Dos comboios de luxo às viagens ligadas às raízes familiares, passando por museus cada vez mais imersivos e férias sem álcool, 2026 promete transformar a forma como viajamos. A Condé Nast Traveller acaba de revelar as grandes tendências de viagem para o 2026 e todas apontam para experiências mais conscientes, pessoais e ligadas à vida local.

Depois de um 2025 marcado pelo “set-jetting”, pelas escapadinhas fora do óbvio e pelas viagens guiadas pelas estrelas, este ano traz uma nova ambição: viajar melhor, com mais tempo, mais significado e menos superficialidade.

Comboios de luxo e o regresso das grandes viagens lentas

Os comboios continuam a conquistar os viajantes mais exigentes e, em 2026, deixam de ser apenas uma experiência pontual para se tornarem o fio condutor de viagens inteiras. A Condé Nast Traveller destaca o crescimento dos itinerários que combinam várias rotas ferroviárias de luxo, atravessando países e continentes ao longo de semanas.

Há novos percursos a ligar cidades icónicas, como Paris à Costa Amalfitana, e outros que percorrem regiões menos óbvias da Ásia, de África ou da Europa de Leste. Para muitos viajantes, o luxo já não está na pressa, mas no tempo: jantares longos a bordo, paisagens em movimento e a sensação de atravessar o mundo ao ritmo certo.

Viajar para descobrir as próprias raízes

Outra tendência em forte crescimento é o chamado ancestry travel. Cada vez mais pessoas planeiam viagens a partir da sua história familiar, visitando aldeias, cidades ou países ligados aos seus antepassados. Irlanda e Itália são dois dos exemplos mais procurados, com operadores especializados a cruzar investigação genealógica com experiências no terreno.

Estas viagens incluem visitas a arquivos locais, encontros com historiadores e percursos desenhados para caminhar literalmente pelas ruas onde a família viveu. Em 2026, viajar deixa de ser apenas escapismo e passa a ser uma forma de compreender quem somos.

Férias sem álcool ganham protagonismo

O dry tourism deixa de ser nicho para se tornar mainstream. Com as gerações mais novas a beberem menos, hotéis e destinos estão a adaptar-se com cartas de bebidas criativas sem álcool, experiências gastronómicas focadas no sabor e programas de bem-estar que substituem a lógica do excesso por equilíbrio.

Há bares de hotel com pairings de sumos naturais, spas que integram rituais holísticos e resorts onde o minibar é tão interessante sem álcool como antes era com.

Museus mais imersivos e participativos

Os museus também estão a reinventar-se. Em vez de espaços silenciosos e distantes, surgem instituições onde o visitante pode ver os bastidores, interagir com as coleções e viver experiências sensoriais. Há museus que permitem tocar em peças, assistir ao trabalho de conservadores ou explorar exposições com recurso a realidade aumentada.

Horários alargados, visitas noturnas e programação que cruza arte, tecnologia e performance tornam os museus parte ativa da vida urbana e não apenas paragens obrigatórias de um roteiro turístico.

Aeroportos tornam-se destinos em si mesmos

Até os aeroportos entram nesta nova lógica de viajar com mais tempo e menos pressa. Em 2026, os espaços antes da segurança deixam de ser zonas de espera sem identidade para se afirmarem como extensões culturais das cidades onde se inserem. Restaurantes de chefs locais, livrarias independentes, concept stores, áreas verdes interiores e até terraços públicos fazem parte desta transformação.

Alguns aeroportos apostam mesmo em experiências que convidam a ficar: exposições temporárias, mercados de produtores regionais e espaços pensados para encontros informais, tanto para passageiros como para quem nem sequer vai viajar. A mensagem é clara: o aeroporto deixa de ser apenas um ponto de passagem funcional e passa a ser um local onde vale a pena chegar mais cedo.

Menos tecnologia, mais curadoria humana

Apesar da omnipresença da inteligência artificial no planeamento de viagens, 2026 marca um regresso claro à recomendação humana e especializada. A Condé Nast Traveller destaca o crescimento da procura por agentes de viagens de nicho, guias locais e especialistas que conhecem profundamente os destinos e conseguem oferecer sugestões que não aparecem nos motores de pesquisa.

Em vez de itinerários genéricos criados por algoritmos, os viajantes procuram agora restaurantes sem presença online, hotéis familiares pouco divulgados ou experiências pensadas à medida, baseadas em conversas reais e conhecimento no terreno. Num mundo saturado de informação digital, o luxo passa a ser ter alguém que sabe exatamente onde levar e porquê.

Viagens guiadas pelas estrelas ganham força

Outra tendência que ganha destaque é o chamado astro-tourism, em particular no mar. Em 2026, os cruzeiros apostam cada vez mais em experiências ligadas ao céu noturno, como observação da aurora boreal, eclipses solares e fenómenos astronómicos raros.

Viajar de navio permite afastar-se da poluição luminosa e adaptar o percurso às condições meteorológicas, aumentando as hipóteses de observação. Algumas companhias levam astrónomos a bordo, organizam palestras e criam itinerários pensados especificamente para estes momentos, transformando o céu numa das principais atrações da viagem.

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