Fomos conhecer o Fismuler, situado no piso térreo do ME Lisbon by Meliá, num cruzamento entre a Avenida Fontes Pereira de Melo e a Avenida António Augusto de Aguiar. A marca, que já era sucesso consolidado em Madrid e Barcelona, chega agora a Lisboa com a mesma filosofia que a tornou referência: pratos criados a partir do produto mais fresco do dia, criatividade sem artifícios e um ambiente descontraído que convida a ficar.

A carta, como nos explicaram logo à chegada, é sazonal e muda constantemente. Há pratos que variam diariamente. O menu é impresso todas as manhãs, o que nos deixa logo aquela sensação de que estamos a comer aquilo que realmente faz sentido naquele dia.

Instalámo-nos numa das mesas voltadas para a cozinha aberta, uma das marcas da casa, e deixámo-nos guiar pelas sugestões. Começámos pelo couvert, um patê de porco, frango e teriaki com picles caseiros. A cremosidade do patê, cortada pela acidez precisa dos picles, foi um excelente início.

Logo a seguir chegaram as ostras com ponzu e trufa (7€ cada), combinação que, no papel, pode causar estranheza, mas que fez todo o sentido. O sabor intenso a mar, refrescado pela nota cítrica do ponzu e enriquecido pela trufa, deixou-nos literalmente sem palavras.

O terceiro momento foi dos mais memoráveis: pão chinês frito com tártaro de carabineiro e crista de galo (11€). O pão, leve e quase etéreo, fez-nos lembrar a textura de uma bola de Berlim não açucarada. O tártaro estava fresco e com aquele sabor a mar que só um bom carabineiro consegue dar, e a crista de galo frita acrescentou a crocância que completava o prato. Foi, sem dúvida, o prato com as texturas mais interessantes da noite.

O arroz que nos conquistou

Estes primeiros pratos são sazonais, por isso, muito provavelmente já não os encontrará na carta, mas há sempre novas combinações deliciosas para descobrir. Quando chegou o arroz malandro de choco com caranguejo de casca mole (29€), fomos avisados de que este era “o prato com melhor feedback da casa”. Minutos depois percebemos porquê. Provavelmente o arroz mais cremoso que já comemos – intenso no sabor do choco, profundo e daqueles que torna difícil parar de comer. Por cima, o caranguejo frito, crocante e leve, criou um contraste perfeito. Foi, sem dúvida, o prato da noite.

Seguiu-se a corvina com couve e kimchi caseiro (27€). O peixe era fresco e suculento, acompanhado por uma couve com uma pasta de kimchi que acrescentava acidez e um leve toque picante.

Terminámos com a famosa tarta de queso Fismuler (8€), já conhecida em Espanha e agora replicada com o mesmo rigor em Lisboa. Cremosa, intensa e com notas pronunciadas de queijo graças ao uso de gorgonzola além do tradicional Philadelphia, é uma sobremesa que divide opiniões… mas apenas entre quem gosta “muito” ou “muitíssimo”. Para nós, podia ser sobremesa ou entrada: é viciante em qualquer contexto.

Para acompanhar tudo isto, deixámo-nos levar pela recomendação da casa e escolhemos o Arvad Negra Mole, um rosé algarvio leve na estrutura, com taninos macios e notas de fruta vermelha fresca. Um vinho que não pesa, acompanha bem pratos de intensidade média e não rouba protagonismo à comida.

E, ainda que não tenhamos experimentado, o famoso escalope san román, com ovo e trufa, finalizado à frente do cliente – um ícone em Espanha -, tornou-se também uma das grandes estrelas da casa em Lisboa.

Fismuler-Lisboa-17-1024x683 Jantámos no Fismuler, onde a carta muda todos os dias (e descobrimos o arroz mais cremoso de Lisboa)

A cozinha do Fismuler é guiada pela visão de Nino Redruello, quarta geração da Família La Ancha e criador do conceito, que defende uma cozinha assente no sabor puro do produto e na simplicidade honesta. Ao seu lado, o chef executivo Manuel Villalba garante a continuidade técnica da casa, enquanto o chef residente Nuno Dinis interpreta esta filosofia com produtos portugueses e um toque muito próprio-

Ao longo da refeição, fomos percebendo que no Fismuler existe uma linha que nunca se quebra: o respeito pelo produto e pela sazonalidade. Tudo no restaurante respira simplicidade, desde a decoração industrial com madeira reaproveitada e luz quente de velas, até ao ambiente descontraído, reforçado pela música ao vivo ao jantar. A cozinha e a sala fundem-se, a equipa trabalha com uma naturalidade contagiante e sentimos sempre proximidade sem formalismos.

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