Time Out Market, Lisboa. Créditos: Dmitrii E/Unsplash

Na azáfama do dia a dia, a vida parece dividir-se quase sempre entre dois lugares: a casa e o trabalho. Mas é nos third spaces (terceiros lugares) que a dimensão social ganha protagonismo: ambientes públicos e informais onde as pessoas se encontram voluntariamente para conviver, descontrair e criar laços, longe das obrigações profissionais ou domésticas.

O conceito foi teorizado em 1989 pelo sociólogo norte-americano Ray Oldenburg, no livro The Great Good Place, para descrever estes espaços de encontro e convivência, como cafés, bares, bibliotecas ou parques. Décadas depois, a ideia ganhou nova popularidade, impulsionada também nas redes sociais pela nostalgia de uma vida mais comunitária.

No turismo, os third spaces podem assumir uma nova dimensão. À medida que os viajantes procuram experiências mais autênticas e uma maior ligação às comunidades locais, estes lugares tornam-se pontos de contacto entre quem visita e quem vive no destino.

O relatório The State of Travel 2026, citado pela Euronews, mostra precisamente esta mudança: os viajantes estão cada vez mais interessados na autenticidade e na imersão cultural nas comunidades que visitam.

Dos banhos públicos na China às grandes mesas dos mercados gastronómicos, são vários os espaços que permitem ao viajante sentir-se como um participante ativo na vida comunitária local.

Third spaces que vale a pena conhecer numa viagem

Um dos exemplos mais curiosos encontra-se na China, nas chamadas casas comunitárias de banho. Estes centros urbanos de banhos evoluíram de locais de higiene para resorts de bem-estar e entretenimento, alguns abertos 24 horas por dia.

Por um bilhete diário, em alguns casos, de apenas 99 ¥ (menos de 13€), é possível desfrutar de saunas, buffets de marisco, cinemas, salas de jogos, cápsulas para dormir e e conviver de forma relaxada com os outros visitantes.

Qinghe Peninsula Hot Spring Resort Hotel, China. Créditos: trip.com

No Japão, os super sentō seguem uma lógica semelhante. Estes grandes complexos mantêm a tradição dos banhos públicos, mas acrescentam restaurantes, saunas, massagens e áreas de descanso.

De acordo com a Japan Experience, operador turístico especializado no Japão, os banhos públicos desempenham um papel relevante na sociedade japonesa, funcionando também como espaços de interação e convivência comunitária.

Os super sentō atraem públicos diversificados, incluindo famílias e gerações mais jovens, e permitem passar várias horas entre piscinas, saunas, restaurantes e zonas de relaxamento. Dependendo do espaço, a entrada pode custar cerca de 400 a 600 ¥ (menos de 3€).

A ideia de transformar o bem-estar num espaço de convívio também chegou à Europa. O Therme Bucharest, na Roménia, e o Therme Erding, na Alemanha, são dois exemplos de complexos que combinam piscinas, áreas de relaxamento, restauração e entretenimento.

Segundo a European Waterpark Association, o Therme Bucharest é o maior centro de relaxamento e entretenimento da Europa, construído de forma sustentável, sob um conceito de bem-estar para um estilo de vida moderno. O centro de bem-estar recebe mais de 1 milhão de visitantes todos os anos e os preços dos bilhetes para as termas começam nos 63 lei (ou cerca de 12 €).

Já o Therme Erding, com preços a partir dos 25€, tem amplos jardins termais, com confortáveis espreguiçadeiras, piscinas ao ar livre e bares junto à piscina, que fazem com que o dia-a-dia pareça muito distante, segundo a associação.

Outro exemplo desta lógica são os mercados gastronómicos culturais. Conceitos como os mercados Time Out transformaram edifícios históricos e espaços urbanos em pontos de encontro onde as grandes mesas fazem com que locais e turistas partilhem refeições, sem as barreiras das reservas dos restaurantes tradicionais.

Os third spaces, onde ainda podem estar incluídos parques urbanos ou até mesmo supermercados, ao contrário de muitas atrações turísticas tradicionais, não são orientados para visitantes. Estes espaços permitem entrar em contacto com a vida quotidiana do destino, tornando-os particularmente interessantes para quem procura experiências turísticas mais autênticas.

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