Praga

O primeiro olhar sobre Praga é quase cinematográfico, onde cada esquina parece saída de um conto de fadas – e praças que guardam histórias que sussurram ao ouvido de quem passa. De 30 de novembro a 4 de dezembro de 2025, embarcámos rumo à capital checa para conhecer um dos centros urbanos mais antigos da Europa, a convite do Turismo da Chéquia e da companhia aérea Smartwings, que voa duas vezes por semana entre o Porto e Praga, à quinta-feira e domingo.

Aterrámos no aeroporto de Praga às 18h35 (+1 hora do que em Portugal). O sol já se tinha posto e a cidade acendia-se lentamente com as luzes de Natal. Seguimos para o hotel, o K+K Fenix, um refúgio de 4 estrelas localizado a poucos passos de algumas das atrações mais cobiçadas, com ginásio, bar e receção aberta 24 horas. O preço médio por noite varia consoante a tipologia de quarto e época do ano.

Fora do hotel, a nossa primeira paragem foi o Cerveny jelen, um restaurante histórico que ocupa o antigo Špork Palace, construído no final do século XVIII. Atualmente, é um espaço arrojado, cheio de vida, com um tanque de cerveja em vidro, que faz referência à icónica cerveja checa. O menu, por sua vez, é composto por pratos tradicionais. Mal nos sentámos, foi-nos servido kuladja como entrada, uma sopa típica com ovo escalfado, natas, cogumelos silvestres e um pedaço de pão. Seguiu-se dumpling recheado com carne de ganso e terminámos com um vetrnik, um profiterole de caramelo e natas.

Já satisfeitos, seguimos para o hotel. No dia seguinte, o programa incluiu uma visita pela cidade, um passeio de barco pelo Moldava e uma visita ao Museu de Slivovice.

Antes de começarmos a explorar, a nossa guia Inês, do Turismo da Chéquia, partilhou connosco um pouco da história da capital. Segundo a responsável, a história de Praga remonta à Idade Média, quando se afirmou como um importante centro político, económico e cultural da Europa Central. Foi sede dos reis da Boémia e desempenhou um papel relevante no Sacro Império Romano-Germânico, sobretudo durante o reinado de Carlos IV, no século XIV. Ao longo dos séculos, atravessou conflitos religiosos, o domínio dos Habsburgos e diversas transformações políticas e culturais. No século XX, integrou a Checoslováquia, sofreu a ocupação nazi e o regime comunista, até recuperar a democracia com a Revolução de Veludo, em 1989. Hoje é conhecida pelo seu centro histórico bem preservado, pela arquitetura que atravessa várias estilos – desde o gótico até ao barroco – e pela sua forte relevância turística e cultural.

Depois de uma breve contextualização, seguimos para a Praça da Cidade Velha para ver o Orloj, um dos relógios medievais mais famosos do mundo. Instalado na fachada da Câmara Municipal da Cidade Velha, é um relógio astronómico do século XV e um dos mais antigos ainda em funcionamento. Além de indicar as horas, mostra informações astronómicas como a posição do sol e da lua, bem como o calendário. De hora em hora, atrai visitantes pelo pequeno espetáculo mecânico das figuras dos Doze Apóstolos, que simboliza valores cristãos, como a fé. Estávamos no meio da multidão quando as pequenas janelas se abriram e os apóstolos passaram em procissão, dois a dois, cada um segurando um atributo que o identifica, como chaves, um livro e uma lança.

Orloj. Créditos: Wolfgang Weiser/Unsplash

Depois do relógio, seguimos a pé pela cidade, agora envolta no ambiente natalício, que dava às ruas um ar mágico e acolhedor. Finalmente, chegámos ao Bairro Judeu. Denominado Josefov, foi fundado no século XIII pela comunidade judaica e rapidamente se tornou num centro cultural e religioso, onde cada esquina guarda memórias de uma vida marcada pela fé, pelos costumes e pela sua resiliência ao longo dos séculos.

No início do século do XX, parte do bairro foi modernizado, dando-lhe a aparência que vemos hoje: ruas mais amplas e edifícios Art Nouveau, embora ainda se preservem muitos vestígios históricos, como sinagogas, escolas, lojas e o famoso cemitério judaico.

A hora de almoço aproximava-se quando seguimos para o restaurante Krčma, na Cidade Velha. A atmosfera é marcada por paredes de pedra, mesas de madeira e elementos decorativos simples e temáticos, sem grandes modernices, realçando o charme de uma antiga taberna checa. Já sentados, o primeiro prato que nos serviram foi a clássica sopa de batata e cogumelos. Seguiu-se dumplings com carne de vaca e cebola, como prato principal, e, para terminar, uma tarte de maçã caseira.

Depois, fomos fazer um passeio de barco pelo Moldava com a Lesser Town boats. A bordo de um pequeno barco, é possível navegar pelo centro histórico da cidade e usufruir de vistas panorâmicas sobre alguns dos pontos turísticos mais importantes, como a Ponte Carlos, o Castelo de Praga e as margens pitorescas da cidade velha.

O sol já se punha quando seguimos para a nossa última paragem do dia, o Museu de Slivovice, que celebra a história de um dos destiladores de fruta mais antigos da Chéquia. O primeiro documento escrito sobre a existência de uma destilaria encontra-se na região de Vizovice, datado de 1585, embora a sua origem remonte a meados do século XVII. Naquela época, a destilação era feita a partir de resíduos de cerveja e, mais tarde, foram adicionados grãos, resultando na produção de centeio. O maior crescimento ocorreu no século XIX graças à produção de slivovitz, um licor de ameixa – uma fruta típica da região de Vizovice.

No Museu de Slivovice é possível conhecer mais detalhes sobre a história dos fundadores e aprender sobre as técnicas de destilação ao longo dos séculos, através de exposições interativas, que combinam objetos históricos, projeções e experiências sensoriais. No final, tivemos direito a uma degustação de aguardentes, acompanhada de canapés, e a um jantar típico.

Um dia na cidade termal de Karlovy Vary

O dia seguinte foi marcado por uma visita à cidade termal de Karlovy Vary, localizada a 1h45 de carro de Praga. Assim que chegámos, recebemos uma caneca de porcelana para experimentar as famosas águas termais, que estão espalhadas pela cidade e acessíveis tanto a locais como a turistas.

Segundo reza a lenda, a cidade foi fundada pelo rei checo e imperador romano Carlos IV no século XIV. Conta-se que as nascentes foram descobertas pelo governador durante a caça ao veado. Rapidamente, a cidade ganhou fama, tornando-se num destino de férias para nobres e celebridade europeias, como Beethoven e Mozart.

Karlovy Vary é atualmente conhecida pelas suas águas termais, que emergem do subsolo a temperaturas entre 30 ºC e 72 ºC, dependendo da fonte. A cidade conta com 12 fontes principais, cada uma com uma composição mineral ligeiramente diferente, rica em sais, magnésio, cálcio e sódio. Estas águas são historicamente conhecidas pelas suas propriedades terapêuticas, usadas em vários tratamentos, como o do fígado, rins e problemas digestivos.

Por último, visitámos o Jan Becher Museum para conhecer um dos licores mais famosos de Karlovy Vary: o Becherovka. A história deste museu está ligada à família Becher, que começou a produzir o famoso licor no início do século XIX na cidade.

A exposição, instalada num edifício histórico de 1867, mandado construir por Jan Becher, apresenta objetos antigos, garrafas históricas, documentos e artefactos que contam a evolução desta bebida icónica e o seu processo de produção. Durante a visita guiada, há também um pequeno filme interativo e uma degustação de bebidas produzidas pela marca. O museu permite (e permitiu-nos) conhecer a história e a importância cultural do licor Becherovka, um dos produtos mais conhecidos do país.

De volta a Praga e já prontos para jantar, fomos ao restaurante Tiskarna, de ambiente acolhedor. O menu combina a cozinha tradicional checa com um toque contemporâneo, privilegiando ingredientes sazonais e pratos saborosos que representam bem a gastronomia local. Como entrada, pedimos o típico Seletické Klobásky, três tipos de salsichas grelhadas, acompanhadas de cebola caramelizada, mostarda picante e pão quente – um prato super saboroso, que vale a pena experimentar. Depois, experimentámos o Schnitzel Holandês com queijo Gouda, puré de batata e salada de pepino. Para terminar, optámos pelo típico Trdelník com maçã assada, gelado de avelã e caramelo.

Castelo de Praga e Catedral de S. Vito

Finalmente, o último dia e nada melhor do que subir a cidade para conhecer o Castelo de Praga, fundado no século IX, como residência dos príncipes da Boémia. Atualmente, é lar do presidente da Chéquia e alberga alguns dos edifícios mais emblemáticos do país, como a Catedral de São Vito, o Antigo Palácio Real e a Rua do Ouro.

Nós tivemos a oportunidade de visitar a Catedral de S. Vito, um dos edifícios religiosos mais importantes da Chéquia. A sua construção teve início em 1344, durante o reinado de Carlos IV, com o objetivo de criar uma catedral digna do reino da Boémia. As obras prolongaram-se ao longo de vários séculos, devido a interrupções políticas e financeiras, e só ficaram concluídas no século XX.

De estilo gótico, a catedral alberga túmulos de reis checos, imperadores do Saco Império Romano-Germânico e de São Venceslau, padroeiro do país. Além da sua importância religiosa, é um símbolo nacional e um dos maiores testemunhos da história, da arte e da identidade checa.

Depois, seguimos para a Rua do Ouro, ocupada por casinhas coloridas construídas no século XVI para abrigar os 24 guardiões do castelo. Um século depois, vários ourives ocuparam as casas, dando origem ao nome pelo qual a rua é conhecida hoje.

Finalmente meio-dia, seguimos para o terraço flutuante do Charles Bridge Restaurant, com vista panorâmica sobre a Ponte Carlos e o rio Moldava. A isto junta-se uma cozinha tradicional checa com um toque contemporâneo. Como entrada, a nossa escolha recaiu sobre o carpaccio com parmesão, rúcula e pão tostado. Seguiu-se o tomahawk, acompanhado de batata frita e molho tártaro, e, para terminar, um cheesecake de frutos vermelhos.

E, assim, terminou a nossa viagem a Praga com o Turismo da Chéquia e a companhia aérea Smartwings, que voa duas vezes por semana (quinta-feira e domingo) entre o Porto e Praga.

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