Ir ao supermercado faz parte da rotina, mas quando estamos de férias noutro país, a experiência pode ser bem diferente. Entre produtos que não encontramos em Portugal, sabores inesperados e marcas que nunca vimos antes, os corredores acabam por ser uma forma simples de perceber o que os habitantes locais comem e compram.

A ideia ganhou até um nome: “grocery store tourism”, ou turismo de supermercado. A tendência está a conquistar espaço nas viagens de 2026, com cada vez mais turistas a incluir uma passagem pelo supermercado no roteiro, seja para descobrir produtos locais, seja para levar alguns deles de volta para casa.

O fenómeno já foi destacado pela Condé Nast Traveller entre as tendências de viagem deste ano e também aparece no relatório de tendências da Hilton. Segundo os dados da cadeia hoteleira, 77% dos viajantes dizem gostar de visitar supermercados locais durante as viagens.

Porque é que os supermercados se tornaram uma atração?

Parte do interesse está precisamente naquilo que não aparece nos roteiros turísticos. Uma ida ao supermercado permite encontrar sabores, marcas e produtos que fazem parte do quotidiano de cada destino, desde versões diferentes de batatas fritas a bebidas regionais, doces e outros produtos que dificilmente encontramos em Portugal.

A Condé Nast Traveller descreve estes espaços como uma espécie de janela para os hábitos culinários locais. E há outra vantagem: não é preciso pagar entrada nem fazer uma reserva. Basta entrar e percorrer os corredores, com a possibilidade de experimentar ou levar para casa aquilo que despertar a curiosidade.

É aí que entra outra parte importante do fenómeno. Em vez do tradicional íman para o frigorífico ou da caneca com o nome da cidade, os viajantes podem regressar com bolachas, chocolates, doces, molhos, conservas, bebidas ou outros produtos locais.

Para quem gosta de comida, a visita pode ser também uma forma de descobrir sabores que provavelmente não apareceriam numa refeição num restaurante. O corredor dos snacks pode revelar tanto sobre um destino como uma ementa tradicional.

Da Itália ao Japão, o roteiro passa pelos corredores

Não existe propriamente uma lista oficial dos “melhores supermercados do mundo”. A graça da tendência está precisamente em descobrir aquilo que muda de país para país.

No Japão, por exemplo, as famosas 7-Eleven tornaram-se atrações turísticas por direito próprio. As lojas de conveniência japonesas estão cheias de onigiri, caixas de comida preparada, sanduíches, sobremesas e produtos sazonais que mudam frequentemente. Alguns locais permitem até preparar determinados alimentos na própria loja.

A cadeia 7-Eleven é particularmente popular nas redes sociais, onde as chamadas snack hauls, vídeos em que os viajantes mostram tudo o que encontraram nos corredores, ajudaram a transformar estas lojas numa paragem quase obrigatória para quem visita a Ásia.

Em Itália, vale a pena procurar produtos que raramente chegam aos supermercados portugueses, como diferentes tipos de pasta, pesto, cremes de pistácio, chocolates e produtos regionais. Em Milão, por exemplo, a histórica Peck funciona quase como uma montra da gastronomia italiana, com queijos, enchidos e trufas.

Em França, uma passagem pelo supermercado pode revelar muito mais do que a habitual baguete. Há corredores inteiros dedicados a queijos e iogurtes, padarias com pão fresco, manteigas, produtos regionais e uma variedade de bolachas e doces que dificilmente encontramos em Portugal.

E há um destino que nos é particularmente próximo: Espanha. Para muitos portugueses, uma ida ao Mercadona já faz parte das escapadinhas ao país vizinho, mas a cadeia também ganhou uma espécie de estatuto de atração turística entre viajantes estrangeiros, que procuram sobretudo produtos de marca própria, azeite, charcutaria, doces e produtos de padaria.

Para quem viaja para a Finlândia, por exemplo, os supermercados podem ser uma oportunidade para encontrar produtos com os famosos Moomins, enquanto na Suécia há desde tubos de queijo e caviar a produtos como o surströmming, o arenque fermentado conhecido pelo cheiro particularmente intenso.

A ideia não é necessariamente procurar os supermercados mais sofisticados. O interessante está em entrar num espaço frequentado por quem vive naquela cidade e perceber o que aparece nas prateleiras e nos carrinhos de compras.

A tendência tem ainda uma componente prática. Com as refeições fora de casa a pesarem cada vez mais no orçamento de uma viagem, comprar alguns alimentos no supermercado pode ser uma forma simples de reduzir despesas.

Os dados da Hilton mostram que 48% dos viajantes cozinham pelo menos algumas refeições quando estão fora de casa. Quem fica num apartamento com cozinha pode aproveitar para escolher ingredientes locais e preparar um jantar, enquanto quem está num hotel pode simplesmente comprar snacks, doces ou bebidas que dificilmente encontraria em Portugal.

No fundo, é uma maneira bastante simples de tornar uma viagem mais interessante. Na próxima vez que estiver de férias, reserve meia hora para entrar num supermercado local. Pode ser aí que encontre algumas das coisas que mais vai querer trazer na mala.

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