Créditos: Lisboa Incomum

Num concerto tradicional, a música chega ao público a partir do palco. No Festival Imersivo, os sons podem surgir de diferentes pontos da sala, movimentar-se à volta dos espectadores e criar a sensação de que estamos dentro da própria composição. É esta a proposta do evento, que regressa a Lisboa esta sexta-feira, 9 de outubro.

Durante três dias, até domingo, 11 de outubro, o Lisboa Incomum recebe concertos, instalações de realidade virtual e conversas sobre a relação entre música e tecnologia. A quinta edição do evento, organizada pelo Projecto DME, tem entrada gratuita, mediante inscrição.

O grande destaque são os dois sistemas de som em forma de cúpula instalados no espaço. Através da distribuição do áudio por diferentes pontos, permitem criar a sensação de que os sons se movimentam à volta dos espectadores, tornando a própria sala parte da experiência musical.

A programação é dedicada à música eletroacústica, que combina instrumentos tradicionais com sons eletrónicos, gravações e outras formas de manipulação sonora. Algumas das obras são também acusmáticas, o que significa que o público ouve os sons sem ver necessariamente a sua origem.

A abertura acontece esta sexta-feira, às 18 horas, com a inauguração de Medusa, uma instalação de realidade virtual e eletrónica multicanal criada pelo compositor Ricardo Almeida. A obra explora temas como a perda de autonomia, a manipulação e a influência da tecnologia no comportamento humano, recorrendo a ambientes digitais e a paisagens de Lisboa transformadas. A instalação poderá ser visitada novamente no sábado e no domingo, entre as 14 e as 17 horas.

Três dias de concertos e experiências sonoras

O primeiro concerto começa na sexta-feira, às 19h30, com Hugo Vasco Reis e Trevor McTait. A atuação junta viola de arco e eletrónica, incluindo a estreia mundial de Re-Memory I, uma composição de Hugo Vasco Reis que explora a memória através do som.

O programa inclui ainda obras que recorrem a gravações de ambientes naturais, sons de estruturas metálicas e outras experiências sonoras pouco habituais.

No sábado, às 18 horas, realiza-se uma conversa dedicada ao futuro da música eletroacústica e às possibilidades da realidade virtual e dos sistemas de som imersivos. Segue-se um concerto às 19h30.

O último dia mantém o mesmo formato, com uma mesa-redonda às 18 horas, desta vez dedicada à voz, e um concerto de encerramento às 19h30. Entre as obras apresentadas está Carta aos Ouvintes que estão Aqui Dentro desta Sala, de Marta Domingues, uma estreia mundial encomendada pelo Projecto DME.

O Festival Imersivo realiza-se no Lisboa Incomum, um espaço dedicado à criação artística contemporânea e à experimentação musical. Para participar, basta preencher o formulário de inscrição, disponível no site oficial, onde também pode ser consultado o programa completo.

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