Praias sem fim, vistas de cortar a respiração e uma gastronomia difícil de ignorar. É no outro lado do Atlântico que o Rio de Janeiro preserva uma identidade que não se explica apenas pelos cartões-postais. É também nos bairros, na música, na mesa e na hospitalidade que se encontra uma cidade com muito para descobrir.
A convite da GOL Linhas Aéreas embarcámos rumo ao Rio de Janeiro, numa viagem de um dia que pode parecer curta para uma cidade desta dimensão. Ainda assim, houve tempo para visitar alguns dos pontos mais emblemáticos.
Por detrás do roteiro esteve a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e o Visit Rio, que contactaram C2Rio Tours & Travel, empresa “especialista em city tours e traslados regulares e privados”, para organizar um passeio de três paragens.
O tempo fora do hotel era nublado. Saímos por volta das 11h. Na parte de fora esperava Emma, uma das guias da C2Rio, que começou por explicar um pouco sobre a história do Rio de Janeiro, uma cidade colonizada pelos portugueses, mas com muitas influências francesas, sobretudo no centro. “Muita gente não sabe, mas os franceses chegaram aqui depois dos portugueses. Esse é um dos motivos para termos muita arquitetura francesa na nossa cidade, principalmente no centro”.
A primeira paragem foi a Escadaria Selarón, que liga os bairros da Lapa e de Santa Teresa. Ao todo, são 215 degraus feitos de azulejos coloridos e de diferentes partes do mundo. O nome deriva do seu criador, Jorge Selarón, “uma pessoa calma, que passou por muitas dificuldades”, conta Emma.
Segundo Emma, Jorge Selarón viajou pelo mundo antes de chegar ao Rio de Janeiro, cidade pela qual se apaixonou. Foi aqui que se instalou, na Rua Joaquim Silva, junto à escadaria que hoje tem o seu nome. Na escadaria, os azulejos não seguem um único padrão: há peças de diferentes tamanhos, cores, desenhos e origens. “À esquerda e à direita vão encontrar o vermelho, que simboliza o amor, independentemente da vossa origem. Vão também encontrar as cores do Brasil: o azul, o amarelo e o verde”, explicou Emma.
Entre as peças encontra-se a figura de uma mulher negra grávida pintada pelo próprio Selarón, que dizia apenas tratar-se de um “problema pessoal”, sem revelar a identidade.

Seguimos para o Cristo Redentor, que retrata a imagem de Jesus Cristo. Localizado no topo do Morro do Corcovado, a mais de 700 metros acima do nível do mar, é um dos monumentos mais conhecidos do Brasil e um dos mais visitados do Rio de Janeiro. A sua história começa ainda no século XIX, com o fim da escravatura. Na altura, a Princesa Isabel recebeu uma proposta para que fosse erguida uma estátua em sua homenagem, tendo recusado e sugerido, em alternativa, uma imagem do Sagrado Coração de Jesus. “Em vez de esculpirem a mim, façam o Cristo Redentor e coloquem no outeiro mais alto do centro da cidade. Será ele quem vos protegerá quando eu já não estiver por aqui”, disse Emma, atribuindo estas palavras à Princesa Isabel.
Na década de 1920, acrescentou Emma, “a Igreja Católica voltou a propor a ideia de construir o Cristo Redentor, mas não havia dinheiro suficiente. Dois anos depois, conseguiram o dinheiro e começaram a construir a estátua”. De acordo com a guia, o corpo do Cristo Redentor foi construído no Rio de Janeiro e as mãos e a cabeça foram feitas em Paris. A estátua, que é hoje uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, foi oficialmente inaugurada a 12 de outubro de 1931.
Há duas formas de chegar ao Cristo Redentor: comboio e van. Sob gestão do Grupo Cataratas, a Paineiras Corcovado é a concessionária responsável pelo transporte oficial de vans e pela gestão do Centro de Visitantes Paineiras, localizado no Parque Nacional da Tijuca. É a única operadora de vans “autorizada a levar turistas até ao Cristo Redentor”, com pontos de embarque na Praça do Lido, em Copacabana, no Largo do Machado, na Catedral Metropolitana e no próprio Centro de Visitantes Paineiras.
Ao comprar o bilhete através da Paineiras Corcovado, o visitante tem direito a transporte de ida e volta até ao Cristo Redentor. Para isso, basta apenas selecionar o ponto de partida. Cada van acomoda cerca de 12 pessoas.
A última paragem foi o Pão de Açúcar, com cerca de 396 metros de altitude. A história do icónico “bondinho” começou em 1908, quando o engenheiro Augusto Ferreira Ramos teve a ideia de ligar os morros por um sistema de cabos. O primeiro troço, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca, foi inaugurado em 1912, seguindo-se, em 1913, a ligação até ao Pão de Açúcar.
Atualmente, o Parque Bondinho Pão de Açúcar é muito mais do que um passeio de teleférico: funciona como um espaço de lazer e entretenimento, com restaurantes, bares, lojas e diferentes experiências culturais e artísticas.

*A jornalista viajou a convite da GOL Linhas Aéreas, com o apoio da Embratur e do Visit Rio


































