de que as mesmas não eram suficientes para conhecer tudo o que queria”, começou por dizer a viajante, revelando que encarou esta oportunidade como se fosse o comboio da sua vida a passar mesmo à sua frente. “Ou saltava para dentro dele ou ficava eternamente na estação. E eu decidi saltar.”

A ideia inicial era viajar durante um ano, mas, neste momento, já visitou mais de 600 lugares. Liza Martins, quando começou a sua jornada, percebeu que viajar “era o que tinha nascido para fazer”. “A alegria e tranquilidade que sentia ao despertar em cada manhã, a forma como me sentia em casa em cada lugar e a leveza que sentia em tudo o que fazia eram sinais de que estava a fazer precisamente o que tinha vindo fazer nesta vida. E ao fim de 11 anos, continuo a acordar com a mesma sensação e uma enorme gratidão.”

Liza Martins acredita que a sua viagem espalha uma onda de esperança por onde passa: “O facto de ser uma mulher, com 52 anos, a viajar sozinha, abre horizontes a muitas mulheres do mundo inteiro, que descobrem que há outras formas de viver e ser feliz.”

Liza Martins prefere viajar sozinha por lhe dar uma maior sensação de liberdade. “Poder mudar de planos em breves segundos, sem ter de perguntar e respeitar outra opinião, é muito libertador. Além disso, quando estamos sozinhas, temos mais disponibilidade para conhecer e interagir com outros viajantes e especialmente com os habitantes dos lugares que visitamos – e as pessoas também têm mais curiosidade em nos conhecer.”

Questionada sobre que conselhos daria a uma mulher que quer viajar sozinha, Liza Martins disse que o segredo é “ir”. “A felicidade está literalmente do outro lado do medo – e ele vai desaparecer com o tempo. Aconselho a começar devagarinho: por exemplo, com uma viagem dentro de Portugal e depois na Europa. E à medida que [a mulher] for ganhando confiança e segurança, dar saltos maiores.”

Quando se viaja sozinha, uma das primeiras questões que se coloca é saber se o destino é seguro. Liza Martins não gosta de estereotipar os países, pois o “mundo muda a cada instante” e um país inseguro hoje pode tornar-se o mais seguro amanhã. El Salvador, por exemplo, “era um país muito inseguro há dez anos. No entanto, o país mudou bastante e há três anos decidi conhecê-lo – e senti uma segurança inquestionável de dia e de noite”.

“Este ano visitei, pela primeira vez, a China e senti-me acolhida e protegida. Também estive na Índia, um país muito temido pela maioria das mulheres, mas eu só tive boas experiências.” Liza Martins afirma que é importante respeitar a cultura de cada lugar, particularmente o código de vestuário, “para não chamarmos demasiado a atenção”.

Por sua vez, os países que mais gostou de conhecer foram o Brasil, a Indonésia (mais especificamente Bali), o México, a Austrália, a Índia e a China. “Estes são os países aos quais volto sempre, porque me sinto muito acolhida ou porque têm imenso para explorar. Há outros países que visito uma vez e sinto que ficaram vistos, normalmente porque são mais pequenos e, numa só visita, consigo ver tudo o que quero.”

Nestes 11 anos de viagens, Liza viveu várias aventuras, mas há algumas que ficarão para sempre na memória: “Os dias em que visitámos uma das maravilhas do mundo, sentimos a força de um terramoto, dormimos com um elefante no jardim ou ouvimos o rugido de um leão perto da nossa tenda.”

Liza Martins recomenda que tente viajar com margem de manobra para mudar de planos se nessário. “Há lugares que sempre nos convidam a permanecer mais tempo e outros que não precisam de tanta dedicação. O segredo é ter tempo para apreciar a cultura local, saborear a gastronomia, fazer coisas que não estão no roteiro e passar um dia inteiro apenas a observar e a estar.”

Todos os dias, acrescenta, “temos uma nova realidade: nova casa, moeda, língua, comida, clima, cultura, hábitos e um novo fuso horário. Cada mudança é o recomeço de uma nova vida”.

Para terminar, revelou que faz sempre os seus roteiros de viagem, não recorrendo a profissionais do setor do turismo. “Quando saí de Portugal tinha um plano para um ano e 15 países em quatro continentes. À medida que fui caminhando e conhecendo mais, comecei a acrescentar mais lugares à lista – e percebi que o melhor mesmo era ir adaptando o roteiro ao longo da jornada.”

“Tento aproveitar ao máximo as grandes viagens de avião. Por exemplo, se estou num determinado continente, tento conhecer o mais que posso. Quando sinto a necessidade de uma mudança radical, salto para outro [continente]”, salientou.

Nestes 11 anos, Liza Martins esteve quatro vezes nas Américas, duas vezes na Oceânia e quatro vezes na Ásia. Cruzou a África por terra, desde a África do Sul até ao Egito, e viajou pela Europa durante seis meses.

Sem data para regressar a Portugal, Liza Martins termina a entrevista a afirmar que ainda quer visitar cerca de 50 países na Europa e no Médio Oriente.

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