Uma família portuguesa decidiu, em setembro de 2022, vender a casa e o carro e embarcar numa viagem pelo continente asiático, sem data de retorno a Portugal. Em quatro meses, Djalmo e Filipa e os dois filhos do casal – André de 5 anos e Daniel com quase 2 anos – já visitaram a Indonésia, a Malásia e a Tailândia.

Djalmo, de 40 anos, e Filipa, de 38, estão juntos há mais de 20 anos. Em 2022 saíram da sua zona de conforto e decidiram embarcar numa aventura que os levou até ao outro lado do mundo. Venderam a casa e o carro e compraram bilhetes só de ida para Bali, na Indonésia, destino onde escolheram passar a lua-de-mel há mais de 10 anos.

Quando fizeram as malas e partiram para o outro lado do globo não sabiam se iam visitar apenas a Indonésia, ou se iam fazer um itinerário por diferentes países no Sudoeste Asiático. Passados quatro meses, já visitaram três países: Indonésia, Malásia e Tailândia.

“Para nós, Portugal sempre foi um lugar pequeno. Embora sejamos apaixonados pelo nosso país, e é lá que vamos regressar sempre. Para que não existam duvidas, consideramos Portugal o melhor local do mundo para se viver”, afirma o casal, que já tinha vivido cinco anos no estrangeiro e considera que essa experiência foi “muito rica” e ajudou-os “a serem pessoas melhores”.

Escolheram a Ásia porque é um zona do globo que “adoram” e onde queriam “muito voltar”. “Pesou também muito nesta decisão o André, o nosso filho mais velho, ainda não ter iniciado o ensino obrigatório e já ter maturidade suficiente para fazer uma viagem deste género”, explicam.

Planearam o primeiro mês da viagem ainda em território português. “Não podíamos correr o risco de chegar com duas crianças pequenas e não haver estrutura”, frisam. Na primeira semana em Bali ficaram alojados num resort 5 estrelas e nas três semanas seguintes numa casa alugada via Airbnb.

Após o primeiro mês de viagem, em que procuraram ter alguma estabilidade, a família tem escolhido os destinos seguintes ao sabor da viagem, com cerca de uma semana de antecedência. “Vamos ao Google Maps e vemos o que é remoto, o que nos parece mais incrível de ir, e vemos como podemos lá chegar. Se a viagem for pacifica e tivermos condições de segurança, então marcamos e partimos”, contam.

Algo que também mudou drasticamente na vida deste casal foi o local de trabalho. Djalmo e Filipa mantiveram os seus empregos e estão, desde o início da viagem, a trabalhar remotamente. Para Filipa, que é homeopata, e que dá consultas exclusivamente online, a adaptação ao trabalho remoto “está a correr bastante bem”. Filipa conta que as consultas estão a aumentar cada vez mais e que a agenda começa a ficar bastante preenchida. “É um desafio por vezes, estar em locais bastante remotos com pouca ou sem nenhuma internet e conseguir cumprir com os compromissos, mas tem acontecido com muito sucesso”.

Já para o Djalmo, que é empreendedor, os projetos online estão “a andar um pouco mais devagar, devido à distância. No entanto, existem muitos outros projetos a surgir e por isso existe sempre muito para fazer todos os dias”.

Apesar de nunca terem ponderado desistir e regressar a Portugal, Filipa e Djalmo admitem que, em alguns momentos, sentem falta do “conforto” e da casa que tinham em Portugal. “Como agora já não temos casa, é mais fácil pensar que não temos para onde regressar e isso ajuda a seguir em frente. Os meninos sentem falta dos amigos e da família, é normal, mas não sentimos que estejam tristes e com vontade de regressar”.

“AQUILO QUE JÁ VIVEMOS OS QUATRO NESTA VIAGEM É IRREPETÍVEL E SÓ ISSO VALE TUDO”.

Indonésia, Malásia e Tailândia

Djalmo e Filipa referem que, apesar de todos os países que já visitaram ficarem no Sudoeste Asiático, a geografia, a população e a oferta cultural diferem em todos os países. “Adorámos a Tailândia, pela comida, pelas praias de água verde-esmeralda, pelas pessoas, por alguns locais que passámos”, contam, no entanto salientam que a Tailândia já não é o mesmo país que visitaram há mais de 10 anos e o turismo em alguns locais já não é bem visto. “O ritmo em alguns locais já bem acelerado, e isso tira a autenticidade de cada local como nós gostamos”.

“QUEREMOS EM BREVE PARTIR À DESCOBERTA DE NOVOS PAÍSES, MAS SEM PRESSÃO, SEM AQUELA META DE TERMOS DE IR E TEMOS QUE CONHECER”.

“A Indonésia é espetacular pela sua natureza, por ainda ser rural, por ainda existir um sorriso honesto e a vontade de ajudar das pessoas”, dizem, constatando que a Malásia, entre os três países visitados, foi o que gostaram menos. “Estivemos em sítios espetaculares, mas lá as pessoas já não querem saber dos turistas, somos um incómodo, e isso faz com que os sítios bonitos deixem de o ser. Vamos regressar certamente, mas não é o nosso país preferido”.

Em breve, a família vai partir à descoberta de novos países “mas sem pressão, sem aquela meta de termos de ir e temos que conhecer. Vamos quando sentirmos que é o momento para ir. Para já, estamos de volta à Indonésia, à Ilha de Lombok e estamos adorar. Este é um país enorme e há muito para conhecer”.

Até ao momento, os locais preferidos onde estiveram foram a ilha de Koh Lipe, na Tailândia, e a ilha Pasir Pajang, na Malásia. “Em Pasir Pajang reservámos um bungalow muito remoto na praia, e quando chegamos lá tínhamos toda a ilha só para nós com uma única pessoa para tratar de nós. Fui uma experiência muito ‘wild’ e muito autêntica. É daquelas coisas que nunca te vais esquecer e que te marca numa viagem destas”.

Choques culturais: Gastronomia e Comunicação

O maior choque culturas, nestes quatro meses, foi a habituação à gastronomia asiática. “Pelos países que passámos, existe uma grande parte da população que é muçulmana e embora para nós isso não faça qualquer confusão, na alimentação isso reflete-se bastante. Por vezes não é fácil comer bem”, admitem, notando que embora a gastronomia seja muito rica nesta parte do planeta, “é difícil encontrar um peixe como o nosso e isso faz muita falta“.

Em Portugal, esta família portuguesa tinha uma alimentação cuidada, à base de produtos biológicos. “Nestes países sentimos que comer bem, não é comer saudável, por isso essa parte cultural, tem sido a mais difícil de ultrapassar para nós.

Outro dos desafios é conseguir comunicar com os locais. “Por vez comunicar não é fácil. Em alguns locais e com algumas pessoas, nem o inglês serve”, referem, explicando que esta desconexão linguística, por vez gera equívocos e mal-entendidos.

“De resto, é fantástico lidar com várias religiões, diferentes hábitos e costumes. É muito rico e as crianças estão a apreender imenso sobre como é viver de maneira diferente daquela que vivemos em Portugal”.

Quais são os custos da viagem?

Em média, esta família composta por 4 elementos gasta cerca de 3000€ por mês. “Embora o Daniel, o nosso filho mais pequeno que ainda não tem 2 anos, não pague a maioria dos transportes, também gasta em fraldas e outras necessidades”.

O maior custo está nas estadias e nas deslocações. Filipa e Djalmo explicam que, nos últimos dois meses, fizeram muitas viagens e mudaram várias vezes de hotel. “Acabamos por gastar imenso dinheiro para chegar e estar nos destinos. Se as despesas são maiores que esperávamos? Sim. A Ásia, tal como o resto do mundo está muito mais caro do que era antes”, referem, afirmando que os custos são mais elevados do que estavam à espera.

O maior desafio: Viajar com crianças

Filipa e Djalmo adoram viajar e já conheceram mais 30 de países juntos. Viajar com os dois filhos pequenos tem sido, de acordo com o casal, o maior desafio desta longa viagem. “O nosso desafio agora é conhecer os nossos limites e saber quando temos que parar. O ritmo das crianças não é o nosso ritmo. Temos que as alimentar, tem que descansar, tem que ter condições de higiene e segurança para estar”, contam, constatando que neste tipo de viagem nem sempre é possível garantir estas condições e o resultado é “crianças mais cansadas, mais ansiosas e mais impacientes. O que gera birras, choros e insatisfação constante”.

Passados quatro meses, ainda não têm data de regresso a Portugal. Esta família não pensa nisso “por agora” e admite que “ainda existe um longo caminho para percorrer”.

“Não temos muitos planos, nem um calendário definido. Por vezes, até nos esquecemos a que dia da semana ou do mês estamos. Por isso o tempo, nesta fase das nossas vidas, é para nós uma coisa bastante insignificante”.

“SE DÁ MEDO PENSAR NA INSEGURANÇA QUE É DEIXAR A ZONA DE CONFORTO? ENTÃO É PORQUE A DIMENSÃO DAQUILO QUE VAIS CONSEGUIR ATINGIR VAI SER MUITO MAIOR DO QUE TU ALGUMA VEZ IMAGINASTE”.

Artigo anteriorRecém inaugurado Estoril Vintage Hotel promove dois programas que dão a conhecer os Parques de Sintra
Próximo artigoComeçar o domingo com uma aula de ioga e com um brunch saudável? É a proposta do InterContinental Lisbon

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor coloque aqui o seu comentário
Por favor coloque o seu nome aqui