Há quem marque os restaurantes três meses antes da viagem, quem só queira saber onde vai jantar quando começar a ter fome e quem tenha uma folha de Excel com todos os gastos do grupo. Depois há aquela pessoa que acorda às 7 horas para visitar um museu enquanto os restantes ainda estão a recuperar da noite anterior.
Viajar com amigos, família ou em casal pode ser uma ótima forma de criar memórias. Também pode ser a altura em que descobrimos características dessas pessoas que, até então, desconhecíamos por completo.
Afinal, uma coisa é encontrar alguém para jantar durante duas horas. Outra é passar vários dias juntos, enfrentar filas no aeroporto, atrasos de voos, malas perdidas, jet lag e decidir, pela quarta vez no mesmo dia, onde é que toda a gente quer comer.
Inspirada no conceito das cinco love languages, popularizado na década de 1990, a Condé Nast Traveller decidiu criar as “linguagens do amor das viagens”. A revista identificou oito personalidades que tendem a aparecer durante as férias e, mais importante ainda, aquelas que podem não ser propriamente a companhia ideal umas para as outras.
Qual delas é a sua?
1. O Planeador

É provavelmente a pessoa que tornou a viagem possível. Fez o itinerário, comprou os bilhetes, reservou os restaurantes e sabe exatamente a que horas têm de sair do hotel para chegar ao museu às 10h15.
Segundo a Condé Nast Traveller, é uma espécie de “diretor de operações” das férias. Ter um planeador no grupo pode facilitar bastante a vida dos restantes, desde que consiga aceitar que nem tudo tem de acontecer à hora prevista.
Com quem pode entrar em conflito: o Explorador Cultural, que prefere descobrir lugares pelo caminho e acrescentar uma galeria ao programa só porque passou à porta.
Destino ideal: uma escapadinha por uma cidade europeia onde possa planear museus, visitas, restaurantes e passeios. Porto, Marselha ou Turim são algumas das sugestões da revista.
O que não pode esquecer: deixar algum espaço livre no itinerário. Às vezes, os melhores momentos da viagem não estavam na folha de Excel.
2. O Fotógrafo

É aquela pessoa que encontra a mesa com melhor vista, a rua mais bonita e o sítio perfeito para ver o pôr do sol antes de toda a gente.
Normalmente, é bastante descontraída e não se importa de alterar os planos, desde que pelo caminho apareçam lugares bonitos. Há ainda boas probabilidades de ter levado os melhores looks da viagem e de acabar a emprestar metade da mala aos amigos.
Com quem pode entrar em conflito: aparentemente, com ninguém. Segundo a Condé Nast Traveller, é suficientemente descontraído para viajar com praticamente qualquer um dos outros perfis.
Destino ideal: qualquer lugar com paisagens que justifiquem encher a galeria do telemóvel. Pode ser uma caminhada pelas Falésias de Moher, na Irlanda, uma viagem pelos Alpes ou uma road trip pela Nova Zelândia.
O que não pode esquecer: carregadores. Muitos carregadores.
3. O Tesoureiro

“Quem é que ainda não pagou o jantar de ontem?”
Se há alguém que sabe responder imediatamente, encontrou o Tesoureiro. É o diretor financeiro das férias, responsável por guardar recibos, dividir contas e atualizar religiosamente o Splitwise.
Costuma formar uma boa dupla com o planeador, já que enquanto um garante que o programa funciona, o outro certifica-se de que ninguém rebenta o orçamento ao segundo dia.
Com quem pode entrar em conflito: o Notívago. Uma saída espontânea que termina às cinco da manhã pode fazer desaparecer uma parte considerável do orçamento que estava destinado aos restantes dias.
Destino ideal: algum lugar onde consiga provar que é possível fazer umas boas férias sem gastar uma fortuna.
O que não pode esquecer: uma carteira de viagem onde possa organizar dinheiro, cartões e todos aqueles recibos que ninguém mais quer guardar.
4. O Navegador

Não precisa do Google Maps e, de alguma forma, sabe sempre voltar ao hotel. É a pessoa que segue à frente enquanto todo o grupo confia cegamente que está a ir na direção certa.
É particularmente valiosa quando as ruas começam todas a parecer iguais ou quando os restantes já nem sabem de que lado da cidade vieram.
Com quem pode entrar em conflito: novamente, o Explorador Cultural. É difícil levar um grupo de A para B quando alguém decide que é absolutamente essencial visitar uma pequena galeria que encontrou numa rua paralela.
Destino ideal: Marraquexe, onde pode testar o sentido de orientação entre as ruas e ruelas da medina.
O que não pode esquecer: alguma coisa que permita aos restantes encontrá-lo facilmente no meio da multidão.
5. O Notívago

Começa o dia com um brunch e pode terminá-lo quando os outros já estão a acordar.
É a pessoa que faz amigos em qualquer lugar, convence o grupo a entrar “só para beber um copo” e aparece com um plano completamente diferente daquele que estava combinado. Tem energia aparentemente inesgotável e um talento especial para encontrar os sítios mais animados de qualquer cidade.
Com quem pode entrar em conflito: o Planeador. Sobretudo quando um quer regressar ao hotel às cinco da manhã e o outro marcou uma visita guiada para as nove.
Destino ideal: algum lugar onde a vida noturna faça parte da experiência. Ibiza é a escolha da Condé Nast Traveller.
O que não pode esquecer: analgésicos para a manhã seguinte.
6. O Explorador Cultural

Não consegue passar por um museu sem entrar, pesquisou a história da cidade antes de chegar e provavelmente aprendeu meia dúzia de frases na língua local.
Quer ver monumentos, exposições e galerias e gosta de descobrir lugares que não estavam necessariamente no roteiro. Também é aquela pessoa que insiste em pedir a conta no idioma local, mesmo que a pronúncia deixe bastante a desejar.
Com quem pode entrar em conflito: o Foodie, que preferia não assistir a mais uma tentativa embaraçosa de encomendar o jantar na língua local.
Destino ideal: Tbilisi, capital da Geórgia, onde não faltam cultura, vinho e natureza para descobrir.
O que não pode esquecer: um bloco de notas para guardar todas as recomendações que vai inevitavelmente encontrar pelo caminho.
7. O Gestor de Crises

O voo foi cancelado, uma mala desapareceu e ninguém sabe a morada do hotel. Enquanto o resto do grupo entra em pânico, há uma pessoa estranhamente calma a tentar resolver tudo.
É o Gestor de Crises. Sabe onde estão os documentos, guardou os números importantes, conhece o contacto do hotel e provavelmente já está a pesquisar a alternativa antes de os outros perceberem exatamente o que aconteceu.
Com quem pode entrar em conflito: adapta-se praticamente a qualquer pessoa. Ainda assim, se também quiser descansar durante as férias, talvez seja melhor evitar o Notívago e a sucessão de pequenos problemas que podem acompanhar as suas aventuras.
Destino ideal: um lugar tão tranquilo quanto ele. Uma ilha grega, por exemplo.
O que não pode esquecer: um baralho de cartas. Se tudo correr mal, pelo menos há entretenimento enquanto esperam.
8. O Foodie

Escolheu o destino pelos restaurantes e há uma forte possibilidade de já saber onde vai jantar antes de comprar os voos.
Para este viajante, conhecer um país passa inevitavelmente pela comida. Não se importa de acordar mais cedo para ir a um mercado, atravessar a cidade para experimentar uma especialidade ou acrescentar uma quarta refeição ao dia porque “não sabemos quando voltamos”.
Com quem pode entrar em conflito: o Tesoureiro. Se encontrou aquele restaurante que queria mesmo experimentar, a última coisa que quer ouvir é que ultrapassa o orçamento diário.
Destino ideal: qualquer lugar onde comer seja uma das principais razões para viajar.
O que não pode esquecer: espaço na mala. Entre produtos locais, recordações gastronómicas e tudo aquilo que decidiu trazer “só para provar em casa”, provavelmente vai precisar.
Claro que ninguém tem de encaixar perfeitamente numa única categoria. Pode ser o planeador que também escolhe todos os restaurantes, o fotógrafo que nunca sabe onde está ou o tesoureiro que perde completamente o controlo do orçamento quando chega a hora de sair à noite.
Ainda assim, a lista da Condé Nast Traveller pode ajudar a explicar porque é que há amigos com quem viajar parece tão fácil e outros com quem três dias de férias são suficientes para testar anos de amizade.


































