Canfranc Estación, a Royal Hideaway Hotel. Créditos: Barceló
Canfranc Estación, a Royal Hideaway Hotel. Créditos: Barceló

Nos picos nevados dos Pirenéus espanhóis, há uma estação de comboios que foi durante décadas um símbolo de abandono. Canfranc, conhecida como o “Titanic dos Pirenéus”, nasceu em 1928 com a promessa de ser um dos maiores e mais glamorosos nós ferroviários da Europa. Quase um século depois, recupera finalmente o seu esplendor, não como estação, mas como um luxuoso hotel de 5 estrelas: o Canfranc Estación, a Royal Hideaway Hotel.

Com mais de 200 metros de fachada em estilo Beaux-Arts, Canfranc parecia desproporcional no pequeno vilarejo montanhoso que lhe deu nome. Era, à data da inauguração, a segunda maior estação ferroviária da Europa, apenas atrás da monumental Leipzig Hauptbahnhof, na Alemanha.

Mas o sonho depressa se tornou maldição. Um incêndio destruiu parte da estação apenas três anos após a inauguração. A crise económica, a Guerra Civil Espanhola e, mais tarde, a Segunda Guerra Mundial transformaram Canfranc em palco de histórias de espionagem, fugas e contrabando. Já em 1970, um acidente ferroviário do lado francês cortou definitivamente a linha internacional. A estação entrou em declínio, até ser deixada ao abandono, um colosso vazio rodeado por montanhas.

Hoje, o destino mudou. Após uma profunda reabilitação liderada pelo grupo Barceló, a antiga estação reabriu em 2023 como o luxuoso Canfranc Estación, a Royal Hideaway Hotel. O projeto conserva o espírito ferroviário da década de 1920: funcionários com uniformes inspirados na época, a antiga bilheteira transformada em lobby grandioso e até um vagão restaurado que acolhe um restaurante de fine dining, distinguido com estrela Michelin.

Além do restaurante, o hotel oferece um bar Art Déco, spa, piscina interior e quartos com vista privilegiada para os Pirenéus. A experiência é tanto sobre o luxo como sobre a memória: passear pelos corredores é revisitar a época dourada das viagens de comboio.

Como chegar

Chegar a Canfranc continua a ser uma viagem algo atribulada, já que a ligação ferroviária internacional permanece interrompida, embora haja planos para a reativar. Atualmente, o acesso mais simples é a partir de Saragoça (cerca de 3h30 de viagem em comboio regional até Canfranc). Do lado francês, é possível ir de comboio até Bedous e depois de autocarro até à vila.

A melhor altura para visitar depende do que procura: no inverno, as montanhas cobertas de neve convidam a esquiar nas estâncias vizinhas de Candanchú e Astún; no verão, os trilhos de montanha são perfeitos para caminhadas.

Canfranc Estación, a Royal Hideaway Hotel. Créditos: Booking
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