Uma viagem futurista pela mente e obra de Salvador Dalí é o desafio de “Dalí Cybernetics”, a primeira exposição imersiva e interativa dedicada ao pintor catalão em Portugal. A partir desta quinta-feira, dia 9, o ateliê OCUBO traz a Lisboa a criação internacional do estúdio criativo Layers of Reality, que será exibida na Immersivus Gallery, instalada no Museu da Água – Reservatório da Mãe D’Água das Amoreiras.

Através de projeções de grande formato, instalações interativas, hologramas e realidade virtual, a mostra incide sobre a vida, a mente e a obra de Salvador Dalí, percorrendo mais de 150 obras originais e perspetivas que refletem o seu pensamento.

De acordo com Jordi Sellas i Ferrés, Partner da Layers of Reality e diretor criativo da exposição, Dalí foi um “artista avançado no seu tempo do ponto de vista tecnológico”. “Em 1965, quando o pintor morava em Nova Iorque, Dalí deu uma entrevista a uma jornalista britânica e no meio da conversa a jornalista perguntou-lhe: Qual é o futuro da arte? Uma questão à qual o artista respondeu – Eu não estou mais interessado na pintura e na literatura, a única coisa que me interessa é a cibernética. A partir daqui, começamos a pesquisar mais sobre o autor e a tentar perceber quais os elementos fundamentais da sua vida profissional e pessoal”, afirma.

Conhecido pelo público como o “Mestre do Surrealismo”, Dalí foi o pioneiro na utilização de ferramentas digitais na criação das suas obras, tendo mesmo afirmado que, no futuro, a arte seria “substituída por formas mais fecundas, ainda impossíveis de imaginar, completamente fora dos limites das belas-artes e absolutamente em acordo com a atualidade”.

Durante os próximos seis meses é possível vivenciar, com todos os sentidos, diferentes instalações imersivas, interativas e colaborativas que proporcionam perspetivas totalmente novas sobre a obra e o pensamento de Dalí que, segundo Jordi, foi o “primeiro artista digital da história”.

“Acreditamos que, através do digital, das tecnologias, da interatividade e da realidade virtual, conseguimos aproximar muito mais pessoas que se sentiam longe das artes e, de alguma forma, atrair novo público”, revela Edoardo Canessa, produtor executivo do ateliê OCUBO.

Uma viagem pela mente do artista

Ao entrar na exposição mergulhará rapidamente na mente e vida de Salvador Dalí. Em primeiro plano, encontrará um corredor decorado com borboletas que, segundo o produtor executivo do ateliê OCUBO, simbolizavam um elemento constante dos sonhos e pinturas do artista.

Dalí acreditava que dormir era uma perda de tempo e era conhecido pela sua estranha técnica de sono. “O artista sentava-se com uma chave na mão, sobre um prato de metal, e deixava-se adormecer. Assim que perdia a consciência, a chave escorregava-lhe dos dedos e batia contra o prato – acordando-o imediatamente. Quando acordava, o pintor começava a desenhar os seus sonhos, aproveitando o momento entre o sono e a consciência para expandir a sua criatividade”, explica Jordi.

De seguida, a exposição transportá-lo-á para o século XX, década de 50 a 80, onde ficará a conhecer um pouco mais sobre a história do artista e a sua ligação à ciência e à tecnologia. “Dalí era um génio muito avançado para o seu tempo. Um génio que falava nos anos 50 e 60 de inteligência artificial e de imagens geradas pelo computador que hoje podemos fazer no século XXI, mas que na sua época só se podia sonhar”, realça Jordi.

Depois de explorar um pouco da sua história, entrará numa sala dedicada à cibernética que consiste numa instalação interativa onde alguns símbolos da iconografia daliniana são impressos digitalmente numa versão da “Princesa Cibernética”. Cada um com o seu significado, os símbolos eram elementos importantes nas obras do autor. Nesta sala, o público consegue dar asas à criatividade e pintar vários dos símbolos expostos nos ecrãs.

Por sua vez, se quer levar consigo uma experiência totalmente digital, a sala da Realidade Virtual é o lugar indicado. Aqui, mergulhará em várias paisagens emocionais do artista, incluindo o seu famoso quadro a “Persistência da Memória”.

Para terminar a exposição, não perca a Sala Imersiva, um espaço em que a arte e a tecnologia unem-se num espetáculo inovador de luz e som. Numa área de 2500m2 de projeção de quadros que se refletem na água durante 30 minutos, o público é transportado para dentro das obras do autor. “Na Sala Imersiva, o nosso objetivo foi criar uma narrativa que fosse chamativa ao público e que, ao mesmo tempo, dessemos a conhecer os interesses e obras de Dalí”, sublinha o diretor criativo da exposição.

Os bilhetes custam entre 8€ e 15€, sendo a entrada gratuita para crianças a partir dos 3 anos. Entre 9 e 12 de novembro, os bilhetes terão, excecionalmente, o custo único de 10€.

A exposição está aberta ao público de terça a sexta-feira, entre as 16h30 e as 19h, e ao sábado e ao domingo entre as 15h30 e as 19h, com sessões de 30 em 30 minutos. Os bilhetes podem ser adquiridos aqui.

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