Quando pensamos em parques naturais europeus, os nomes mais famosos surgem quase automaticamente: Dolomitas, Lagos da Escócia ou fiordes noruegueses. Mas espalhados pela Europa existem centenas de parques nacionais muito menos conhecidos, onde ainda é possível caminhar durante horas sem multidões, mergulhar em lagos praticamente vazios ou atravessar florestas que parecem saídas de outro século.
A National Geographic reuniu alguns dos parques nacionais menos explorados do continente para descobrir este verão. A lista vai de desertos improváveis na Polónia a arquipélagos escondidos na Finlândia, passando até por um parque português que continua a ser um dos segredos mais bonitos da Península Ibérica.
Exmoor, Reino Unido

Entre Somerset e Devon, o Parque Nacional de Exmoor continua a ser um dos menos visitados do Reino Unido. Aqui, a paisagem alterna entre colinas verdes, falésias dramáticas, florestas antigas e vales estreitos onde o silêncio parece absoluto.
Uma das experiências mais procuradas é percorrer o trilho costeiro entre Porlock e Combe Martin, atravessando pequenas enseadas, caminhos sobre o mar e zonas onde ainda vivem cavalos selvagens e veados vermelhos. O parque alberga cerca de três mil veados, além dos famosos póneis de Exmoor e várias espécies raras de aves.
Para quem prefere explorar a natureza de forma mais tranquila, existem também safáris em Land Rover organizados por operadores locais.
Linnansaari, Finlândia

Se existe um país que domina o conceito de desconexão total, provavelmente é a Finlândia, e o Parque Nacional de Linnansaari ajuda a explicar porquê.
Localizado no enorme lago Saimaa, o parque é composto por mais de 130 ilhas rodeadas por água cristalina, florestas de bétulas e pinheiros e uma tranquilidade quase difícil de encontrar noutras partes da Europa.
Aqui, o verão vive-se sobretudo dentro de água. Canoagem, paddle, mergulhos em lagos gelados e passeios de barco fazem parte da experiência. O parque é ainda um dos poucos locais do mundo onde é possível observar a rara foca-anelada de Saimaa.
A pequena aldeia de Oravi funciona como ponto de partida para excursões, aluguer de equipamentos e travessias entre ilhas.
Mercantour, França

A poucos quilómetros da Riviera Francesa e da fronteira italiana, existe um dos parques mais subestimados dos Alpes.
O Parque Nacional de Mercantour combina aldeias alpinas, lagos azul-turquesa, trilhos de montanha e picos que ultrapassam os três mil metros de altitude. E, apesar da proximidade a Nice, continua bastante longe das multidões típicas de outros destinos alpinos franceses.
Durante o verão, o parque transforma-se num verdadeiro playground para quem gosta de aventura. Há percursos de hiking, escalada, canyoning e vias ferratas suspensas sobre vales impressionantes.
Uma das zonas mais fascinantes é a dos vales de Merveilles e Fontanalba, conhecidos pelas gravuras rupestres da Idade do Bronze espalhadas pela montanha.
Matsalu, Estónia

Para quem gosta de natureza mais selvagem e observação de aves, Matsalu é um pequeno paraíso escondido na Estónia. O parque é composto por pântanos, zonas húmidas, ilhas e prados costeiros junto ao mar Väinameri. Todos os anos, milhões de aves migratórias passam por aqui durante as rotas entre o norte da Europa e destinos mais quentes.
Águias-de-cauda-branca, grous, mergulhões e cegonhas-negras fazem parte da paisagem habitual.
Além dos trilhos pedestres, é possível explorar a região através de passeios de barco e canoa que atravessam pequenas aldeias piscatórias e zonas praticamente intocadas.
Słowiński, Polónia

No norte da Polónia existe um lugar que muitos apelidam de “Saara polaco”. O Parque Nacional de Słowiński é conhecido pelas suas enormes dunas móveis junto ao mar Báltico, algumas com mais de 40 metros de altura. O vento altera constantemente a paisagem, criando uma sensação quase surreal de deserto europeu, mas o parque vai muito além da areia. Existem lagos costeiros, florestas de pinheiros, zonas húmidas e uma enorme diversidade de vida selvagem, incluindo castores, lontras e veados.
A cidade costeira de Łeba é a principal porta de entrada e um dos melhores pontos para começar a explorar os trilhos de bicicleta ou a pé.
Peneda-Gerês, Portugal

No extremo norte de Portugal, longe das praias cheias e do turismo mais massificado, o Parque Nacional da Peneda-Gerês continua a ser um dos lugares mais especiais do país.
É o único parque nacional português e protege montanhas graníticas, aldeias históricas, trilhos romanos, cascatas escondidas e tradições rurais que parecem ter parado no tempo.
Existem pequenas aldeias de pedra onde a vida continua muito ligada à agricultura e aos ritmos da natureza, como Soajo, conhecida pelos seus espigueiros tradicionais.
Ao longo dos trilhos, é possível cruzar-se com cavalos Garranos em liberdade, vacas Barrosãs ou até cabras-montesas. Já os lobos ibéricos continuam protegidos na região, embora sejam muito difíceis de avistar.
Nos últimos anos, o Gerês tornou-se cada vez mais popular entre viajantes estrangeiros, mas continua a conseguir manter uma sensação rara de autenticidade.
Garajonay, Espanha

Na ilha de La Gomera, nas Canárias, existe uma floresta que parece saída de um filme de fantasia. O Parque Nacional de Garajonay é Património Mundial da UNESCO e protege uma das últimas grandes florestas de loureiros da Europa, remanescente de ecossistemas que existiam há milhões de anos.
Entre nevoeiro constante, árvores cobertas de musgo e ravinas vulcânicas, caminhar aqui dá mesmo a sensação de regressar a um mundo pré-histórico.
O parque é especialmente conhecido pelos seus trilhos panorâmicos e pelos céus extremamente escuros, ideais para observação de estrelas.
Num verão em que cada vez mais viajantes procuram fugir das multidões, estes parques mostram que ainda existem lugares na Europa onde a natureza continua a ser a protagonista absoluta.


























